Texto: João Paulo Tozo
Noventa e seis anos não são nada perto da eternidade que lhe espera. Mas é tanta coisa quando se é Palestra.
Noventa e seis dos anos mundanos. Noventa e seis dos anos dos campos.
Noventa e seis que soa tanto. Mas que nada é quando se multiplica pelos milhões de sonhos, milhões de mantos, milhões de encantos.
Noventa e seis anos do Palestra dos que já se foram. Do Palmeiras dos que hoje vibram, dos que hoje cantam. A Sociedade dos que por ti se eternizam.
Noventa e seis anos vezes os meus, vezes os seus, vezes os nossos anos. Noventa e seis vezes milhões. Milhões de vidas, milhões de almas que vivem a sua aura.
Tantas são as palavras a disposição. Mas nenhuma delas serve para descrever a importância de seus noventa e seis anos de paixão.
Obrigado. Talvez seja o sentimento de gratidão o que hoje devemos lhe direcionar.
Obrigado por existir. Por ser nosso. Por ser gigante. Por ser infinito dentro de cada um de nós que escrevemos com nossas vidas, a sua.
Obrigado por ser infinito dentro dos seus noventa e seis anos. Obrigado por ser Palmeiras.
26 de ago. de 2010
CHAZINHO DE COCA – NOVENTA E SEIS VEZES, OBRIGADO.
23 de ago. de 2010
Café com Leite: Freguês, agradecemos a preferência!
Sampa noise - Sem identidade.

Ontem só vimos um time jogar no clássico Majestoso.
De um lado um time com força e do outro um time sem identidade, sem cara de time, sem cara de coletivo, sem cara de vencedor.
O Corinthians dominou o jogo, pressionou o São Paulo que não teve forças nem garra para sair desse sufoco. Uma defesa perdida, sem comando, uma defesa dominada pelo time alvinegro.
Era como se houvesse uma barreira no meio-campo impedindo o São Paulo de atacar e nas poucas chances que o time teve, desperdiçou.
Parabéns ao Corinthians que soube jogar um bom futebol e superar a defesa patética do São Paulo de ontem.
10 jogos sem vitória do São Paulo no clássico. Isso mesmo! Quase 4 anos sem ganhar 1 partida se quer. No ritmo que anda, a aproximação da zona de rebaixamento deixa os são-paulinos assustados, e se continuar nesse ritmo e com esse futebol medonho e sem nada de bom, quem sabe...
Elias provou que adora fazer gol no São Paulo e ontem no clássico marcou 2. Jucilei fechou o clássico marcando o 3º.
Enquanto isso, nós continuamos sem técnico, sem confiança e sem futebol. O São Paulo tem que se mexer. Se não pegamos a vaga para a Sul-Americana, mas mesmo você continua acreditando que o São Paulo vai conseguir uma vaga entre os 4 primeiros colocados do Brasileirão, é porque você é guerreiro companheiro.
Eu não acredito nessa classificação, no máximo o São Paulo consegue participar da Sul-Americana ou da copa do Brasil, e que venha, afinal não temos esse título ainda, né?
Dica musical do dia: Pendulum - Set Me On Fire.
20 de ago. de 2010
CHAZINHO DE COCA - É PALMEIRAS. E BASTA!
Imagem: Ari Ferreira (p/ o Lancenet!)
Rivais tentaram diminuir o feito nas mídias sociais - “É só a 1ª fase da Copa Sulamericana”. Tentaram, em vão, tripudiar em cima do épico êxito – “palmeirense acha que venceu o Real Madrid”.
Tentarão, em vão, sempre que algo gigantesco como o de ontem ocorrer, usar o “não” como ferramenta de desapropriação da alegria coletivamente verde.
Estão certos – eles . Estão certos os palmeirenses.
Cada um na sua. Cada um com a sua paixão. Cada um com o seu costume.
Alguns gostam de comemorar suas vitórias sobre o Real Madrid. Esses, pobres torcedores, pouco comemoram, pouco vivenciam o cenário sugerido – se é que houve um dia. Mas se assim são, vamos respeitá-los.
Outros tripudiam vociferando feitos do passado nem tão remoto de sua agremiação, mas ainda assim, passado. Sinto por eles. Mas de toda forma, devemos respeitá-los.
A vida é assim, ou deveria ser assim. Um mútuo respeito. O pleno entendimento das diferenças que nos cercam. Que nos tornam indivíduos coletivamente associados à determinada causa.
“Diminuir” é uma palavra que não rima com os personagens do épico. Com o cenário da epopéia.
“Diminuição”, quando tentada pelo piadista oportunista, ainda que rimando em sua terminação, cai em desuso quando se tenta associá-la a Marcão, a Felipão, a Verdão – a Paixão, a Coração.
Sinto por eles que não vibram com uma virada de seu time. Sinto pelos que não enxergam em atos, em fatos, em pactos, algo muitas vezes maior do que vencer a final do campeonato.
No dia em que o Palmeiras voltou a ser Palmeiras – e chutou para o canto o frágil discurso dos que buscam cunhar a “Lusinha do séc. 21” a todo custo e que com isso desmerecem não só o gigante, mas também a Associação que cede seu nome e sua história à essa piada sem graça – no dia em que Felipão resgatou o espírito de seu Verdão vencedor e campeão. Que o Bigode, diferente de qualquer outro treinador, comandou não só time em campo, mas regeu magistralmente sua filarmônica de arquibancada – no dia em que um Santo de pluralidade inquestionável comemorou mais uma de suas datas marcantes e associáveis a cada Marco que se tornam Marcos – Esse foi o dia em que o palmeirense deve ter sentido pena. Pena do seu amigo que não entende essas coisas, que não vive essas situações – ou não gosta delas. Pena do rival que, na encolha, sentiu inveja do amigo palmeirense.
É uma pena – para eles – que seu sangue não ferva ao “menor” êxito de seu time. Que seja preciso algo “grande”, como um Real Madrid (sic), aparecer em sua vida para que sua alcunha de torcedor torne-se válida da boca para dentro.
E é e sempre será uma delícia para o palmeirense o fato de que o Palmeiras é grande o suficiente para se bastar. Sem que sejam necessárias terminações, complementações.
É Palmeiras. E basta!
Mas eu não espero que “eles” entendam isso.
19 de ago. de 2010
CHAZINHO DE COCA - A PERSONIFICAÇÃO DO AMOR PALMEIRENSE.
Imagem: Lancenet!
Vou abrir um pouco do meu lado torcedor ao amigo que me lê.
Torcer e rezar, ao menos para mim, são ações conflitantes. Penso com meus botões que, se há a reza, há a crença nos princípios de igualdade perante Ele – não importa quem Ele seja, a qual religião pertença ou mesmo que formato tenha.
No futebol quando torcemos no sentido de empurrar nosso clube ao êxito, imediatamente anulamos qualquer princípio de igualdade ao próximo – neste caso, próximo é o adversário. Nossa idéia é que o nosso seja vitorioso e o do outro seja o derrotado. Independente de merecimentos ou do raio que o parta.
Fazer sinal da cruz, pedir benção ao craque do time, prometer seja lá o que for em troca de uma vitória, não são ações que me aproximam da sensação da vitória do meu time.
Meu time. Meu clube. Minha história.
Enxergo-me como um conflito ambulante. Se me prender a questão levantada nos parágrafos acima então, como devo proceder?
Volto a perguntar e completo a questão:
COMO PROCEDER quando se torce por um clube que está nas mãos de uma divindade?
Literalmente em suas mãos. Literalmente uma divindade. Literalmente alheio a qualquer co-relação religiosa.
Ainda assim, um santo.
Eu não rezo para que o Palmeiras vença seus jogos. Mas eu peço a proteção a São Marcos.
Eu posso. O amigo alviverde pode. O brasileiro pôde em 2002.
Santo faz milagres.
Marcos tem as suas assinaturas milagrosas que enchem as retinas dos palmeirenses. Milagres empunhados a mãos lesadas, a mãos pesadas, a mãos santificadas.
Os santos carregam em suas vidas as marcas do sofrimento. Marcos as carrega em suas cicatrizes – pinos, placas, parafusos.
Todas elas, cicatrizes, pinos, placas e parafusos adquiridos em prol de algo maior que todos nós. Algo que só não é maior do que a paixão que sentimos por esse algo. Esse algo que é sim maior que o Marcos. Mas que encontra em Marcos a personificação maior do amor que o palmeirense tem pelo Palmeiras.
As palavras escapam por entre meus pensamentos entorpecidos pela paixão ao Verde, pela admiração ao Santo, pela magnificência de pertencer a essa estirpe.
As emoções transbordam e enlaçam meus dedos quando não enxergo em minhas palavras aqui escritas a homenagem nem mesmo próxima do merecimento da figura analisada.
Por que Marcos é um cara só. Mas é sozinho a síntese de toda a paixão e devoção que o palmeirense tem pelo Palmeiras.
16 de ago. de 2010
Folha seca: O fantasma do Barradão
Texto: Gregório Possa
Todo nós temos algum lugar que não nos traz boas lembranças, só de lembrar temos calafrios e por mais que você tente tudo que acontece nele, dá errado. Pois bem, para o Santos este lugar se chama: Estádio Manuel Barradas, mais conhecido como Barradão.
Mas peraí ! Recentemente fomos Campeões da Copa do Brasil em pleno Barradão. Sim, nós fomos, mas trazendo na bagagem mais um resultado negativo. O fato é que desde 2004 não vencemos a equipe baiana em seus domínios e por mais que em algumas possibilidades estivemos perto disso, os deuses da bola conspiram contra e o Vitória sai vencedor.
Com alguns desfalques importantes, o Santos entrou em campo com uma postura mais conservadora, apenas com Ganso para articular o meio campo e três volantes que saiam pouco, por isso o Vitória dominou as ações e mesmo sem jogar uma partida brilhante abriu 2×0 em poucos minutos. A marcação do time baiano neutralizava completamente a única opção de ataque do Santos que era seu camisa 10, Paulo Henrique dominava a bola e já estava cercado por 3 ou 4 jogadores.
No final do primeiro tempo os alvinegros conseguiram diminuir com Marcel, após chute forte de Ganso que foi rebatido por Lee nos pés do autor do gol santista. Pelas circunstâncias o 2×1 ficava de bom tamanho para o Santos, mas em uma falha infantil de Danilo o Vitória armou um contra ataque mortal e ampliou ainda na primeira etapa, apesar de o tempo prometido pelo árbitro já ter se esgotado a mais de um minuto.
Percebendo a dificuldade de sua equipe em criar jogadas, Dorival Jr. colocou Marquinhos no lugar de um dos volantes e o Santos cresceu no jogo. Maranhão recebeu cruzamento da esquerda e encheu o pé, a bola explodiu na trave e saiu, foi o anúncio da reação. Aproveitando-se do bom momento, o comandante santista fez mais uma alteração certeira e sacou Marcel para a entrada de Mádson que logo de cara lançou de forma brilhante o atacante Zé Eduardo, este bateu cruzado, no ângulo, sem chances para Viáfara. O empate era questão de tempo, mas como tudo insiste em dar errado quando se trata de jogos no Barradão, Edu Dracena tratou de comprovar essa tese e colocou a mão na bola dentro da área, além do penâlti, o zagueiro santista foi expulso e brecou a reação de sua equipe. Schwenck bateu e deu números finais a partida (4×2). Marquinhos ainda teve tempo de ser expulso deixando o Santos com 9 até o fim da partida.
Ganso sempre cercado por mais de um jogador, preço por seu talento.
O resultado manteve o Santos na 11° posição com 18 pontos e afastou o Vitória da zona de rebaixamento. Se por um lado, mesmo com o revés, a equipe santista está a 3 pontos do G4 e com um jogo a menos, do outro, a distância para a zona da degola também parece curta, apenas 4 pontos.
A possibilidade de saída dos principais jogadores, a vaga na Libertadores assegurada e as duas conquistas em tão pouco tempo acabam por tirar um pouco do foco da equipe para o restante do ano. Temos um exemplo recente disso: o Corinthians ano passado conquistou o Paulistão e a Copa do Brasil, sofreu pela perda de seus principais jogadores e não mostrou forças no restante da temporada.
Os artistas estão indo embora e o espetáculo se acabando, triste realidade do futebol brasileiro.
Café com Leite: Engenheiros do Avaí
CHAZINHO DE COCA - O RETORNO DO PALMEIRAS “FELIPÔNICO”.
Imagem: Ari Ferreira (p/ o Lancenet!)
O torcedor alviverde pode até ver seu time ser eliminado da Copa Sulamericana na quinta-feira, mas certamente terá absorvido pela captação de suas retinas o Palmeiras guerreiro e de busca incessante pelo êxito. Verá em campo o Palmeiras de Felipão.
A apatia que abate o time há anos foi uma parda recordação na partida de sábado contra o Atlético PR.
Ainda que tenha aberto o placar logo de cara, houve o tempero dramático típico dos épicos “felipônicos, quando Tadeu foi infantilmente expulso logo no início da 2ª etapa.
Houve as alterações prometidas por Felipão – Pierre, Vitor e Everthon foram sacados. Fabrício, Marcos Assunção e Luan entraram. Desses, Fabrício e Assunção foram destaques. Luan, ainda cru, deu lugar a Everthon, que entrou com a faca entre os dentes e mostrou postura diferente da que vinha desempenhando nas últimas partidas.
Um 3-5-2 que virava 4-4-2 quando Fabrício caia pela esquerda e Araujo postava-se à direita.
Ao invés de 4 volantes como no 1º jogo contra o Vitória, o time entrou com Tinga na armação. Assunção e Rivaldo variando as subidas e melhorando consideravelmente o abastecimento do ataque. A dupla de frente, entretanto, não esteve bem.
Dos pés de Tinga saiu o cruzamento na medida para a “bicuda” de cabeça de Danilo – jogador símbolo desse novo Palmeiras de Felipão.
Saiu também dos pés de Tinga o passe perfeito para o gol –em posição de impedimento- de Everthon.
Friso o “impedimento”, pois mesmo no êxito o atacante mostrou a sua costumeira ansiedade.
Entretanto finalizou como se deve, como se espera de um atacante de bom nível como é o seu caso.
E teve Felipão expulso.
É ou não é um cenário típico dos épicos protagonizados pelo treinador e sua trupe de jogadores guerreiros?
É bom o amigo palmeirense preparar a alma e coração para quinta-feira.
Apatia e corpo mole deixam de fazer parte dos ingredientes desse caldo alviverde. Em sés lugares entram brio e determinação. Finalizando com a qualidade que esse time tem sim e que já demonstrou que pode unir o útil (brio e raça) ao agradável (técnica).
Despeço-me do amigo que nos acompanha ao som do mestre Miles Davis com Nuit Sur Les Champs – Élysées (take 2)
http://www.youtube.com/watch?v=DvG1y84enbo
Cheers,
13 de ago. de 2010
Menino da vila: À espera de um milagre
Texto: Gregório Possa
Fotos: Globoesporte.com
Entra em campo o Campeão Paulista e Campeão da Copa do Brasil 2010 !
O otimismo estava estampado em cada torcedor presente, as duas conquistas enchiam os jogadores de moral. Nada poderia estragar mais uma bela noite do Santos…infelizmente só até o juiz apitar.
Os pouco mais de 7.000 torcedores acompanharam uma partida que destoou completamente das atuações santistas ao longo do ano. A primeira etapa apresent0u: um adversário totalmente ligado no jogo e um Santos sem qualquer inspiração e foco na vitória. Tanto que logo aos 16 minutos a equipe visitante abriu o marcador com Rudinei, após falha da zaga e do goleiro Rafael. Com a vantagem o Avaí recuou e cometeu seu único erro durante toda a partida, coube aos alvinegros partir para cima e por pouco não empataram com Marcel em cabeçada certeira para defesa de Zé Carlos e com Mádson que dentro da pequena área rebateu um cruzamento da direita e a bola tirou tinta da trave.
Com a necessidade de ao menos virar a partida e jogar por um empate na Ressacada, Dorival Jr. trouxe a campo no segundo tempo uma equipe que tinha mais a cara do Santos, com Neymar e o maestro Paulo Henrique Ganso. De nada adiantou, os talentosos meninos da vila pouco puderam fazer diante do ímpeto ofensivo do Avái que ampliou o marcador com um golaço de Vandinho por cobertura. Felipe que havia entrado no lugar de Rafael (contundido, após lance com Durval) teve de buscar a bola no fundo das redes.
O Santos ainda diminuiu com Zé Eduardo que recebeu passe açucarado de Neymar e fuzilou o goleiro catarinense. O tento anotado pelos santistas anunciava uma reação, mas o mar não estava pra peixe e quem marcou de novo foi o Avaí com Vandinho que aproveitou mais uma bobeada da defesa santista e só empurrou para o gol vazio a bola rolada da direita pelos pés de Róbson.
Realmente foi uma noite para esquecer, além da derrota e da ”quase” eliminação da Copa Sul Americana, já que o Santos precisa vencer por 3 gols de diferença lá em Santa Catarina, a equipe ainda teve a baixa do goleiro Rafael que saiu de campo com lesão na cabeça, após choque com Durval. Os exames realizados após o jogo constataram um leve traumatismo craniano e o jogador não enfrenta o Vitória no próximo domingo pelo Campeonato Brasileiro.
Não se deve jogar todo o trabalho do ano por uma simples atuação infeliz, aliás esse é o preço que toda equipe grande paga por se manter no topo durante a temporada, os adversários veem o Santos como o time a ser batido e por isso jogam suas vidas para vencer o melhor time do Brasil na atualidade. Essa motivação ”extra” foi apenas um detalhe para o Avaí, pois a equipe mostrou que tem qualidade e deve brigar na ponta da tabela no Brasileirão.
Como estava presente no Pacaembu na noite de ontem pude presenciar um fato lamentável para o futebol brasileiro. O novo estatuto do torcedor que ”proíbe” a ação de cambistas parece ser só fachada. Quando estava na fila para adquirir meu ingresso, reparei que ao meu lado, os cambistas agiam livremente com a polícia a menos de 10 m deles. O fiscal que estava ”orientando” os torcedores incentivava a compra daquele ingresso e dizia ”aproveita, você não vai pegar fila, é o mesmo que se compra na bilheteria”.
Pode acreditar, ainda teremos a Copa no Brasil em 2014 !
12 de ago. de 2010
Chazinho de Coca - A vida dura de Felipão.
Imagem: Romildo de Jesus (p/ o Lancenet!)
Rivaldo, “o original”, rescindiu seu contrato com o Bunyodkor e acendeu a esperança de boa parte da torcida alviverde em revê-lo vestindo a camisa com a qual conquistou o BR94, o Paulistão de 96, dentre outros títulos. Mas Felipão tratou de jogar um balde de água fria nas esperanças desse torcedor e descartou o retorno do meia.
Bem no dia em que o seu Palmeiras estreou com derrota na Copa Sulamericana, tida por muitos como a prioridade do ano, além de estrear o Rivaldo “genérico”.
Alguém sabe me dizer se essa declaração de Felipão foi antes ou depois da partida contra o Vitória?
Caso tenha sido antes, certamente ele está revendo esse posicionamento.
Sem Kleber e Lincoln, Felipão armou o Palmeiras com QUATRO volantes e com Tadeu no ataque, teoricamente ao lado de Everthon – na prática atuando sozinho, como já vem atuando Kleber.
Ou seja, sem a criatividade necessária para fazer a bola chegar a frente e sem ter quem saiba o que fazer com ela nos raros momentos em que a Jabulani de plantão rompeu a barreira defensiva do Vitória.
Não deve estar sendo fácil ser o Felipão. Mas ele faz certo quando pede que as críticas sejam voltadas a ele. Então façamos o que pede o Chefe.
Quatro volantes contra o Vitória?
É certo que o empate fora de casa é bom negócio nesse tipo de competição. Mas ele tem que acontecer por acaso, não por obra do planejamento. Empatar jogando bem é diferente de empatar jogando por ele. Até por que jogar pelo empate aumenta as probabilidades de derrota, como ocorreu ontem. Você mantém o rival mais tempo próximo de seu gol. Em contrapartida, quando se joga buscando a vitória, ocorre o oposto. Pensamento óbvio e que o amigo palmeirense, inteligente que é, deve saber de trás para frente. Só o inseri aqui para ilustrar o que vi ontem no Barradão.
Vejam, caríssimos alviverdes que aqui também lamentam mais esse pífio resultado do Palmeiras, não estou criticando o trabalho de Felipão, nem tenho moral para isso e nem quero fazê-lo, mas penso, se o Tinga é o único articulador disponível e ele está como opção, porque não usá-lo desde o princípio?
Rivaldo, o “genérico”, foi escalado como meia. Mas o próprio já disse que sua posição é de 2º volante.
Os recentes êxitos do mundo da bola tem nos mostrado que a tendência é que os meias sejam adaptados como volantes, e não o contrário. É a nova prática do futebol ofensivo. Vide a Espanha campeã do Mundo.
Pierre e Edinho são ótimos, mas um ou outro. Os dois juntos é muita volúpia destrutiva e nenhuma criativa.
Recua o “genérico” para fazer a função com Edinho ou Pierre, entra com o Tinga e deixa o Araujo flutuando em campo como no clássico contra o Corinthians, que não por acaso foi a melhor partida dele no Palmeiras e a melhor do time sob o comando de Scolari.
Não deve estar sendo fácil ser o Felipão. Mas e ser palmeirense, tem sido fácil? Pergunto aos amigos que acompanham esse espaço virtual.
Vale a pena comentar sobre a atuação do Everthon? Creio ser melhor deixar para quando ela acontecer.
Tadeu isolado, e desolando a torcida e Felipão, obrigou o técnico a olhar para o banco. Então ele vê que tem como opção o simpático Max, velho conhecido do torcedor. Não pelos gols e por boas jornadas, pelo contrário.
Pobre Felipão, que vida dura.
É bem verdade também que os gols do Vitória saíram em jogadas de bola parada. Mas se aconteceram é por que alguém as possibilitou. É por que o adversário manteve-se muito tempo próximo a área alviverde. É por que Max, ao contrário do que dizem as más línguas, sabe sim marcar seus gols. Ainda que contra.
E o amigo me pergunta por que iniciei a coluna ponderando sobre o Rivaldo, o genuíno.
É por que com 38 anos, ainda que jogue 50% do que já jogou, ele tem espaço em qualquer time do Brasil e na maior parte dos times do planeta. E nesse Palmeiras, sobretudo no Palmeiras de ontem, sem Kleber, sem Lincoln e ainda sem Valdívia, o “Genuíno” joga com uma das pernas amarrada.
Felipão disse ontem ao final do cotejo: “Se não dá com A e com B, tento o C e o D. Se não houver melhora, o que pode piorar? Zero.”
Bem que esse C ou D poderia ser o R de Rivaldo, o original.
E bem que hoje a diretoria poderia apresentar uns 10 Valdívias.
Pensando nas mudanças necessárias ao Verdão e já pensando em deixar os nobres alviverdes e demais entusiastas da bola em boa companhia, despeço-me da camaradagem ao som do grande David Bowie – Changes:
Cheers,


