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25 de out. de 2010

Não importa


Texto: Beto Almeida
Imagem: Junior Lago/UOL

O  telefone toca. Minha mão tateia o colchão, procurando o aparelho celular. O quarto está escuro, as janelas fechadas. Do outro lado da linha fala João Paulo Tozo, editor do Ferozes F.C.:
- E aí, Beto... Como vai essa força? Tá sumido, rapá... A galera tá com saudade dos seus textos...
- Pois é, João. Ando meio deprimido, sacumé, não consigo escrever... Falta inspiração e vontade.
- Mas, por quê? Que tá acontecendo contigo, malander?
- É o Timão, cara... Não ganha mais nada, tá osso...  Não tô acostumado com essa seca severina...
- Mermão, essas coisas acontecem, relaxa...
- Quéisso... Pode acontecer com você que é palmeirense, mas eu... Cara, é difícil.
- É só futebol, velho... Ninguém morreu... Sai dessa, bicho.
- Eu sei... “A mais importante das coisas desimportantes” e blábláblá e tal...
- Cara, experimenta sair de casa um pouco. Quem sabe dando uma volta você acaba tendo uma inspiração, sei lá.
- Beleza, cara. Vou fazer isso.
Levanto, tomo um banho. Visto qualquer coisa e saio pra rua. O dia está esquisito neste domingo, um céu cinza. Pensando bem, isto não é esquisito. Não em São Paulo
Pais passeiam com seus filhos. Homens e mulheres passeiam com seus cães. Vou até a padaria, tomo um café. Converso com a balconista e com o chapeiro. Vejo as mensagens deixadas por amigos e amigas no celular.
Encontro meu irmão. Tomamos uma cerveja, botamos o papo em dia. Ele é palmeirense, coitado. Combinamos de ver o derby juntos, mais tarde. Damos risadas, a vida é boa. Ele se despede, pego o caminho de volta pra casa.
Cigarros são fumados, ligações são feitas. Uma mulher linda passa por mim, evita meu olhar. Folheio umas revistas na banca de jornal que não despertam meu interesse. Penso que amanhã é segunda-feira e tenho de ir ao trabalho. Não quero pensar nisso, penso novamente na mulher que passou por mim. Penso em outra mulher.
Meu vizinho maluco grita palavras de ordem aos passantes. Penso que queria estar na praia, tomando um banho de mar pra tirar toda zica. Uma roda de samba com os amigos. Vejo as crianças brincando na rua, penso que crescer é bom.
Meu irmão passa pra me pegar pra ver o jogo. Antes a gente almoça na casa dele. Minha cunhada fez arroz de forno acompanhado de sardinhas ao molho de tomate e pimentão. Muito bom.
A gente joga um pouco de videogame. Depois vai num barzinho assistir o jogo. A cerveja desce bem pela garganta, o papo vai fácil.
O jogo termina. O Corinthians ganhou de 1 x 0. Não importa. É só futebol. A mais importante das coisas desimportantes.

5 de out. de 2010

Café com Leite: De eleições e futebol


Texto: Beto Almeida
Foto: Fernando Santos/Folhapress


E a rodada do Brasileirão foi antecipada por causa da festa da democracia em nosso país, o domingo das eleições. Que democracia é essa que grassa num país de tantas desigualdades eu não sei, e não é o Tiririca que vai me contar.
Vai lá que também cumpri meu dever cívico e depositei meu voto na urna, ou melhor, digitei os botõezinhos necessários para me sentir bem com minha consciência. Aí foi passar o dia com meus pais, pois não transferi meu título e tenho de voltar pra cidade natal pra votar. Boa desculpa pra filar uma comidinha da mamãe.
E as horas passam com muito carinho de irmãos, cunhadas, tios, tias e taças de vinho. Fala-se sobre tudo, política e futebol, inclusive. E nas minhas filosofadas chego à conclusão definitiva sobre o eleitor: ele é, antes de qualquer coisa, um torcedor.
Não tô falando do eleitor comum, aquele que vai votar obrigado, não. To falando daquele que inunda minha caixa de e-mail com mensagens xingando a Dilma. Por          que só recebo essas, podecrê.
Veja bem, que a figura também não pode ser comparada ao torcedor comum. Ele é um torcedor do São Paulo, aquele que só vai na final. Porque só vejo o tipo bradando contra o perigo vermelho nessa época de eleições, o resto do ano nem pra mandar e-mail de mulher pelada. Vai entender.
Feita essa brilhante análise, como sempre costumo fazer, vamos falar do Coringão. Esse sim é o preferido dos brasileiros, de todas matizes ideológicas. Se pudesse ganhava todos campeonatos no primeiro turno. De lavada.
Mas a coisa não é assim, e tem de ser no jogo jogado dentro do gramado. O que é bem melhor e justo. Pois que tropeçamos empatando com o Ceará no Pacaembu, mas nossos adversários diretos pelo título de campeão, Cruzeiro e Fluminense, também empataram seus joguinhos nesse sabadão.
Mas não dá pra perder pontos assim. O Ceará que me desculpe, grande clube do Nordeste e com torcida apaixonada, porém com elenco bem mais modesto que o do alvinegro paulista. Pois o futebol imita a vida, e vice-versa.
E Adílson Batista, dá pra explicar o que o Edu tá fazendo no time? Acho que só você sabe a resposta.
O time também vai sentir falta do São Jorge Henrique Guerreiro, o maratonista. O baixinho se contundiu no jogo. Tudo bem, o Dentinho volta e dá pra fazer um bem bolado lá na frente. Elenco pra isso a gente tem.
O que não dá é pra perder pro Atlético Mineiro, pô. Os mineiros tão no fundo do poço, tem de ensacar os caras. Tá na cara que vão vir com tudo pra cima do Timão, o negócio é resistir à blitz e marcar no contra-ataque. Ou seja, repetir a atuação que o Timão teve contra o Fluminense. Dá pra fazer.

Café com Leite: De eleições e futebol


Texto: Beto Almeida
Foto: Fernando Santos/Folhapress

E a rodada do Brasileirão foi antecipada por causa da festa da democracia em nosso país, o domingo das eleições. Que democracia é essa que grassa num país de tantas desigualdades eu não sei, e não é o Tiririca que vai me contar.
Vai lá que também cumpri meu dever cívico e depositei meu voto na urna, ou melhor, digitei os botõezinhos necessários para me sentir bem com minha consciência. Aí foi passar o dia com meus pais, pois não transferi meu título e tenho de voltar pra cidade natal pra votar. Boa desculpa pra filar uma comidinha da mamãe.
E as horas passam com muito carinho de irmãos, cunhadas, tios, tias e taças de vinho. Fala-se sobre tudo, política e futebol, inclusive. E nas minhas filosofadas chego à conclusão definitiva sobre o eleitor: ele é, antes de qualquer coisa, um torcedor.
Não tô falando do eleitor comum, aquele que vai votar obrigado, não. To falando daquele que inunda minha caixa de e-mail com mensagens xingando a Dilma. Por          que só recebo essas, podecrê.
Veja bem, que a figura também não pode ser comparada ao torcedor comum. Ele é um torcedor do São Paulo, aquele que só vai na final. Porque só vejo o tipo bradando contra o perigo vermelho nessa época de eleições, o resto do ano nem pra mandar e-mail de mulher pelada. Vai entender.
Feita essa brilhante análise, como sempre costumo fazer, vamos falar do Coringão. Esse sim é o preferido dos brasileiros, de todas matizes ideológicas. Se pudesse ganhava todos campeonatos no primeiro turno. De lavada.
Mas a coisa não é assim, e tem de ser no jogo jogado dentro do gramado. O que é bem melhor e justo. Pois que tropeçamos empatando com o Ceará no Pacaembu, mas nossos adversários diretos pelo título de campeão, Cruzeiro e Fluminense, também empataram seus joguinhos nesse sabadão.
Mas não dá pra perder pontos assim. O Ceará que me desculpe, grande clube do Nordeste e com torcida apaixonada, porém com elenco bem mais modesto que o do alvinegro paulista. Pois o futebol imita a vida, e vice-versa.
E Adílson Batista, dá pra explicar o que o Edu tá fazendo no time? Acho que só você sabe a resposta.
O time também vai sentir falta do São Jorge Henrique Guerreiro, o maratonista. O baixinho se contundiu no jogo. Tudo bem, o Dentinho volta e dá pra fazer um bem bolado lá na frente. Elenco pra isso a gente tem.
O que não dá é pra perder pro Atlético Mineiro, pô. Os mineiros tão no fundo do poço, tem de ensacar os caras. Tá na cara que vão vir com tudo pra cima do Timão, o negócio é resistir à blitz e marcar no contra-ataque. Ou seja, repetir a atuação que o Timão teve contra o Fluminense. Dá pra fazer.

23 de set. de 2010

Café com Leite: De virada é mais gostoso!

Texto: Beto Almeida
Foto: Bruno Miani/UOL

Eu já sabia! É o que todo mundo disse ao término do jogo entre Santos e Corinthians em que este mais uma vez ganhou daquele pra corroborar a freguesia e agravar a crise instalada na Vila Belmiro há uma semana.
Praqueles extraterrestres que habitam lugares distantes do mundo da bola eu conto a história: afinal de contas tenho uma cota de linhas para cumprir. E ela começa quarta-feira passada no jogo entre Santos e Atlético Goianiense onde o garoto Neymar – principal jogador peixeiro e incensado pela mídia esportiva como o novo Pelé e salvador do futebol brasileiro – ao ser preterido pelo técnico Dorival Júnior na cobrança de uma penalidade máxima passou a desancar colegas de equipe e o próprio chefe no meio do campo, tudo captado pelas atentas câmeras de TV em rede nacional e internacional, como deve ser.
Oras bolas, isto é o futebol, meus amigos, minhas amigas, qualquer tema, por mais irrelevante que seja, adquire proporções titânicas em jornais, revistas e programas de televisão, sem falar nos blogs, redes sociais e um tal de twitter, coisas modernosas de modernos, e causa-se o estardalhaço necessário para garantir a audiência, tiragem e visitação, ganha-se uns cobres com a publicidade e a indústria desportiva agradece, imprensa, clubes e o próprio jogador – que, apesar de ser chamado de monstro, não precisa se preocupar com a falta de grana pra pagar as contas.
Aí que o garoto foi punido com uma multa de 30% de seu (dele) salário e suspenso por um jogo, tudo isso acordado entre diretoria, técnico, jogador, seu (dele) pai e o empresário do jogador, figura que não pode faltar nessas horas – pois é pai, melhor amigo e guia espiritual dos guris com alto potencial de ganhar dinheiro.
Mas o acordo não foi combinado, o técnico Dorival Júnior achou por bem suspender o garoto no jogo de ontem contra o Corinthians também, coitado, foi mandado embora, simples assim, como toda demissão: seja de técnico, seja de peão.
Parece que vai treinar o São Paulo, nem fará parte das estatísticas de taxa de desemprego, bom para o país e principalmente pra ele – que levou uma boa grana de multa rescisória.
Coisa que não acontece com a maioria dos desempregados brasileiros, incluídos aí uma grande parcela de corinthianos diante do aparelho televisor para acompanhar o jogo de ontem, todos na expectativa de uma vitória praquela alegria no meio de tanta tristeza tirando um sarrinho do desempregado santista, este vai ter de dormir com a cabeça mais quente ainda, coitado.
Pois essa é a alegria do pobre e do rico, tripudiar da desgraça alheia, é fantástico: o freak-show da vida.
Pois o menino Neymar entrou em campo, trazendo com ele a responsabilidade de conduzir o time praiano à vitória, coisa que não aconteceu. Até que ele começou bem, uns dribles e tal, fizeram o primeiro gol aos 2 minutos, depois só deu Corinthians – que empatou numa grande jogada de Jucilei que deixou Iarley na cara do gol. Depois o Santos fez o segundo gol com Neymar pegando rebote, o Timão empatou, veio o segundo tempo e o Todo-Poderoso carimbou a virada com uma cabeçada de Paulo André num cruzamento de Danilo, o “Morto Muito Louco”. Foi isso, mais detalhes na coluna do colega Gregório Possa, escriba peixeiro pra azar dele.
Taí que o desempregado corinthiano atravessa mais um dia, sobreviveu e sorriu. Vai acordar amanhã com essa lembrança no pensamento, “tem coisas que fazem a gente seguir em frente”. O desempregado santista tem lá as coisas que também o fazem seguir em frente, mas hoje não se trata de futebol.
O fato é que o Corinthians tá jogando o fino, se continuar nessa toada leva o campeonato. Começou a ganhar fora de casa, algo que não vinha acontecendo. È que agora o alvinegro do Parque São Jorge parece ter achado o esquema de jogo ideal, o elenco qualificado permite muitas variações no esquema tático e o técnico Adilson Batista tá mandando muito bem, colocando o time pra frente.
O mais importante é que o ambiente interno parece muito bom, sem as panelinhas freqüentes que grassam nos vestiários. Isso faz toda a diferença. Nisso dou crédito ao Mano Menezes, ele sabe administrar vaidades. E olha que o Timão tem Ronaldo e Roberto Carlos, duas figuras emblemáticas do panteão de jogadores do futebol brasileiro.
Continua assim Timão, os corinthianos (desempregados ou não) agradecem.

19 de set. de 2010

Café com Leite: Brad Pitt


Texto: Beto Almeida
Foto: Fabio Braga/Folhapress

Pois é, gente... O Timão jogou no sábado o jogo bem jogado, aquele que dá pro gasto e ganhou do lanterna – o Grêmio Itinerante, hoje em Presidente Prudente – por um placar de 3 gols a zero, num Pacaembu tão gelado quanto meus pés.
Com a vitória alcançamos a liderança isolada do campeonato, sacramentada com o empate do Fluminense diante do Flamengo no dia seguinte. Ê coisa boa, torcer pro Timão! E a gente ainda tem um jogo a menos que o resto, olhaí.
Tenho um amigo que acha perigoso assumir a liderança agora na metade da competição: “O ideal era ser segundo colocado até umas cinco rodadas pro final, aí sim a gente decolava pra ser campeão, sem aquela pressão de ser líder. Todo time cai matando em quem tá em primeiro lugar”.
“Bobagem”, eu falo. “Todo time cai matando em cima do Corinthians do mesmo jeito, não importa a colocação. A gente é o eterno primeiro lugar presses caras, o rival que todos adoram ter, o Mais Querido e Mais Odiado – a dualidade das querenças”.
“Taí uma verdade”, ele olha pro alto pensativo e aproveita pra entornar o resto de cerveja que sobra no copo.
Ah, Coringão... Triste sina essa, ser inimigo de todo mundo.
Sintam o drama que se desenrola na padaria onde tomo café e saboreio meu pão na chapa, lugar onde todos os brasileiros duma parcela da Lapa se encontram para sorver sua cafeína matinal que dará ânimo para o resto do dia e jogar conversar fora:
- Aí corinthiano, a CBF já tá ajudando vocês de novo, hein? O juizão garfou o Cruzeiro lá nó Engenhão. Ano do Centenário, né?
- Pois é, que nem 2005, que roubaram do Inter pra dar o título pro Corinthians, você numviu que o André Sanches é amigão do Ricardo Teixeira, foram pra Copa juntos?
“É agora que vão falar do Lula...”, penso, logo sinto – fantástico blog da minha amiga Nina, recomendo!
- E o Lula que é corinthiano e deu um estádio pros caras, puta imoralidade isso aí, o meu tricolor tem casa própria, não precisou de esmola do governo, não...
- Sabe como é, ano de centenário dos caras, né?
- É, ano do semtênada, rárárárá...
Eu, na minha, tomo meu café de boa.
Nós, corinthianos, maloqueiros e sofredores já estamos acostumados com esse tipo de provocação. O Corinthians nunca é vencedor por mérito próprio: sempre é preciso armar uma conspiração gigante para ganhar um campeonato, temos todos os juízes, bandeirinhas e congêneres em nossa folha de pagamento, nossa influência é tão grande e poderosa que nossos tentáculos se espalham por CBF e Governo Federal, Estadual e Municipal, quiçá (adoro essa palavra) a ONU. O Timão é mais poderoso que os Estados Unidos da América. É o Corinthians que vai conseguir a paz no Oriente Médio.
Claro, não se trata disso. É o que chamo de "efeito Brad Pritt" – o cara não tá nas cabeças porque é um excelente ator. Ele é só mais um rostinho bonito, sem talento nenhum, sacumé... No fundo, todos sentem um pouco de inveja dele. Todos querem ser um pouco Brad Pitt. Todos querem ser um pouco corinthianos.

 

16 de set. de 2010

Café com Leite: Aquele abraço!


Texto: Beto Almeida
Foto: Alex Carvalho/UOL

E o Coringão foi pro Rio de Janeiro, a “Cidade Maravilhosa”, ganhar do Fluminense, rival direto pelo título de campeão do campeonato brasileiro de futebol, jogando uma boa bola e conquistando a mesma pontuação do tricolor carioca e a segunda colocação no torneio.
Tudo bem, o alvinegro tem um jogo a menos por causa de uma partida adiada em virtude das comemorações pelos cem anos do clube em 1º de setembro, evento mais comemorado que o Dia da Independência aqui pelos lados da capital paulista.
Pois meninos, eu vi. Mais de cem mil corinthianos festejando e cantando os “parabéns pra você, nesta data querida” ao time que do Brasil é o mais brasileiro. Mas isso é outra história, pra outra mesa de bar.
Que a história de hoje começa no sábado passado quando eu calçado da minha bota de gelo fui ao estádio do Pacaembu assistir a peleja entre Corinthians e Grêmio. Todo mundo sabe que o Timão perdeu esta perdida, mas não por esta coluna – entrei em depressão e não consegui escrever sobre isso e se o faço agora é por sugestão do psicólogo.
Bem, o fato é que, noves fora a derrota, o Jucilei se destacou na partida. Muito bem nos desarmes e no apoio ao ataque mostrou porque foi convocado por Mano Menezes para a seleção brasileira. O garoto jogou muito e o Todo-Poderoso só não ganhou dos gaúchos por conta de uma tarde infeliz de Iarley, que perdeu um pênalti e outros gols feitos, como dizem na gíria ludopédica e futebolística.
Não se pode ganhar todas, assim é a vida mundana, quem ganha sempre não faz parte do meu círculo de amizades – eu que freqüento a Virada do Centenário no Anhangabaú e não as mesas do Leopoldo.
Pois as derrotas deixam os homens mais fortes e firmes em seus propósitos também, senão veja a raça e garra que o Coringão desfilou nos gramados do Engenhão ontem. Os jogadores disseram que encaravam a partida como uma final de campeonato, e era mesmo, perder para o Fluminense seria uma estocada fatal nas pretensões do alvinegro ao título. Apesar de ainda ter muito campeonato pela frente, o Fluminense abriria uma vantagem perigosa em relação ao clube do Parque São Jorge, além de iniciar um processo de quebra de confiança dentro da equipe. Com a vitória corinthiana acontece tudo isso aí que falei com sinal trocado, ou seja, os cariocas que ficaram com essa brocha na mão, como dizem na gíria paterna e vôterna.
O importante é que o time jogou muito bem, superando os primeiros 20 minutos iniciais de alguma pressão do adversário. Depois dominou o meio-campo e daí pra fazer o primeiro gol foi um exercício de paciência. O Timão tinha maior posse de bola e foi cozinhando o pó-de-arroz até o final do primeiro tempo quando fez um gol com Jucilei – o craque que matou a bola no peito e fuzilou no canto direito do goleiro Jorge Henrique. Énóis.

Aí vamos pro intervalo.

Comentário do intervalo: “O Corinthians ganha muito com a volta de Roberto Carlos e Alessandro à equipe. Esses jogadores precisam de substitutos à altura, não de jogadores improvisados em seus lugares quando não podem jogar.” Eu

Voltamos pro segundo tempo. Em uma frase.

O Fluminense voltou pro segundo tempo com Rodriguinho no lugar de André Luis com a intenção de jogar no ataque, o Corinthians se segura e num contragolpe rápido faz o segundo gol aos 21 minutos num cruzamento de Alessandro para Iarlei que logo é substituído por Boquita que tem a função de prender a bola no meio-campo, o Fluminense diminui com Washington, o Corinthians segura o placar de 2x1, apita o final de jogo o juiz Carlos Eugênio Simon!
O trio de arbitragem foi muito bem, também.
Pois é, se o Coringão continuar batendo essa bola, não vai ter outra: será campeão. Jogou um futebol redondo e consciente, de gente grande. Para uma equipe que não havia ganho um jogo fora de casa, nada melhor que obter essa primeira vitória sobre o principal concorrente no campeonato. Isso deu uma moral pro time que é monstra, como dizem na gíria jóvi e descolada da moçada e rapaziada.
Agora é aproveitar a buena onda e ir com tudo pra cima do Grêmio que hoje é Prudente no sábado. Vai Coríntia, não para de lutar!

 

9 de set. de 2010

Café com Leite: Da psicologia, religião, Beatles e o papel da mulher na sociedade


Texto: Beto Almeida

Vailá que não tem jeito, o Coringão não consegue ganhar fora de casa, justificando a alcunha de time caseiro: coisa que os rivais, ou seja, todo mundo, querem imputar ao glorioso clube do Parque São Jorge já faz um tempo.
A verdade é que qualquer time desse meu Brasil brasileiro já tem escrita no estatuto aquela regra que diz que quando enfrentar o Corinthians o elenco deve fazê-lo com gana redobrada: a maior rivalidade do futebol é essa, meus amigos e amigas, uma nação contra outra nação - a nação do resto versus a nação corinthiana – fato documentado e comprovado em qualquer mesa de boteco no interior e no exterior também.
Ninguém quer perder pro Timão, muito menos em casa. E dá-lhe retranca, ferrolho e botinada. Não tem jogo fácil pro Todo-Poderoso, até o Palmeiras jogou bem contra a gente - arrancou um empate! Sentiu o nível da parada?
E não ia ser diferente em Curitiba contra o Atlético Paranaense. Nessas horas o Paulo Baier tem uma atuação digna de convocação pra seleção brasileira. É cada coisa que até Deus duvida.
Mas, naboa... Demorou pro time perceber isso, né?
Vamos ser justos: o técnico e o time sabem disso faz tempo, ontem mesmo vi jogadores comentando isso nas entrevistas. Então porque a vitória não vem? Mesmo jogando contra times inferiores tecnicamente?
A resposta é simples e complicada, como tudo nessa vida de meu Deus e dos diabim que ficam urucando a nossa desdita, e tem explicação na psicologia freudiana, lacaniana, cognitiva ou fenomenológica: a culpa é da mulher.


:O


Brincadeira, pessoal! Só ia falar disso caso quisesse fundar uma nova religião, ou pra arrumar uma explicação do porquê os Beatles se separaram, a velha história de que foi por causa da Yoko Ono e tal. Convenhamos, tá na cara que o problema era o Lennon: ou você acha que um cara que casa com uma mina que tem a bunda mais feia que a dele tá batendo bem da cachola?

A verdade é que o time está muito ansioso quando joga fora de casa. Sai pra matar o jogo logo, acaba se descuidando na defesa e toma um gol. Aí o adversário recua e só joga no contra-ataque. Foi assim com o Cruzeiro. Ou então, o time supera essa ansiedade inicial e sai na frente, mas sente falta do apoio da torcida e sei lá, toma um gol. O Coringão precisa de uma vitória fora pra adquirir confiança. É normal.
Mas isso tem de acontecer logo. Se o Timão pretende ser campeão brasileiro este ano, tem de ganhar fora de casa. Apesar do ânimo redobrado dos adversários.

1 de set. de 2010

Café com Leite: Timão, 100 anos



Texto: Beto Almeida

Tem coisas que não conseguimos transmitir em palavras, não dá. Como explicar o que é ser corintiano? Me rendo, não tenho o talento dos mestres, essa pena fabulosa, sou pequeno  diante dessa Nação – pois o Corinthians é a massa de milhões de torcedores vestindo o preto e o branco – cantando em coro que este sim, é do Brasil o clube mais brasileiro, na comunhão de raças e classes sociais, ponto comum entre tantas diferenças e indiferenças que grassam nessa terra, a religião que abraça todos os crentes e descrentes, homens e mulheres e crianças que corintianos, são iguais.
O Corinthians é o time do chefe e do peão, e este odeia aquele, mas na hora do gol se abraçam como se fossem grandes amigos – e nessa hora eles são – porque quando o Corinthians entra em campo todos somos corintianos.
E é teu símbolo que carregam tatuado no peito, esse amor que nunca há de acabar, o amor perene e eterno, posto que transcende o humano. É imortal.
Salve, Corinthians! Parabéns pelos 100 anos.
Parabéns, corintianos!

23 de ago. de 2010

Café com Leite: Freguês, agradecemos a preferência!

Texto: Beto Almeida
Foto: UOL

“Ôôôôôôô, nosso freguês voltou...” cantava a torcida alvinegra num Pacaembu de 30 mil pessoas que assistiam um clássico chamado Majestoso, aquele protagonizado por Corinthians e São Paulo – este que não veio ao jogo, aquele aplicando sonora goleada acompanhada dos gritos de olé dos fiéis discípulos de São Jorge que voltaram muito felizes pra casa, de metrô, busão, carros, motos e – pasmem – até mesmo a pé, meio de locomoção pouco praticado nas pirambeiras ao redor do estádio.
O placar de 3 x 0 para o Timão até que foi tímido diante do massacre imposto aos tricolores da Vila Leonor, devotado freguês da venda corinthiana, onde sempre volta pra comprar derrotas e é sempre bem atendido. Aquele chocolate suíço que todo mundo gosta.
E a massa de corinthianos agradece o show, um balé digno do Bolshoi e do Grupo Corpo e outras companhias famosas, até Mano Menezes compareceu aos camarotes da casa de espetáculos para matar saudades do time que o alçou à Seleção Brasileira.
- Aí, deixa de enrolar e fala como foi o jogo!
Tá bom, caro leitor, caríssima leitora, falo.
As duas equipes entraram em campo acompanhados dos respectivos mascotes, perfilaram-se e entoaram o hino nacional. O juiz jogou a moeda pro alto e a saída de bola coube ao time do São Paulo. Aqui se encerra a participação do tricolor na partida.
O Todo-Poderoso foi pra cima dos bambis (alcunha dada aos são-paulinos pelos torcedores rivais) numa verdadeira blitzkrieg, ou seja, serviu o trivial costumeiro. O domínio do Timão na partida era evidente e o primeiro gol alvinegro saiu aos 21 minutos, num chute de fora da área de Elias, bem no canto esquerdo do goleiro-ícone Rogério Ceni.
É agora que faço minha análise tática das equipes:
- O técnico corinthiano Adilson Batista mandou muito bem tirando o Danilo do meio-campo, substituindo-o por Jucilei e colocando Elias para jogar mais adiantado. Com essa mudança o Maior de Todos ganhou mais velocidade neste setor do gramado, com Elias e Jucilei chegando de surpresa no ataque e livres de marcação. Foi aí que o Corinthians ganhou o jogo.
- Torcedor tricolor, me desculpe, mas fazer uma análise tática da equipe da Vila Sônia é uma tarefa mais difícil que fazer campanha para eleger o Serra presidente do Brasil.
Depois deste brilhante aparte no texto, onde o autor nos brinda com a chave para a compreensão da partida, continuamos com a programação normal – o passeio corinthiano na avenida tricolorida, pois que Elias marca seu segundo gol no certame aos 41 minutos.
E assim foi o primeiro tempo.
Pois é, jogar com time pequeno dá nisso, alegria da Fiel Torcida que não parava de cantar nas arquibancadas, mesas de bares e sofás de sala em todo o país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza!
O segundo tempo não foi diferente do anterior, o massacre corinthiano continuou sangrento e sanguinolento, o goleiro Rogério Ceni operou mais milagres miraculosos e Jucilei fez o terceiro gol alvinegro, para alegria da torcida e aqueles clichês todos que costumo escrever nestas horas.
Aí o grito de olé imperou e ao time do São Paulo só restou torcer pro jogo acabar logo e não tomar mais umas bolas na rede. Coisa normal.
E o jogo acabou, a rodada também. O Timão está em segundo lugar no Campeonato com 31 pontos, dois pontos atrás do Fluminense que teima em ficar na liderança mesmo sendo dirigido pelo Muricy Ramalho, rei do chuveirinho e das goleadas de 1 a 0. Vá lá, tem muitos jogos ainda e o Tricolor carioca ainda vai dar seus tropeços.
Resta-me agora agradecer ao Timão pelo sono tranqüilo e as alegres mensagens de vivas enviadas pelos amigos ao meu celular. Essas pequenas alegrias não têm preço.

16 de ago. de 2010

Café com Leite: Engenheiros do Avaí

Texto: Beto Almeida
Foto: Cristiano Andrujar/Lancenet

Pois é, a secadeira foi geral e a zica rolou solta pro lado do Timão que foi à Florianópolis enfrentar o Avaí por não sei qual rodada do Brasileirão.
O time catarinense, comandado pelo simpático técnico Antonio Lopes, começou o jogo de forma arrasadora, fazendo um gol logo aos 10 minutos. Eita! Geralmente é o Corinthians que começa melhor as partidas, mas qual o quê, o escrete alvinegro estava perdido em campo, precisou do técnico Adilson Batista ir pra beira do campo acertar o posicionamento dos jogadores de meio.
Aí sim, depois da bronca o time passou a jogar melhor e conseguiu o empate com um gol dele, o astro da camisa número dez, Bruno César. Taí, o cara joga muito, daqui a pouco vai colocar o Ganso no banco de reservas da seleção brasileira, anota aí.
Pausa pro intervalo comercial da Sessão da Tarde.
Os times voltam pro segundo e quem estava armando altas confusões em campo era o juiz que estava todo atrapalhado na marcação. Mas, tudo bem, juiz erra mesmo, não é desculpa pra derrota, isso é coisa de cholorados.
Bom, voltando ao jogo jogado, corrido e burilado, o Avaí volta melhor em campo, ora pois. E o time do delegado faturou dois gols no nosso caixa, aproveitando vacilos da nossa defesa. Que estava uma porcaria, diga-se de passagem.
Aí o Todo-Poderoso acordou e foi pra cima. Aos 30 minutos nosso camisa 10, sempre ele, faz mais um gol, diminuindo a vantagem do Avaí para um gol e dando esperanças pra torcida que conseguiria arrancar o empate.
Qual o quê, apesar da vontade o jogo acabou com a vitória do Avaí mesmo.
Agora é esperar semana que vem e ficar de olho no Fluminense que abriu quatro pontos na liderança do campeonato. O importante é não deixar o tricolor carioca desgarrar muito, pra isso o Corinthians tem de ganhar o próximo jogo contra o São Paulo, fiel freguês.

10 de ago. de 2010

Café com Leite: Falemos sobre Corinthians e Flamengo




Texto: Beto Almeida
Foto: Wagner Carmo/Vipcomm

Ah, Corinthians, meu sangue ferve por você que eu te amo meu amor, não fique triste se não vi seu último jogo contra um time de camisa listrada amarela e azul, uma camisa tão feia, mas tão feia que evoca o futebol dos anos 90, aquele futebol de Dungas e Lazaronis, algo assim como o calcio, que meu corretor ortográfico insiste em acentuar agudamente, robô idiota, não estou falando do mineral tão bom para nossos ossos, do ofício e não oficiosos também; mas do bom e velho e feio futebol italiano.
Tudo isso pra dizer que a camisa usada pelo Flamengo lembra o fardamento do Parma, um time mequetrefe da Bota. Parece que o amarelo e o azul eram as cores originais da camisa do Flamengo e dá pra entender porque alguma alma de bom senso resolveu mudar para o vermelho e o negro, que sempre imaginei uma homenagem à Stendhal, tal qual a bandeira da Paraíba, a bandeira mais bacana desse Brasilzão junto com a de Pernambuco, a bandeira onde está escrito NEGO, que sei tratar-se de uma negação, mas que prefiro associar à NÊGO de neguinho mesmo, que é como me chama carinhosamente uma amiga, “Vem cá meu nêgo e dá-me um abraço!” e o abraço é gostoso e preguiçoso e tal.
Parece que o Todo-Poderoso também vai fazer uma camisa comemorativa dos cem anos de existência do clube, aniversário que se comemora dia 1º de setembro deste 2010. Vazou na Internet uma foto do suposto uniforme que será utilizado pela equipe em ocasiões pra lá de especiais:

Coisa mais feia só a do Flamengo mesmo, né? Não à toa as duas equipes têm o mesmo fornecedor de material esportivo.
Com a vitória sobre os urubus somamos 28 pontos e estamos em segundo lugar, atrás do Fluminense que tem 29 pontos. Como o Fluminense é treinado por Muricy Ramalho, deve rolar uns empates por aí, de modo que podemos assumir a liderança novamente. Na boa, um time treinado por alguém que diz que “futebol não é espetáculo, quem quiser ver espetáculo que vá ao teatro” não merece ganhar nada. Mas vão ao teatro, pessoal, tem muita peça boa na cidade, algumas com preços populares.
Até o Mano escalou a seleção brasileira com uma formação ofensiva. Ta vendo como foi bom a Espanha ganhar o Mundial? Aquele papo de futebol bonito não ganha campeonato parece estar com os dias contados, a moda agora é todo mundo falar mal da retranca na imprensa esportiva ou não. Aí a seleção da Itália ganha o Mundial de 2014 e batata, todo mundo começa a falar que futebol feio que é eficiente.
Ah, esse gado humano que age bovinamente, seguindo aquela programação básica em nosso cérebro condicionado a dizer sempre as mesmas coisas, gostar das mesmas coisas e pensar as mesmas coisas de sempre.


2 de ago. de 2010

Café com Leite: Sobre chorões, mafiosos e economistas e outras coisas

Texto: Beto Almeida 
Foto: UOL

            É pessoal, ninguém sabe, tenho vergonha de contar, mas sou economista. Tudo bem, não é algo assim tão horrível quanto ser são-paulino, mas não é tão legal quanto ser um jogador de futebol. Olha só o Bruno, ex-goleiro do Flamengo, saindo em tudo que é capa de revista e tal, se fosse um economista ia aparecer na seção Dinheiro, aquela que ninguém lê.
            O bacana disso é que posso dar umas dicas de investimento e nem ficar constrangido, tenho uma aura de credibilidade, essa coisa que no Brasil se costuma comprar em cartório e tem de ser assinada e carimbada e diplomada.
            Pois aqui vai minha dica de investimento do dia: comprem ações de fábricas de chupetas, minha gente! Só a chupeta pra parar com o berreiro dos anti-corintianos que estão num chororô só, não chororó - como insiste grafar o corretor ortográfico do meu Word.
            Assim é a sina alvinegra: quando ganha ou empata é tudo graças aos erros da arbitragem, que sempre favorecem o Todo-Poderoso. Quando perde é cavalo paraguaio mesmo.
            O Timão é a equipe das mutretas, esquemas e armações. O Kia Joorabichian, empresário iraniano, não pode pisar nessas tropicais terras, com o risco de ser preso. Envolveu-se em transações milionárias usando o clube como intermediário. Trouxe Tevez e Mascherano, jogadores da seleção argentina, para o Corinthians com dinheiro lavado no petróleo russo, hoje é refugiado na Inglaterra e, como Juvenal Juvêncio, deve dar suas bicadas num bom “scotch” legítimo escocês. É a globalização, meus amigos, que traz a riqueza e o progresso ao nosso mundo, pois imaginem que não muito tempo atrás jogador era comprado para time brasiliano com dinheiro lavado no leite italiano, esqueminha regional, e refugiado tinha de se contentar em dar umas bicadas num “scotch” paraguaio e olhe lá.
            É claro que minto, refugiado e exilado sempre se deram bem, em sua maioria. Quem se lasca mesmo é a massa estrangeira, mesmo que em seu próprio país, que ainda bebe sua cachacinha e fuma o cigarro mais barato, torcendo pra não ser confudida com um terrorista ou outro tipo de meliante. Os suspeitos de sempre.
            Mas divago, falava do Corinthians, esse time que mancha o panteão de clubes nacionais com suas jogadas sujas. Agora pensam construir um estádio, provavelmente com dinheiro público, coisa que nunca aconteceu nesse estado de São Paulo. Parece que só falta um laudo, e não é o Laudo Natel. Antigamente tudo era mais fácil, pois é.
            O Corinthians compra, corrompe, macula os campeonatos que participa. Ainda não conseguiu comprar uma Libertadores da América graças aos esforços da CONMEBOL, instituição acima de qualquer suspeita e zelosa da dignidade do esporte em nosso continente.
            Mas vá lá que já falei demais de futilidades políticas e policiais e menos de futilidades que passam dentro de campo. Pois ontem teve clássico, o chamado derby paulistano. Caras, gosto muito desses anglicismos no futebol, esporte bretão.
            O derby paulistano é o jogo entre Corinthians e Palmeiras, praqueles que não sabem. Foi o jornalista Thomaz Mazzoni quem batizou a rivalidade, em referência à mais importante corrida de cavalo do mundo, o Derby de Epsom. Isso aí segundo o Wikipedia.
            Bem, num Pacaembu esvaziado pela presença de 20 mil bebês-chorões e alguns milhares de fiéis, o Corinthians entrou em campo com seus quatorze jogadores, os onze regulares, goleiro mais linha; e os outros três que eram o juiz e mais dois bandeirinhas. No lado do Verdão, o técnico Luis Felipe Scolari inovou e mostrou porque merece ser o técnico da seleção brasileira na Copa de 2014: entrou com os onze pernas de pau de sempre, porém com dois goleiros - Deola e o colombiano Pablo Armero, que também atuava pela lateral esquerda. Essa visão tática original vai revolucionar o futebol mundial, a laranja mecânica de Rinus Michels será legada ao esquecimento. Senhoras e senhores, Scolari é gênio.
            Não demorou muito pro esquema palmeirense funcionar. Num cruzamento na área dos presuntinhos o Armero desvia a bola com o braço, inspirado talvez em seu conterrâneo Higuita, que deixou saudades e é autor da defesa mais sensacional de todos os tempos: o “Scorpion Kick”, técnica aprendida com Chuck Norris e Bruce Lee durante as gravações de Fist of Fury, ou algo assim. Filmão, recomendo. Tem o Bruce Lee, poxa.
            O fato é que o juiz corinthiano não viu a infração, devia estar amarrando a chuteira na hora. Sabia que o Roberto Carlos ia ser má influência pra equipe!
            Segue que dominamos os primeiro vinte minutos até fazer o gol, finalmente. Numa bela jogada de contra-ataque Jorge Henrique faz um golaço de letra. Tava um centímetro impedido, qualquer um viu, mas o juiz era nosso, toma essa! É nóis!
            Aí vem o tradicional apagão pós-gol...
            E, claro, o Todo-Poderoso deixa o adversário empatar. E olha que o juiz nem deu impedimento pra ajudar a gente, ele deve ter apagado junto com o resto do time.
            Aí veio o segundo tempo e o Palmeiras veio melhor. Fizeram três gols, o juiz anulou todos. Não importa que ele acertou todos os lances, ele era nosso e ponto final. A Rede Globo agradece a audiência e os operários do meu Brasil trabalham mais felizes na segunda-feira. Time de massa é isso, minha gente.
            O empate tava bom pra todo mundo, mas o Coringão é o time da virada. Num contra-ataque que seria mortal, Pablo Armero novamente mete o braço na bola, impedindo o gol alvinegro. E a partida acabou no 1 x 1 mesmo.
Scolari, parabéns. Esse teu esquema de dois goleiros funcionou com perfeição, não vejo a hora de todos adotarem essa brilhante filosofia de jogo.
            Já o esquema corinthiano de comprar os juízes mostrou não ser tão eficiente assim. É, antigamente tudo era mais fácil.

29 de jul. de 2010

Café com Leite: Polvo Profeta

Texto: Beto Almeida 
Foto: Reuters

Perguntei pro polvo Paul:
- Pode previsão?
- Pode. Porém, pergunta pertinente.
- Pra próxima partida, Poderoso prevalece?
- Pode postar: Palmeiras perde.
- Placar?
- Parco.
- Por quê?
- Porque porco pipoca. Pá!

26 de jul. de 2010

Café com Leite: Valeu, Mano!

Texto: Beto Almeida 
Foto: Joel Silva/Folhapress

É isso aí, o técnico Mano Menezes saiu do Corinthians para virar funcionário da Globo, ops, técnico da seleção brasileira. Tudo bem, cada um com suas escolhas, é normal cometer erros na vida.
Quem se deu bem nessa história foi Adilson Batista, ex-técnico do Cruzeiro, que passa a comandar a equipe alvinegra nesta terça-feira. Ele tem uma ação trabalhista contra o Timão da ordem de R$500 mil, legal saber que o Todo-Poderoso não leva isso em conta na hora de contratar seus profissionais, exemplo que deveria ser seguido por toda empresa neste país tropical e abençoado por Deus.
Taí: acho que o escrete corinthiano só tem a ganhar com o novo técnico. Gosto do estilo dele de querer jogar pra frente e mantendo a posse de bola. O Mano é bom técnico, ganhou a Copa do Brasil, Paulista, etc. e tal, mas bastava o time marcar um gol pra botar a equipe na retranca.
É Mano, teu ciclo no Timão acabou, obrigado.
E teu jogo de despedida foi ontem contra os campineiros do Guarani. Nada mais justo que encerrar tua história no Timão com uma vitória e o retorno à liderança do Campeonato Brasileiro, tchê.
Pois é galera, o Fluzinho do quase-técnico da seleção Muricy Ramalho pisou na bola e empatou com o Botafogo no Engenhão. Caiu pro segundo lugar. Merecido. Retomamos o que era nosso por direito e destino e as armas de Jorge.
Mas vamos falar do jogo com o Guarani, né? O Todo-Poderoso começou arrasador, logo no primeiro minuto abriu o marcador com um gol de Jorge Henrique. Alegria no Pacaembu que contava com trinta mil fiéis, entre eles minha amiga Karen Bachega, cuja presença deixou o espetáculo mais bonito.
O domínio do Corinthians foi tão avassalador nos primeiros vinte minutos que poderíamos ter matado a partida no primeiro tempo mesmo. Mas, não... O Timão sempre tem que deixar o adversário empatar o jogo, sabe, pra dar aquela emoção.
E o empate veio no segundo tempo com gol de Mazola aos dezoito minutos.
Pronto, assim que o Bugre conseguiu o empate o Corinthians acordou novamente. Daí que Dentinho foi expulso num lance onde cabia o cartão amarelo, o juizão pra compensar a besteira expulsou um do Guarani também. A regra é clara nesses casos.
Empurrado pela torcida, o time corinthiano chegou ao segundo gol numa cobrança de falta de Bruno César – o garoto joga muito e merece um lugar na nova seleção brasileira. Viu, Mano?
Só pra deixar tudo mais tranqüilo pro nosso lado, o sósia do Tevez fez mais um de cabeça, num cruzamento do Rei, Roberto Carlos. 3 x 1, pra fechar a conta e passar a régua, como dizem na padaria onde tomo meu café matinal e tardal.
Aí foi aquela festa, o Mano fazendo a volta olímpica com os jogadores e sendo ovacionado pela torcida. Valeu, Mano. Você mandou bem.

22 de jul. de 2010

Café com Leite: Duracell


Texto: Beto Almeida 
Fotos: UOL

            Caramba, o Corinthians não perde a mania de dar uma força pros lanternas, parece pilha alcalina. A secadeira dos torcedores rivais foi monstro e o Atlético Goianiense levou de 3 a 1 o jogo contra o Todo-Poderoso.

            Também, a tragédia já estava anunciada: a semana inteira a imprensa esportiva falando da provável ida de Mano Menezes para a seleção brasileira. Pô, o cara tava com a cabeça inchada de tanto blá-blá-blá, como ia se concentrar em dirigir o time nesta partida?

            Fato é que o Mais Querido começou melhor a partida, tocando a bola e jogando bonito. O alvinegro perdeu inúmeras chances de abrir o marcador, mesmo porque o time goiano não é o último colocado à toa.

            Aí me vai o Chicão querer sair jogando como se fosse o Falcão... Claro que perdeu a bola, possibilitando um contra-ataque (ainda tem hífen?) pro Atlético-GO. Júlio César derruba Rodrigo Tiui na área, é pênalti.

            Chicão – guarde esse nome, vai aparecer novamente no texto.

            Robston bate e marca pro Atlético.

            Beleza, é tradição sofrer, o coração agüenta, vamuquevamu, pra cima dos caras que tá fácil. E tava mesmo, conseguimos o empate logo depois numa bela trama do ataque corinthiano. Bruno César faz cruzamento que Danilo escora de cabeça para Iarley fuzilar para o gol. É noise.

            Danilo – guarde esse nome, vai aparecer novamente no texto.

            Acaba o primeiro tempo. Volto daqui a 15 minutos.

            Um...

            Dois...

            Três...

            Quatro...

Cinco...

Seis...

Sete...

Oito...

Nove...

Dez...

Onze...

Doze...

Treze...

Quatorze...

Quinze.

Beleza, tamu de volta e os dois times voltam pro segundo tempo. Quer dizer, só os goianos voltaram, porque o Todo-Poderoso parece que ficou no vestiário. A gente voltou jogando como se fosse o Santos. Ou o São Paulo. Ou, blargh!, o Palmeiras.

Lembra do Danilo? É aqui que volto a falar dele. Tá certo, o cara veio do Japão, tudo bem, o lugar é do outro lado do mundo. Mas ele é o maior caso já registrado de jetlag da história. A figura simplesmente ainda não acordou.

Daí que vai me cruzar uma bola pro outro lado do campo, chuta no juiz. É claro que perde ela na volta, contra-ataque dos goianos de novo, pegando nossa defesa desarrumada, pimba!, 2 x 1 e a segunda maior torcida do Brasil (a anti-corinthiana) comemora ensandecida.

É aquilo, corinthiano sofre e tal...

Bola pra frente, vamos virar a bagaça. Aqui é Coríntia!, já dizia um general grego, nas batalhas e no cinema também. Ou era algo parecido com isso.

Daí que Iarley é derrubado na área do adversário. O juiz marca o pênalti. É noise.

Lembra do Chicão? É aqui que volto a falar dele. Não satisfeito em ter feito a cagada no primeiro gol do Atlético, me atrasa a bola pro goleiro quando cobra o pênalti. Valeu.

Mano... Vaipra seleção. Quem é que coloca Chicão pra bater pênalti quando tem Roberto Carlos no time?

A segunda maior torcida do Brasil comemorou, e comemorou novamente quando o Atlético Goianiense fez o terceiro gol, encerrando a partida e acabando com a nossa invencibilidade. Enquanto isso, a maior torcida do Brasil ia dormir com a cabeça um pouco mais quente, nem tanto, talvez só uma coceirinha. A gente ainda é líder da bagaça, seus secadores dugarai!

Agora o Timão pega o Guarani no domingo, ou no sábado, sei lá. Mas não me arrisco a fazer previsões. Dá zica.

19 de jul. de 2010

Café com Leite: Invictus




           
Texto: Beto Almeida 
Fotos: UOL
    Issoaí galera, acabou a Copa do Mundo, tudo volta como dantes no quartel de Abrantes e a bola volta a rolar no Brasileirão, apelido carinhoso e aumentativo do Campeonato Brasileiro de Futebol.

    A volta do Timão aconteceu na noite de quarta-feira passada contra o Ceará lá em Fortaleza, por motivos de força maior e menor não pude escrever a coluna. Mas o jogo que terminou num empate de zeros dispensou comentários mesmo.

    Então falemos do jogo de ontem, que rolou no Pacaembu e cujo adversário foi, nada mais, nada menos, que o Atlético Mineiro, uai. O time dos comedores de queijo veio desfalcado de Diego Tardelli, artilheiro da equipe dirigida por Wanderley Luxemburgo. O que não quer dizer muita coisa, tanto o desfalque como o comandante da equipe.

    Logo antes de começar a partida percebe-se que a Copa 2010 me deixou marcas indeléveis no coração: a bola do Brasileirão é FEIA bagarai! Saudades da Jabulani, que todo mundo reclamava, mas era linda.

    Falando em beleza: Lari Riquelme, donde estás que me olvidaste?

    Ah, Copa do Mundo... Eu que não olvidei você. Nem da África do Sul, terra linda dum povo massacrado pelo apartheid, mancha na história da humanidade que sempre foi desumana com os carentes e oprimidos.

    E a África do Sul me faz lembrar do filme “Invictus”, dirigido por Clint Eastwood e com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela. O filme conta a história da seleção sul-africana de rúgbi que, logo após o fim do apartheid, venceu a Campeonato Mundial de forma invicta. Daí o nome do filme, é óbvio.

    Como é óbvio que escrevi todo esse intróito só pra dizer que o Todo-Poderoso é o único invicto do Brasileirão, aleluia! E sempre vencendo em casa, que beleza!

    É agora que recebo o prêmio Pulitzer por escrever uma matéria jornalística de forma tão original.

    Aprendam cronistas esportivos de cérebro mais diminuto que um polvo, aprendam colunistas e repórteres de revistas e jornais e Internet, é assim que se faz: tudo começa por ler vários e bons livros, seus babacas.

    Depois deste humilde conselho aos profissionais da imprensa nacional, zeladora do prédio onde moram a verdade e justiça verde-amarela, aquele prédio onde o carteiro nunca consegue achar o endereço, voltamos a falar do jogo.

    Que começou com um Corinthians arrasador, trocando passes tal qual a seleção espanhola: uma Fúria alvinegra. E foi assim que logo no primeiro minuto Dentinho sofre pênalti.

    Chicão, nosso capitão e batedor oficial de penalidades, chutou pra fora. Tá vendo como a Jabulani faz falta?

    Tudo bem, corintiano tem de sofrer mesmo, questão de DNA. E durante os primeiros 15 minutos do primeiro tempo, só deu a gente. Depois os mineirim até que igualaram as ações dentro de campo, mandaram uma bola no travessão num lance esquisito onde a bola feia bateu na coxa dum jogador atleticano e encobriu o goleiro.

    O primeiro tempo terminou assim.

    As duas equipes voltaram para o segundo tempo com mudanças: no Corinthians, Jorge Henrique substituiu Iarley, que estava devagar. No Atlético, Fabiano substituiu João Paulo, que sei lá.

    E tal qual no primeiro tempo o Todo-Poderoso se impõe na partida, com um toque de bola refinado e de muita movimentação, porém falhando muito nas finalizações. Bruno César era o destaque do match, chutando muito de fora da área. Tava na cara que o gol corintiano era só uma questão de tempo.

    Aos onze minutos Luxemburgo fez a alteração que iria determinar o resultado da partida: colocou Diego Souza em campo, no lugar de Neto Beirola. A entrada do pé-frio, o Mick Jagger do Parque Antártica, ex-jogador palmeirense, portanto, acostumado a derrotas, foi a chama que incendiou o ânimo alvinegro.

    E foi com Bruno César, num chute de longe que desviou num zagueiro do Galo, que o Timão abriu o marcador. Mais não precisava, seguramos o 1 x 0 até o final. Três pontinhos, liderança isolada e tal.

    Pra completar a alegria deste que te escreve, leitor, só o faz-me rir habitual que o desempenho dos rivais proporciona: o Verdinho é aquilo, leva o pau de sempre; o Tricocô ainda acha que Fernandão é craque; e Sardinha é bom de se comer na praia mesmo.

    Agora é pegar o lanterna em Goiás. Mais três pontos garantidos.           

2 de jul. de 2010

Café com Leite na Copa: Uruguai e Gana

Texto: Beto Almeida
Foto: Roberto Schmidt/AFP

Conheci Montevidéu tempos atrás, não me recordo o ano exato e não me importa. Eu era outro, minha vida era outra, tudo bem. Eu mudei, mas a capital uruguaia parece não ter essa capacidade - tudo lá parece antiquado. É como se a cidade recusasse ser corrompida pelos novos tempos, lá não há grandes edifícios envidraçados, sequer um engarrafamento. Na rua as pessoas não andam com pressa, mas com calma, e adoram tomar mate. Há lojas de mate por todos os cantos, e livrarias! Muitas livrarias, e parques. Tudo meio gasto pelo tempo. Se fosse definir Montevidéu me ocorre afirmar que é uma cidade que não tem medo de envelhecer. Aquela mulher madura, segura de si e da sua experiência, a face marcada por rugas que as tornam mais bela. Você acorda ao lado dela e sabe que a ama de verdade. Nada mais diferente de São Paulo, aquela coroa que faz lipo, botox e tem uma cara de plástico - você acorda ao lado dela e tem vontade de ir embora o mais rápido possível.

Por isso sou torcedor da Celeste - uma seleção que brilhou muito no passado e que parece não ter se adaptado ao futebol atual - de força física, eficiência tática, pragmático e profissional. Passaram por uma ditadura que dizimou uma geração, estavam atordoados demais para se dar conta que o mundo se tornou uma imensa Chinatown onde se vende de tudo, corações e mentes e um pedaço do Céu por 10% do salário de um homem comum ou de um astro do futebol. Questão de valores, e os uruguaios têm lá os deles.

Claro estava que a partida com Gana seria um épico trágico, o Uruguai é o Corinthians da Copa do Mundo. Seus torcedores iriam sofrer até o último minuto, são românticos. O futebol imita a vida, seus castigos e dores e alegrias. Tomaram o primeiro golpe, um gol de Muntari no fim do primeiro tempo - não desistiram. Voltaram com garra, dispostos a superar o revés. Conseguiram o empate e foram melhores durante todo o segundo tempo - mas não conseguiram a virada merecida, indo para a prorrogação. Haja nervos, coração bate mais forte, o sangue ruboriza em nossos rostos apreensivos.

E, no final da prorrogação, quando tudo parecia decidido, o golpe do destino: numa cabeçada dum jogador africano a bola que vai ao gol, impedida pela mão de um jogador de linha uruguaio num ato desesperado que pode ser a redenção de todo um país - um jogador que se dirige chorando ao vestiário, expulso de campo. O futebol também demanda seus mártires.

Mas o Destino quer que a vitória venha assim, cruel: o melhor jogador de Gana põe a bola na marca da cal, toma distância, corre e chuta - um petardo que explode no travessão, cuias de mate são jogadas aos ventos, gritos saem das gargantas, ainda há esperança. Aguante, Celeste!

Cinco jogadores de cada lado são escolhidos para o pelotão de fuzilamento - a tarefa mais inglória deste esporte, todos são vítimas da Sorte. Penâltis deviam ser cobrados por poetas. Eles compreendem mais as aflições humanas.

E os uruguaios, repito, são uns românticos... Antiquados, botaram o coração na ponta das chuteiras - expressão em desuso, que só eles diriam sem constragimento.

Venceram.