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12 de nov. de 2010

A HISTÓRIA DO GOL OLÍMPICO

Ainda empolgado com o gol olímpico de Marcos Assunção na partida em que o Palmeiras eliminou o Atlético MG e classificou-se para as semifinais da Copa Sulamericana, resolvi trazer para o Ferozes FC um texto sensacional e que conta a história acerca da origem do “GOL OLIMPICO”.

De autoria do grande Alexandre Aníbal, do ótimo site Futebol Portenho.

A história do gol olímpico

No dia 2 de outubro de 1924, mais de 30.000 pessoas testemunharam um feito que se transformou num marco do futebol argentino e mundial. Cesáreo Onzari, um ”interior” esquerdo que jogava no Huracán, marcou um gol diretamente da cobrança de um escanteio. Foi num amistoso entre Argentina e Uruguai, o então campeão olímpico. O gol inédito ficou marcado e, desde então, cada gol feito como "Onzari nos olímpicos" passou a ser denominado “gol olímpico” em toda a América e em alguns países da Europa.

O clássico do Rio da Prata teve sua importância ainda mais aumentada depois que o Uruguai conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris. Logo após a chegada dos uruguaios em sua terra natal, a Associação Uruguaia de Futebol organizou dois amistosos com a Argentina. O primeiro jogo foi realizado no dia 21 de setembro em Montevidéu e terminou empatado por 1 a 1. Uma semana depois, o segundo jogo foi disputado em Buenos Aires. O estádio do à época poderoso Sportivo Barracas tinha capacidade para 40.000 pessoas. No entanto, a expectativa gerada pela partida superou as expectativas e foram vendidos 42.000 ingressos. Com os convidados, sócios e afins, o número de presentes no estádio chegou a quase 60.000. Assim, o jogo começou com muita gente na beira da linha lateral. Com apenas quatro minutos de jogo, o árbitro da partida decidiu suspender a partida. Houve incidentes de violência e alguns feridos.

Uma nova partida foi marcada para o dia 2 de outubro, com algumas medidas de segurança. Entre elas, cercar o campo com um alambrado de um metro e meio de altura, diminuir a quantidade de ingressos à venda e aumentar o preço das entradas. Com isso, o público estimado ficou em 30.000 pessoas.


Onzari anotou o mítico gol aos 15 minutos do primeiro tempo. Cea empatou para os uruguaios aos 29 e Tarasconi fez o segundo para os argentinos aos oito minutos do segundo tempo. A Argentina ganhou por 2 a 1, mas o jogo não acabou porque a equipe uruguaia se retirou do campo faltando quatro minutos para o término da partida. Os argentinos acusaram os uruguaios de jogo violento, do qual foi vítima Adolfo Celli, que sofreu uma fratura na tíbia e na fíbula. Os uruguaios também reclamaram, mas da falta de educação do público presente no estádio, que atirou pedras e garrafas nos jogadores. O uruguaio Héctor Scarone deu um chute num policial e foi parar na delegacia.

O curioso nessa história é que até junho daquele ano não eram permitidos gols marcados diretamente da cobrança de escanteio. A regra foi modificada pela International Board, órgão que define as regras do futebol, no dia 14 de junho de 1924. E segundo relatado pelo árbitro da partida, a mudança na regra ainda não chegara ao conhecimento da Associação Uruguaia. No entanto, um jornal da época assinalou que a mudança já era conhecida há 15 dias pelos dirigentes do futebol argentino. Portanto, o gol foi validado sem que o árbitro conhecesse a mudança na regra.
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Alexandre Anibal é radialista, faz pós-graduação em Jornalismo Esportivo pela FMU e é locutor esportivo do site STI Esporte (www.stiesporte.com.br). Acompanha o futebol argentino desde os tempos de Roberto Pétri na Jovem Pan TV, é membro do Memofut brasileiro (Grupo de Literatura e Memória do Futebol) e CIHF argentino (www.cihf.org.ar) e já escreveu para os sites Trivela e Distintivos.com.br.
Site Futebol Portenho
www.futebolportenho.com.br

2 de jul. de 2010

Café com Leite na Copa: Uruguai e Gana

Texto: Beto Almeida
Foto: Roberto Schmidt/AFP

Conheci Montevidéu tempos atrás, não me recordo o ano exato e não me importa. Eu era outro, minha vida era outra, tudo bem. Eu mudei, mas a capital uruguaia parece não ter essa capacidade - tudo lá parece antiquado. É como se a cidade recusasse ser corrompida pelos novos tempos, lá não há grandes edifícios envidraçados, sequer um engarrafamento. Na rua as pessoas não andam com pressa, mas com calma, e adoram tomar mate. Há lojas de mate por todos os cantos, e livrarias! Muitas livrarias, e parques. Tudo meio gasto pelo tempo. Se fosse definir Montevidéu me ocorre afirmar que é uma cidade que não tem medo de envelhecer. Aquela mulher madura, segura de si e da sua experiência, a face marcada por rugas que as tornam mais bela. Você acorda ao lado dela e sabe que a ama de verdade. Nada mais diferente de São Paulo, aquela coroa que faz lipo, botox e tem uma cara de plástico - você acorda ao lado dela e tem vontade de ir embora o mais rápido possível.

Por isso sou torcedor da Celeste - uma seleção que brilhou muito no passado e que parece não ter se adaptado ao futebol atual - de força física, eficiência tática, pragmático e profissional. Passaram por uma ditadura que dizimou uma geração, estavam atordoados demais para se dar conta que o mundo se tornou uma imensa Chinatown onde se vende de tudo, corações e mentes e um pedaço do Céu por 10% do salário de um homem comum ou de um astro do futebol. Questão de valores, e os uruguaios têm lá os deles.

Claro estava que a partida com Gana seria um épico trágico, o Uruguai é o Corinthians da Copa do Mundo. Seus torcedores iriam sofrer até o último minuto, são românticos. O futebol imita a vida, seus castigos e dores e alegrias. Tomaram o primeiro golpe, um gol de Muntari no fim do primeiro tempo - não desistiram. Voltaram com garra, dispostos a superar o revés. Conseguiram o empate e foram melhores durante todo o segundo tempo - mas não conseguiram a virada merecida, indo para a prorrogação. Haja nervos, coração bate mais forte, o sangue ruboriza em nossos rostos apreensivos.

E, no final da prorrogação, quando tudo parecia decidido, o golpe do destino: numa cabeçada dum jogador africano a bola que vai ao gol, impedida pela mão de um jogador de linha uruguaio num ato desesperado que pode ser a redenção de todo um país - um jogador que se dirige chorando ao vestiário, expulso de campo. O futebol também demanda seus mártires.

Mas o Destino quer que a vitória venha assim, cruel: o melhor jogador de Gana põe a bola na marca da cal, toma distância, corre e chuta - um petardo que explode no travessão, cuias de mate são jogadas aos ventos, gritos saem das gargantas, ainda há esperança. Aguante, Celeste!

Cinco jogadores de cada lado são escolhidos para o pelotão de fuzilamento - a tarefa mais inglória deste esporte, todos são vítimas da Sorte. Penâltis deviam ser cobrados por poetas. Eles compreendem mais as aflições humanas.

E os uruguaios, repito, são uns românticos... Antiquados, botaram o coração na ponta das chuteiras - expressão em desuso, que só eles diriam sem constragimento.

Venceram.