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18 de nov. de 2010

BOLA PERDIDA - MESSI 1 X 0 BRASIL


Texto: Leandro A. C. Rosa

Corram para as colinas, ferozes! Bola Perdida pode pingar em qualquer lugar, até no Catar. Neste espaço trataremos de futebol internacional e tudo que rola no planeta bola, dentre outros chavões e clichês marotos.

Mas não se engane, ó sagaz leitor! O título da coluna não é em homenagem ao lance capital da pelada disputada em Doha, quando Douglas, o Botequeiro, fez MM relembrar o Corinthians de 2009 e soltar um sonoro "-VAI TOMAR NO C..., DOUGLAS!", em lance capital que originou o golaço de Messi.

O gol, porém, é só um detalhe, como já disse Kiko Parreira. Ao meu entender, o escrete canarinho apresentou mais volume, e mostrou uma defesa sólida e variações interessantes. Não saiu vencedor pois sentiu demais a falta de um autêntico camisa 9.
O clássico estava cercado de espectativas acerca do retorno de Ronaldinho Gaúcho ao time da CBF. E o dentuço mandou bem. Manteve o nível de suas atuações no Milan, e distribuiu o jogo para um time que não soube o que fazer com ela.
Infelizmente, ainda somos obrigados a ouvir e ler que "Ronaldinho não mostrou o futebol que dele se espera". Quando é que vão entender que Gaúcho nunca mais vai repetir seu futebol alienígena dos áureos tempos? Na temporada 2005/2006, ele fez coisas inimagináveis, exibições exuberantes que o credenciaram como melhor do mundo por duas vezes, e considerado o melhor jogador da década. Cristiano Ronaldo e Messi jogam demais, mas Ronaldinho era outra coisa. Ontem, cinco anos depois do auge, é evidente o declínio técnico e físico do trintão. Comparar sua atuação à do diez argentino é covardia. Ainda sim, continua sendo um dos melhores jogadores do mundo, na minha opinião. E tem lugar na seleção sim, nem que seja para passar o bastão a Ganso, que apesar de estilo mais clássico, é seu herdeiro natural na Seléça.

Individualidades a parte, jogo foi bem jogado no começo e bem pegado no final.
Mano Menezes já montou sua equipe ao sei jeito, com defesa compacta e tendo as laterais como opção ofensiva. Daniel Alves jogou (joga) muito, André Santos é bom jogador. Lucas e Elias foram bem, Ramires um pouco abaixo mas sem comprometer. Neymar, sacrificado no ataque, precisa parar de se jogar, e jogar. Robinho é uma enganação, como sempre. Como capitão, é um afronte. No jogo de ontem, atrapalhou o ataque e não ajudou a defesa. Mas tem muita moral com a CBF, sabe-se lá porque.

Enfim amigos, um programa agradável para uma tarde de quarta-feira, mais um treino para a renovada seleção, nada mais que isso. Próximo compromisso só ano que vem, contra a França. Nós acompanharemos pela TV. O Douglas também.


Em homenagem aos hermanos, a melhor banda de stoner rock da Argentina, quiçá do mundo: Los Natas - Meteoro

12 de nov. de 2010

A HISTÓRIA DO GOL OLÍMPICO

Ainda empolgado com o gol olímpico de Marcos Assunção na partida em que o Palmeiras eliminou o Atlético MG e classificou-se para as semifinais da Copa Sulamericana, resolvi trazer para o Ferozes FC um texto sensacional e que conta a história acerca da origem do “GOL OLIMPICO”.

De autoria do grande Alexandre Aníbal, do ótimo site Futebol Portenho.

A história do gol olímpico

No dia 2 de outubro de 1924, mais de 30.000 pessoas testemunharam um feito que se transformou num marco do futebol argentino e mundial. Cesáreo Onzari, um ”interior” esquerdo que jogava no Huracán, marcou um gol diretamente da cobrança de um escanteio. Foi num amistoso entre Argentina e Uruguai, o então campeão olímpico. O gol inédito ficou marcado e, desde então, cada gol feito como "Onzari nos olímpicos" passou a ser denominado “gol olímpico” em toda a América e em alguns países da Europa.

O clássico do Rio da Prata teve sua importância ainda mais aumentada depois que o Uruguai conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris. Logo após a chegada dos uruguaios em sua terra natal, a Associação Uruguaia de Futebol organizou dois amistosos com a Argentina. O primeiro jogo foi realizado no dia 21 de setembro em Montevidéu e terminou empatado por 1 a 1. Uma semana depois, o segundo jogo foi disputado em Buenos Aires. O estádio do à época poderoso Sportivo Barracas tinha capacidade para 40.000 pessoas. No entanto, a expectativa gerada pela partida superou as expectativas e foram vendidos 42.000 ingressos. Com os convidados, sócios e afins, o número de presentes no estádio chegou a quase 60.000. Assim, o jogo começou com muita gente na beira da linha lateral. Com apenas quatro minutos de jogo, o árbitro da partida decidiu suspender a partida. Houve incidentes de violência e alguns feridos.

Uma nova partida foi marcada para o dia 2 de outubro, com algumas medidas de segurança. Entre elas, cercar o campo com um alambrado de um metro e meio de altura, diminuir a quantidade de ingressos à venda e aumentar o preço das entradas. Com isso, o público estimado ficou em 30.000 pessoas.


Onzari anotou o mítico gol aos 15 minutos do primeiro tempo. Cea empatou para os uruguaios aos 29 e Tarasconi fez o segundo para os argentinos aos oito minutos do segundo tempo. A Argentina ganhou por 2 a 1, mas o jogo não acabou porque a equipe uruguaia se retirou do campo faltando quatro minutos para o término da partida. Os argentinos acusaram os uruguaios de jogo violento, do qual foi vítima Adolfo Celli, que sofreu uma fratura na tíbia e na fíbula. Os uruguaios também reclamaram, mas da falta de educação do público presente no estádio, que atirou pedras e garrafas nos jogadores. O uruguaio Héctor Scarone deu um chute num policial e foi parar na delegacia.

O curioso nessa história é que até junho daquele ano não eram permitidos gols marcados diretamente da cobrança de escanteio. A regra foi modificada pela International Board, órgão que define as regras do futebol, no dia 14 de junho de 1924. E segundo relatado pelo árbitro da partida, a mudança na regra ainda não chegara ao conhecimento da Associação Uruguaia. No entanto, um jornal da época assinalou que a mudança já era conhecida há 15 dias pelos dirigentes do futebol argentino. Portanto, o gol foi validado sem que o árbitro conhecesse a mudança na regra.
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Alexandre Anibal é radialista, faz pós-graduação em Jornalismo Esportivo pela FMU e é locutor esportivo do site STI Esporte (www.stiesporte.com.br). Acompanha o futebol argentino desde os tempos de Roberto Pétri na Jovem Pan TV, é membro do Memofut brasileiro (Grupo de Literatura e Memória do Futebol) e CIHF argentino (www.cihf.org.ar) e já escreveu para os sites Trivela e Distintivos.com.br.
Site Futebol Portenho
www.futebolportenho.com.br

5 de jul. de 2010

Chulipa na Copa - O ultimo tango na Africa!


Da alegria de ver seu maior rival se despedir da copa a tristeza total de ser a vitima demolida e humilhada no dia seguinte!

Essa foi a melhor forma de descrever o que foi a copa para a Argentina!

Foram 4 facadas nos 90 minutos de jogo no coração do falante, idolo e segundo (quiçá terceiro) melhor jogador do mundo, tambem conhecido como técnico da Argentina Diego Armando Maradona!

Os hermanos nem tiveram muito tempo pra desenvolver sua estratégia de jogo, logo aos 3 minutos Thomas Müller marca o primeiro de cabeça numa cobrança de falta perfeita de Schweinsteiger, começa o açoite!



A Argentina se mostra viva, porém isso não é revertido em gols, a Alemanha se mostra segura no seu campo de defesa, a impressão que dá é aquela que a partida pode durar 20 horas seguidas e mesmo assim, sua meta não sera vencida, e a partida vai pro segundo tempo!

Como fez com a Inglaterra nas quartas a Alemanha se utiliza do mesmo plano, e assim se foi, Argentina pra frente e gol da Alemanha no contra ataque mortal, gol de Klose, e assim seguiu ate o fim! Friedrich e Klose de novo (estando a apenas 1 de Ronaldo pra igualar a marca de maior artilheiro em copas) fecharam o espetáculo alemão!

Mais uma vez a Argentina foi eliminada pela Alemanha, e estes por sua vez, vão para mais uma semi-final!

Brasil e Argentina que apostaram na tentativa de ex-campeões mundiais como técnicos pagaram caro, eliminados nas quartas de finais, um de virada e outro esculachado, precisam urgentemente rever seus conceitos, abaixar a crista e na humildade começar um novo e descente trabalho!



Aos Alemães, se orgulhem de ter uma jovem e talentosissíma seleção! Jogando esse bolão acho dificil perderem esse titulo! Mas antes tem um reencontro com a Espanha nas semis, uma espécie de revanche da ultima final da Euro Copa! Mais um jogo imperdivel, mais um degrau complicado para esse incrivel time germânico!

Quem será que vai botar agua nesse chope?



Fotos: ESPN e Gazeta Esportiva

17 de jun. de 2010

Chazinho de Coca - A Argentina jogou, venceu e convenceu.


Texto: João Paulo Tozo
Foto: Reuters


Contra a outra das Coréias da Copa - a boa (na bola) Coréia – os hermanos partiram logo para o abafa. Com 20 minutos já venciam por 1X0 e criavam chances em sequencia. Os sul-coreanos perdidos, ante a volúpia ofensiva do time de Maradona, não conseguiam organizar-se em campo.

Aos 33 Higuain marcou o seu 1º, em desvio de cabeça de Burdisso, que encontrou o inspirado atacante livre.

Com dois na lomba, os coreanos acordaram, mas só chegaram ao gol em uma falha bisonha do zagueiro Demichellis – zaga, aliás, que é o único ponto de interrogação dessa Argentina até o momento.

No 2º tempo o jogo deu uma esfriada e a Coréia chegou a ameaçar. Até que Yeum Ki-Hum perdeu um gol na cara de Romero. Acabou ali o ímpeto coreano.

Messi ligou a tomada novamente e em grande jogada chutou na trave, no rebote Higuaín recebeu livre - e em impedimento – e guardou o seu 2º tento.

Fatura liquidada, volúpia não saciada.

Os hermanos mantiveram-se no ataque e em mais um grande lance de Messi, o craque deu um passe por cima da zaga e encontrou Aguero, que por sua vez deixou para Higuaín marcar o seu 3º gol, o quarto da Argentina.

Gol que o deixa na artilharia da Copa. Que deixa a classificação argentina muito bem encaminhada. Que deixa o mundo de olho na seleção dos caras.

O próximo jogo é contra a fraca Grécia. Curiosamente a seleção que levou o último gol do gênio Maradona em uma Copa do mundo, em 1994. Um golaço, diga-se de passagem e para variar. Reveja:



A impressão deixada nesse jogo é que a Argentina deixou de ser um selecionado de ótimos jogadores e passou a ser uma equipe forte e formada por esses excelentes jogadores.

De repente Maradona tornou-se, enfim, um técnico de futebol. Será canonizado vivo se for campeão também como técnico.

Falando nos hermanitos e em seu belo jogo, deu vontade de escutar um clássico dos nossos vizinhos. Fiquem com Carlos Gardel – Por Una Cabeza:


Cheers,

8 de set. de 2009

Seleção Chulipa - Valew Dunga!


Era tanta a certeza que a Argentina venceria o Brasil em Rosário, Tevez dizia que iria engolir os jogadores do Brasil, Maradona dizia que os jogadores argentinos eram muito melhores, e não deu outra, 3 a 1 Brasil, com direito a gol de placa de Luis Fabiano e Káka (sim, o gol foi dos dois, hehe).

E escrevo essa nota com todo o prazer que essa rivalidade merece, claro que a Argentina não vai ficar fora da copa, apesar do péssimo momento que vive seu futebol, isso não deve acontecer para o bem do mundial!

Ou não seria mais gostoso ainda eliminar eles num possivel encontro na Africa do Sul?

A verdade é que o Dunga tão criticado (por mim inclusive) vem fazendo um trabalho exemplar, diferente do técnico argentino, e está devolvendo com juros tudo que ouve desde a fatídica desclacificação da copa de 90, onde carrega consigo todo o peso daquele jogo! Hoje a seleção é um time, que se acostumou a atuar junto, é um time de pegada forte, onde é dificil ser vencido ate quando joga mal, e é sim, com toda certeza o maior favorito pra faturar o título.

Obrigado Dunga! Por resgatar o orgulho do brasileiro com sua seleção!

10 de jun. de 2009

As diferentes formas de treinamento das seleções.

A característica do futebol de cada país parece ditar as técnicas aplicadas nos treinamentos de seus selecionados.

Acompanhem um treinamento da seleção brasileira:



E agora um pouco do treino de nossos hermanos argentinos:



Tá explicado os 5X2 no placar mundial.

2 de abr. de 2009

Uma facada no coração de Dieguito a cada gol boliviano.

– É ridículo que queiram tirar da Bolívia a possibilidade de jogar na sua terra. Parece-me vergonhoso, porque não faz sentido. Aqueles que hoje vetam a Bolívia, seguramente nunca correram atrás de uma bola – afirmou certa vez Maradona, em visita ao presidente boliviano Evo Morales.

HAHAHAHAHAHA, só rindo mesmo. Depois de ver que os 6X1 que os bolivianos aplicaram sobre a seleção argentina não era uma piada de 1º de abril, mas sim uma doce realidade, a memória me trouxe a tona essa declaração destacada logo acima, dita pelo atual técnico argentino, na ocasião em que a FIFA cogitou vetar jogos em locais com mais de 2750m de altitude.

Não sei se a declaração foi de coração, não se foi politicagem, sei lá o que foi, mas o fato é que com toda certeza, a cada gol boliviano, Maradona sentia uma dolorida facada em seu pobre coração.

Com ou sem altitude, não existem desculpas para uma humilhação desse tamanho. Empatar com a mesma Bolívia em casa como fez o Brasil é feio, patético até, mas não passa nem perto disso.

Alitude à parte, os jogadores bolivianos entraram motivados pela proposta de uma emissora de TV local, que ofereceu 11 mil dólares para cada gol marcado pela Bolívia contra a seleção de Maradona - fizeram uma pequena fortuna.

Os pobres argentinos tem então onde arrumar desculpa. Já que a da altitude não pega mais.

1 de abr. de 2009

Olé hermanos !!!



Bolivia 6 x 1 Argentina


26 de jun. de 2008

La Mano de Dios - Há 30 anos...


Há 30 anos...

Meus amigos, republico abaixo artigo do sociólogo argentino Sergio Levinsky sobre a Copa de 1978 na Argentina, que ontem comemorou (?) 30 anos. Peguei esse texto no blog do Juca Kfouri (http://blogdojuca.blog.uol.com.br/). Creio que o grande Juca não ficará zangado, assim como acredito que a grande maioria de vocês se dará ao trabalho de ler em espanhol esse belo texto.

30 anos da Copa na Argentina

Por SERGIO LEVINSKY*

Pasaron ya treinta años de aquel Mundial 1978 que le tocó organizar a la Argentina, y el ejercicio de la memoria para todos aquellos que hemos vivido en el país en esos días negros nos debe permitir reflexionar desde aquel contexto de muerte y censura que nos envolvía, para comprender que acaso junto a los Juegos Olímpicos de 1936, en el Berlín nazi de Adolf Hitler, fue el mayor intento de manipulación social que se conozca a partir de un hecho deportivo.

La dictadura militar que asoló al país entre 1976 y 1983, desde el mismo 24 de marzo del nefasto golpe al gobierno de María Estela Martínez de Perón, supo desde el primer instante que el fútbol ocuparía un lugar fundamental en el devenir de los años con su poder, porque su manipulación la ayudaría a perdurar y para poder cometer la masacre más grande que se recuerde entre argentinos, con un saldo de 30.000 desaparecidos, y 42.000 millones de dólares de una deuda externa que cuando asumió, apenas si estaba en los 8000.

Así fue que en medio de las marchas militares en la cadena nacional, se pudo ver el partido amistoso que la selección argentina jugaría en Chorzow, Polonia, ante el equipo local, por el Canal 7, o que también la primera reunión militar tuvo un duro debate entre la Marina y el Ejército para determinar cuál de las fuerzas se quedaría con el fútbol.

Al cabo, la Marina consolidaría su poder, quedándose con el correr de los meses con el Ente Autárquico Mundial 78 (EAM 78), una vez que fuera asesinado el general (elegido en tiempos democráticos) Omar Actis, cuando el dictador Jorge Rafael Videla intentó desviar como un crimen cometido por los Montoneros cuando está comprobado que fue un hecho provocado por la interna de ambas fuerzas armadas. En el libro que lleva como sugestivo título "Almirante Lacoste, ¿quién mató al general Actis?", Eugenio Méndez demuestra cómo el procedimiento de ese asesinato no tenía ninguna relación con la guerrilla urbana.

A partir de ese momento, y ya con el ex contraalmirante Lacoste en el poder del EAM 78 como vicepresidente detrás del general Antonio Merlo, comenzó a fraguarse lo más duro de la organización del Mundial 78, y hasta varios testigos indican que la nueva conducción de la AFA, con Alfredo Cantilo como mandatario, fue "sugerida" a punta de pistola, y con todos los dirigentes levantando la mano sin chistar.

Ese Mundial se jugó con tantas irregularidades deportivas y políticas, que este artículo no alcanzaría a contar ni si tuviera el espacio de todo el periódico de hoy, pero de sólo pensar que a escasas cuadras del estadio Monumental, en el que los hinchas argentinos festejaban cada gol de la selección de César Luis Menotti, se torturaba gente en la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA) ya eso solo significaba un escándalo internacional, aunque todo estuvo tapado por la censura mediática y los argentinos no tuvieron acceso a la información veraz de lo que ocurría, aunque en el exterior tanto argentinos como extranjeros intentaron organizar distintas acciones que en el país fueron tachadas de "campaña antiargentina".
Desde jugadores de importantes seleccionados que se negaron a venir al país y los que intentaron acercarse a las Madres de Plaza de Mayo (como el arquero sueco Hellstrom), desde recomendaciones de embajadas en la Argentina para que periodistas de muchos países no asistieran, hasta aquellos cronistas que tenían que escribir sus notas en códigos (por ejemplo, este periodista pudo dialogar en Ámsterdam con un enviado al Mundial que justamente trabajó en Mendoza y que para pasar la censura colocaba nombres de jugadores holandeses para referirse a Videla, Massera, Agosti o Lacoste), hasta rumores de doping y de partidos arreglados, y hasta un atentado en la casa de Juan Alemann, economista conservador, pero crítico de la organización del Mundial, justo con el cuarto gol de Argentina a Perú, todo fue irregular, y todo da para seguir intentando investigar los hechos, no dejarlos pasar.

La aparición de un nuevo libro en Colombia ("El hijo del ajedrecista II", de Fernando Rodríguez Mondragón), que revela cómo se habría comprado el partido ante Perú por parte de miembros del EAM 78 en una reunión en Colombia, el propio ingreso de Videla al vestuario peruano en Rosario antes de ese partido decisivo, son otros condimentos, como el que una vez contó también a este cronista el notable periodista, ya fallecido, José María Suárez, "Walter Clos". Un día en la esquina de la AFA, Suárez tomaba café con un ex dirigente de San Lorenzo, y al preguntarle con sorna "para cuándo el monumento a los campeones del mundo", aquél respondió indignado: "ah, si, ¿y a nosotros, qué? ¿o quiénes cambiaban los frasquitos del antidoping?".

Pero más allá de preguntas sin respuestas en el terreno deportivo, el Mundial 78 y su enorme manipulación sirvió para que la dictadura continuara, para transmitir al exterior imágenes de un país "alegre" y que nada parecía saber ni ocurrir en cuanto a violaciones de Derechos Humanos. Por ese tiempo, según aquel slogan, fuimos derechos y humanos, mientras, desesperados, cientos de miles de familiares buscaban a sus seres queridos, no sólo sin poder encontrarlos, sino que aquellos que debían darles respuestas eran los mismos que se los habían llevado. Como bien caracterizó Eduardo Luis Duhalde, secretario de Derechos Humanos del actual gobierno, se trató del "Estado terrorista argentino".

Fue cuando la pelota se lo tragó todo, como dice León Gieco en su sabia canción sobre la memoria.

Pasaron 30 años, y más allá de aquella gran final en la que la selección argentina levantó la Copa del Mundo por primera vez, con los asesinos levantando el pulgar en un palco ensangrentado, y a un muy buen equipo que no por eso dejó de desplegar un gran fútbol, quedan muchísimos temas para seguir reflexionando, analizando e investigando, para que todo lo que allí ocurrió no quede impune.

http://sergiol-nimasnimenos.blogspot.com/

*Sergio Levinsky é jornalista e sociólogo argentino.