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21 de dez. de 2009

Do blog do Juca Kfouri - Quem com ferro fere...



Embora a alegação do jogador e de seus procuradores seja a de que o São Paulo alterou o seu contrato sem aviso prévio e que nas novas bases o jogador sairia lesado, a real é que essa história ainda está bem nebulosa.

Parece também que Kia já tem articulada uma transferência de Oscar para algum grande europeu.

Especulações a parte, o Juca Kfouri aponta para um fato interessante e pertinente nessa história toda. Segue

Do blog do Juca Kfouri - Quem com ferro fere...

...ou pimenta no olho dos outros é refresco.

Escolha o adágio, qualquer um dos dois serve, mas a pergunta é:

E o Oscar vai para?

Não se sabe.

Sabe-se que no São Paulo ele não quer ficar, tanto que conseguiu sua liberação na Justiça do Trabalho.

Ao que tudo indica, seus representantes (Kia Joorabchian entre eles?) se aproveitaram de um vacilo no contrato do clube com o jogador, exatamente como já fez o São Paulo com outros atletas.

Escolha o ditado.

Só não vale aquele do ladrão que rouba ladrão, porque não é o caso.
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Em tempo: Oscar diz que foi intimidado por dirigente do São Paulo; ouça mensagem no celular

Na última sexta-feira, o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, deixou na caixa postal do meio-campista Oscar, 18, um recado que deve ser usado na ação que o atleta move contra o clube.
O meia conseguiu na Justiça do Trabalho liminar livrando-o do vínculo com o São Paulo, como revelou a Folha.

"Oscar, é o Marco Aurélio, você sabe o tanto que eu gosto de você. Eu acho que esse caminho foi horrível, esse caminho escolhido, e não será fácil. O São Paulo é muito forte. Acho que foi um erro estratégico imenso, e eu espero que você não tenha permitido porque ainda dá para reverter. Com certeza sua vida vai ficar difícil, porque a força jurídica do São Paulo [é grande] e os argumentos colocados são muito ruins e a força do São Paulo é muito grande. Me liga pra eu te orientar, meu filho, eu não quero você passe o que você vai passar. Me liga", declarou Marco Aurélio na mensagem.

Ontem, o superintendente classificou a mensagem como "afetuosa" e reclamou da equipe que assessora o jogador. "Não tenho dúvida de que iriam usar isso [a mensagem] de má-fé", falou ele, ressaltando que o verdadeiro interesse do agente de Oscar, Giuliano Bertolucci, é obter do São Paulo participação nos direitos do jogador.

"Eles são piratas somalis do futebol. Se o São Paulo perder isso, tem que fechar o futebol", disse o dirigente são-paulino.

A diretoria crê que a estratégia das pessoas que cuidam da carreira do atleta é minar sua relação com a torcida. Assim, não teria mais clima para ficar.

Para conceder a liminar que livrou Oscar do vínculo até 2012, a juíza da 40ª Vara do Trabalho Eumara Nogueira Borges Lyra Pimenta aceitou argumentação do advogado do atleta, André Ribeiro, de que o acordo só beneficiava o clube.

A defesa alega que o jogador, ainda com 16 anos, foi obrigado pelo São Paulo a se emancipar e a assinar contrato de cinco anos. Nesta idade, a Fifa permite acordos de no máximo três.

Além disso, conta o advogado, o clube aumentou a multa rescisória de US$ 40 milhões para 40 milhões de euros e não subiu o salário de atleta no mês de setembro de cada ano, como previsto --isso passou a ser feito a partir de janeiro de 2008.

Independentemente da disputa jurídica, Oscar não volta ao São Paulo em janeiro. Estará com a seleção sub-20.

"Estou em lua de mel, desempregado e, como a família aumentou, preciso procurar outro clube para jogar", contou ele, rapidamente, um dia após se casar na cidade de Americana, onde vivem seus familiares.

Ouça a mensagem que Marco Aurélio Cunha deixou na caixa-postal de Oscar:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u669623.shtml

24 de jun. de 2009

La Mano de Dios - Copa 2014 e a novela Morumbi

Copa 2014 e a novela Morumbi

Direto do blog do Juca Kfouri:

Morumbi, o pomo da discórdia

O presidente Lula visitou o Morumbi ontem à noite.

E diante de não poucas testemunhas, virou-se para o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, e ralhou:

"Diga ao Ricardo para parar de falar merda. É preciso abaixar a crista dele. O Morumbi é o estádio de São Paulo para a Copa do Mundo".

O Ricardo, no caso, é esse mesmo que você pensou, o Teixeira, presidente da CBF.

Com quem o presidente da República anda meio desgostoso desde que Manaus foi escolhida em lugar de Belém.

Mas se Lula quer o Morumbi, não é só Ricardo Teixeira que não o quer.

O presidente da FPF não quer e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab tem outra opção, a mesma de um grupo de empreiteiros e do presidente da FPF, Marco Polo Del Nero: o estádio em Pirituba, parte de uma grande obra com centro de exposições, edifícios residenciais etc.

Que depois seria utilizado pelo Corinthians, mesmo que seu presidente, Andrés Sanchez, subitamente, tenha ontem dito que apóia o Morumbi.

Coisa só para Lula ver.
(Fonte foto: http://esporte.ig.com.br/futebol/2009/06/23/em+campanha+por+copa+2014+sao+paulo+recebe+lula+no+morumbi+6912911.html)

17 de dez. de 2008

O presidente do Flu envergonhou sua gente

"A minha paixão antiga, que a mulher dele não saiba, é o René. Esse namoro existe desde 2004, quando ele foi treinar as meninas lá em Atenas", disse o presidente do Fluminense, Roberto Horcades, que também é médico, cardiologista.

Até aí uma declaração de amor ao técnico René Simões, sem preconceitos, como se lê.

Mas complementada por outra, abaixo da crítica, melhor exemplo do que há de pior no machismo:

"Ele conseguiu fazer com que as mulheres, com dois neurônios, fossem vice campeãs olímpicas", arrematou o cartola.

Nelson Rodrigues se revirou no túmulo porque nem a grã-fina de nariz de cadáver, que perguntava quem era a bola, merecia semelhante grosseria.

Mario Lago teve certeza de que o cartola jamais conheceu Amélia, a que era mulher de verdade.

Chico Buarque de Hollanda corou e pediu desculpas às suas mulheres de Atenas.

Jô Soares, sem querer interromper, mas já interrompendo, mandou rodar o reloginho e não voltou mais.

Ivan Lins pediu a Dinorah para ignorar, fazer de conta que não ouviu.

E Arthur Moreira Lima sentou-se ao piano e tocou, constrangido, Macho Man... Definitivamente, o Fluminense já foi mais fino e muito mais inteligente.


Fonte: BLOG DO JUCA http://blogdojuca.blog.uol.com.br/

9 de dez. de 2008

Tri/hexa em terra de cegos

Confira abaixo a coluna do Juca Kfouri, publicada na Folha de São Paulo de ontem (08/12):

JUCA KFOURI

Tri/hexa em terra de cegos


A nova conquista do São Paulo apenas reforça uma superioridade histórica que faz a hegemonia tricolor

NEM A rocambolesca história da FPF com a CBF evitou o título são-paulino.
Em 38 campeonatos brasileiros, o São Paulo ganhou seis, como ninguém, três seguidos, inédito também. Quase 1/6 dos títulos num país que tem, pelo menos, mais 11 clubes que, em tese, poderiam disputar a hegemonia com o do Morumbi. Poderiam. Alguém dirá que Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Vasco não estão assim tão distantes, cinco ou quatro vezes campeões.

E quem disser se esquecerá que às inéditas conquistas de ontem devem se somar outras tão exclusivas como os tricampeonatos mundiais e continentais e que Corinthians, Palmeiras e Vasco até caíram.

E, para quem quiser argumentar que de título mundial, oficialmente, foi apenas um, devolva-se o argumento de que aqui se reconhece o pentacampeonato brasileiro rubro-negro da mesma forma que todos os Mundiais anteriores à participação formal da Fifa.

Coerência que, por sinal, falta à direção do São Paulo, cuja maior qualidade está em ter, ao menos, um olho, quando a falta de visão é a marca registrada de seus concorrentes próximos ou mais distantes.

Porque tanto não há nada de extraordinário como modelo de gestão no São Paulo que até agora sua diretoria não foi capaz de atender à mais banal de suas obrigações, a com seus clientes, que, em regra, padecem, como padeceram em 2008, para simplesmente comprar um ingresso. E olha que neste ano o são-paulino foi pouco ao Morumtri.

Se é inegável que a cartolagem tricolor é a que está mais perto de fazer o óbvio, ao ter o estádio que tem, os centros de treinamento e de recuperação de atletas que tem, a política de manutenção dos técnicos e das comissões técnicas que tem, não é menos verdade que a campanha pelo sócio-torcedor está muito aquém do que já se obteve no Inter.

Não será demais lembrar, ainda, que até mesmo a postura oposicionista nas eleições da CBF já faz parte do passado, porque hoje estão todos alegremente no mesmo barco, guardada a posição crítica apenas para a FPF e isso porque seu presidente quer porque quer fazer o seu estádio para a Copa no Brasil.

Finalmente, sem nenhuma diminuição da fabulosa campanha do São Paulo no segundo turno, o fato é que se o tricolor fez por ganhar, seus rivais fizeram ainda mais por perder -como o Flamengo ao vender seu artilheiro Marcinho; o Grêmio ao vender seu meia Roger (muito embora aí seja difícil dizer por quanto tempo ele faria a diferença e Tcheco tenha voltado muito bem); o Palmeiras ao vender sua alma, além de Henrique e Valdivia, e o Cruzeiro seu atacante Moreno.

O São Paulo, ao contrário, manteve o que tinha de melhor. Deu no justo tricampeonato, obtido ontem com uma atuação que não deixou dúvidas, mesmo com o gol de Borges em clamoroso impedimento. Porque o São Paulo jogou com a determinação dos campeões, do maior campeão do futebol nacional.

16 de out. de 2008

La Mano de Dios - Dias estranhos

Meus amigos, difícil dizer algo quando alguém de tanto talento já disse tudo. Ao invés de brindá-los com minhas críticas à seleção brasileira que deu mais um vexame ontem no Maracanã, deixo aqui um texto do grande Juca Kfouri, escrito para o seu blog (http://blogdojuca.blog.uol.com.br/):

Ai, ai, ai, viva o Paraguai!
Por Juca Kfouri

Tinha até mais gente do que se esperava: 46 mil pagantes e 54 mil presentes ao Maracanã.

Muito mais gente que o novo 0 a 0, agora contra a Colômbia, mereceu.

Porque o jogo foi daqueles irritantes, que deveriam ser proibidos para menores de idade, porque não há quem veja um jogo desses e continue a gostar de futebol.

A Seleção Brasileira tem sido assim: ganha fora e empata em casa.

Talvez porque seus jogadores estejam mesmo mais acostumados a jogar no exterior do que no Brasil.

Se for por isso, tudo bem.

Que vá jogar no raio que a parta e nos deixe em paz aqui com nossos campeonatinhos que, ao menos, emocionam em vez de dar raiva.

Seja como for, o Brasil termina sua campanha nesta temporada nas eliminatórias sozinha em segundo lugar, porque a Argentina perdeu do Chile.

Mas, imagine, a seis pontos do líder Paraguai.

Do líder Paraguai!

26 de jun. de 2008

La Mano de Dios - Há 30 anos...


Há 30 anos...

Meus amigos, republico abaixo artigo do sociólogo argentino Sergio Levinsky sobre a Copa de 1978 na Argentina, que ontem comemorou (?) 30 anos. Peguei esse texto no blog do Juca Kfouri (http://blogdojuca.blog.uol.com.br/). Creio que o grande Juca não ficará zangado, assim como acredito que a grande maioria de vocês se dará ao trabalho de ler em espanhol esse belo texto.

30 anos da Copa na Argentina

Por SERGIO LEVINSKY*

Pasaron ya treinta años de aquel Mundial 1978 que le tocó organizar a la Argentina, y el ejercicio de la memoria para todos aquellos que hemos vivido en el país en esos días negros nos debe permitir reflexionar desde aquel contexto de muerte y censura que nos envolvía, para comprender que acaso junto a los Juegos Olímpicos de 1936, en el Berlín nazi de Adolf Hitler, fue el mayor intento de manipulación social que se conozca a partir de un hecho deportivo.

La dictadura militar que asoló al país entre 1976 y 1983, desde el mismo 24 de marzo del nefasto golpe al gobierno de María Estela Martínez de Perón, supo desde el primer instante que el fútbol ocuparía un lugar fundamental en el devenir de los años con su poder, porque su manipulación la ayudaría a perdurar y para poder cometer la masacre más grande que se recuerde entre argentinos, con un saldo de 30.000 desaparecidos, y 42.000 millones de dólares de una deuda externa que cuando asumió, apenas si estaba en los 8000.

Así fue que en medio de las marchas militares en la cadena nacional, se pudo ver el partido amistoso que la selección argentina jugaría en Chorzow, Polonia, ante el equipo local, por el Canal 7, o que también la primera reunión militar tuvo un duro debate entre la Marina y el Ejército para determinar cuál de las fuerzas se quedaría con el fútbol.

Al cabo, la Marina consolidaría su poder, quedándose con el correr de los meses con el Ente Autárquico Mundial 78 (EAM 78), una vez que fuera asesinado el general (elegido en tiempos democráticos) Omar Actis, cuando el dictador Jorge Rafael Videla intentó desviar como un crimen cometido por los Montoneros cuando está comprobado que fue un hecho provocado por la interna de ambas fuerzas armadas. En el libro que lleva como sugestivo título "Almirante Lacoste, ¿quién mató al general Actis?", Eugenio Méndez demuestra cómo el procedimiento de ese asesinato no tenía ninguna relación con la guerrilla urbana.

A partir de ese momento, y ya con el ex contraalmirante Lacoste en el poder del EAM 78 como vicepresidente detrás del general Antonio Merlo, comenzó a fraguarse lo más duro de la organización del Mundial 78, y hasta varios testigos indican que la nueva conducción de la AFA, con Alfredo Cantilo como mandatario, fue "sugerida" a punta de pistola, y con todos los dirigentes levantando la mano sin chistar.

Ese Mundial se jugó con tantas irregularidades deportivas y políticas, que este artículo no alcanzaría a contar ni si tuviera el espacio de todo el periódico de hoy, pero de sólo pensar que a escasas cuadras del estadio Monumental, en el que los hinchas argentinos festejaban cada gol de la selección de César Luis Menotti, se torturaba gente en la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA) ya eso solo significaba un escándalo internacional, aunque todo estuvo tapado por la censura mediática y los argentinos no tuvieron acceso a la información veraz de lo que ocurría, aunque en el exterior tanto argentinos como extranjeros intentaron organizar distintas acciones que en el país fueron tachadas de "campaña antiargentina".
Desde jugadores de importantes seleccionados que se negaron a venir al país y los que intentaron acercarse a las Madres de Plaza de Mayo (como el arquero sueco Hellstrom), desde recomendaciones de embajadas en la Argentina para que periodistas de muchos países no asistieran, hasta aquellos cronistas que tenían que escribir sus notas en códigos (por ejemplo, este periodista pudo dialogar en Ámsterdam con un enviado al Mundial que justamente trabajó en Mendoza y que para pasar la censura colocaba nombres de jugadores holandeses para referirse a Videla, Massera, Agosti o Lacoste), hasta rumores de doping y de partidos arreglados, y hasta un atentado en la casa de Juan Alemann, economista conservador, pero crítico de la organización del Mundial, justo con el cuarto gol de Argentina a Perú, todo fue irregular, y todo da para seguir intentando investigar los hechos, no dejarlos pasar.

La aparición de un nuevo libro en Colombia ("El hijo del ajedrecista II", de Fernando Rodríguez Mondragón), que revela cómo se habría comprado el partido ante Perú por parte de miembros del EAM 78 en una reunión en Colombia, el propio ingreso de Videla al vestuario peruano en Rosario antes de ese partido decisivo, son otros condimentos, como el que una vez contó también a este cronista el notable periodista, ya fallecido, José María Suárez, "Walter Clos". Un día en la esquina de la AFA, Suárez tomaba café con un ex dirigente de San Lorenzo, y al preguntarle con sorna "para cuándo el monumento a los campeones del mundo", aquél respondió indignado: "ah, si, ¿y a nosotros, qué? ¿o quiénes cambiaban los frasquitos del antidoping?".

Pero más allá de preguntas sin respuestas en el terreno deportivo, el Mundial 78 y su enorme manipulación sirvió para que la dictadura continuara, para transmitir al exterior imágenes de un país "alegre" y que nada parecía saber ni ocurrir en cuanto a violaciones de Derechos Humanos. Por ese tiempo, según aquel slogan, fuimos derechos y humanos, mientras, desesperados, cientos de miles de familiares buscaban a sus seres queridos, no sólo sin poder encontrarlos, sino que aquellos que debían darles respuestas eran los mismos que se los habían llevado. Como bien caracterizó Eduardo Luis Duhalde, secretario de Derechos Humanos del actual gobierno, se trató del "Estado terrorista argentino".

Fue cuando la pelota se lo tragó todo, como dice León Gieco en su sabia canción sobre la memoria.

Pasaron 30 años, y más allá de aquella gran final en la que la selección argentina levantó la Copa del Mundo por primera vez, con los asesinos levantando el pulgar en un palco ensangrentado, y a un muy buen equipo que no por eso dejó de desplegar un gran fútbol, quedan muchísimos temas para seguir reflexionando, analizando e investigando, para que todo lo que allí ocurrió no quede impune.

http://sergiol-nimasnimenos.blogspot.com/

*Sergio Levinsky é jornalista e sociólogo argentino.

11 de jun. de 2008

1958

Texto tirado do blog do Juca Kfouri (http://blogdojuca.blog.uol.com.br/):

Um filme inesquecível

Aconteceu ontem, em São Paulo, a pré-estréia do documentário, de 85 minutos, "1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil".

Simplesmente comovente.

O filme começa com os últimos 10 segundos da decisão diante da Suécia, culminando com o quinto gol brasileiro, de Pelé.

Muito bem editado, com uma bossa de recriar detalhes de lances decisivos com a câmara bem fechada, os depoimentos, em regra, são ricos, bem humorados ou até queixosos, como os dos jogadores franceses que acusam Vavá de ter quebrado o capitão Jonquet de maneira desleal, razão da goleada final por 5 a 2, pois a França ficou reduzida a 10 jogadores.

Mas há depoimentos impagáveis, como o de um russo que conta que o marcador de Mané Garrincha, Kusnetsov, ao chegar nocauteado no vestiário após a vitória brasileira, jogou a chuteira longe e desabafou; "Eu não quero mais jogar futebol. Os brasileiros é que sabem jogar futebol".

Para o atacante francês Piantoni, "o futebol brasileiro é como a música brasileira. Alegre, feliz e todo mundo se diverte".

Pois o filme de José Carlos Asbeg, que entra no circuito comercial no dia 13 deste mês no Rio e em São Paulo, é diversão pura, comoção do melhor nível e documento histórico de valor inestimável.

Um filme que talvez comece a convencer o país de que a Copa de 1958 está para o amor próprio do Brasil assim como a Copa de 1954 está para o reerguimento da Alemanha.

A diferença está em que os alemães não se envergonham disso, ao contrário, cultuam aquele momento, o primeiro de felicidade depois da catástofre do nazismo.

E nós, que não levamos nada a sério, ainda achamos que Nelson Rodrigues estava brincando quando disse, depois da derrota em 1950, que tínhamos complexo de vira-latas, coisa que a Copa de 1958 sepultou.

Ou não?

Autor: Juca Kfouri