13 de jul. de 2010

Ferozes Futebol Clube na Copa - Nossas Seleções

Os Ferozes João Paulo Tozo, Rene Crema e Beto Almeida escolheram suas seleções em cima do que enxergaram nessa “que foi a maior Copa de todos os tempos, amigo”. Confira:


Rene Crema:

Casillas

Maicon, Lucio, Puyol e Lahm

Schweinsteiger , Muller, Sneijder e Iniesta

Forlán e Villa


Beto Almeida:

Casillas

Lahm , Pique, Puyol e Fusili

Xavi, Iniesta, Sneidjer e Fórlan

Muller e David Villa.



João Paulo Tozo:

Casillas

Sérgio Ramos, Piqué, Puyol e Coentrão

Iniesta e Schweinsteiger, Muller e Sneijder

Forlán e Villa.


Unanimidades: Casillas – Puyol - Iniesta – Sneijder – Villa – Forlán

12 de jul. de 2010

Pira na Chulipa - Brasil 2014, os dois lados da moeda!


Sim meus caros, nesse domingo dia 11 de Julho, logo após o jogo onde a Espanha entrou para o seleto grupo de campeões do Mundo, começou oficialmente a copa no Brasil! E resolvi fazer um exercicio aqui, e como o polvo mais famoso do mundo, tentei adivinhar o que pode acontecer! Claro, como eu nao sou e nem pretendo ser o Paul, vou analisar duas visões diferentes.

Considerando nos dois casos que a copa será mesmo feita aqui, veremos o que pode dar muito errado se não ter uma organização mínima e decente:


A Copa podre, capenga, digna de politícos e cartolas corruptos!



- Locomoção! Aeroportos? Hahaha, faz me rir! Não temos transporte nem pra nós mesmos, aeroportos precários, péssimos sistemas ferroviarios, as rodovias cada vez mais esburacadas pelo Brasil, pouco metrô, pra nao dizer quase nenhum, nas capitais! Como então ter o mínimo necessário pra receber um evento desse tamanho e importância! Fazer o que? Apelar para as lotações?

- Hotelaria! Imagina que a China se classifica para a Copa, e acaba indo parar no grupo sediado por Manaus ou Belo Horizonte, e eis que os Chineses resolvem dar o ar da graça? Onde os pobres irão dormir ? Se alimentar? É muuuuita gente! Tudo bem, aqui teremos uma bela iniciativa privada? Mas todos estão cientes da necessidade? Me admira um país com tantas atrações ainda ter problemas como esse! Só me leva a crer que realmente nosso Brasil esta é atrasado ao quadrado!

- Violência! Problema que dispensa apresentações! Rio de Janeiro, São Paulo! Como faz? Teremos turistas assaltados, violentados, assassinados? Espera, você ficou chocado? Pois então saíba que isso já acontece! É um problema que independe de Copa, Olimpiada, é caso sério! Chega de impunidade, de corrupção! Basta!

- Estádios! Nennhum estádio pronto?! Quantos já iniciaram a reforma, ou a construção, alguém sabe? Qual o estádio da abertura? Como pode tamanhas indefinições tão importantes! Como pode um país que consome toneladas de futebol não ter estádios prontos!? Tenho a impressão que os organizadores terão esses estádios a qualquer momento devido a toda essa calma! E quanto eu e você iremos gastar com isso?! É o Brasil dando seu jeitinho pra enrolar a FIFA! Vamo que vamo!

- Falta de empolgação! - Coloquei esse por ultimo por que depende de todos os outros itens, quero dizer aqui, que a alegria da Copa vai de encontro aos requisitos devidamente cumpridos! Com tudo meia boca, acredito que o publico e com isso até os times possam perder a alegria, a vontade de participar, isso será terrivel! Ninguem vai se arriscar num país com tantos problemas!


A Copa perfeita!



- Locomoção! Aeroportos reformados e novos construidos, novos aviões! Tudo devidamente controlado com cuidado e perícia! Ninguem esperando voos por horas e horas, metro, onibus, transporte publico nota 9 (10 é exagero) e funcionando com perfeição, isso tudo ainda fica pra gente depois! Parece até sonho!

- Hotelaria! Que venha China, India, quem quiser! Novos hotéis, pousadas, albergues, o Brasil se descobrindo de novo! Ganhando novos centros turistícos, lugares nunca antes explorados almejando novos patamares! Lugar para todos, como sempre foi o lema do país mais multi-racial do mundo! Lindo demais!

- Violência! Onde?

- Estádios! Altissímo nivel, apoio privado, sem dinheiro publico! Estadios modernos, ótimo atendimento, gramados que são verdadeiros tapetes, o Brasil ganha novas e incríveis arenas, que terão outras novas e diversificadas funções! Verdadeiros cartões postais terminados a tempo de receber o mundo da bola! Utopia?

- Muita empolgação! - Tudo perfeito! Quem no mundo perderia uma copa no país do futebol 5 estrelas!? Depois de 64 anos, o maior torneio do mundo vem pra casa do seu maior vencedor, que país vai querer amargar não estar aqui?! Todos os requisitos em harmonia e funcionando com perfeição! O que promete ser a Copa das Copas!


É isso galera! Então, o que será de 2014!?

Chazinho de Coca - Apostar na Espanha era apostar no futebol. Parabéns, Espanha. E obrigado.


Texto: João Paulo Tozo
Foto: Reuters/ ESPN




A segunda-feira, 12 de julho de 2010, chegou. A televisão continua aqui posicionada, estrategicamente apontada para a minha mesa. Mas hoje ela não irá ligar, afinal a Copa do Mundo de 2010 acabou.

Depressão profunda para quem anseia por quatro anos pela overdose de futebol e pela incansável busca da boleirada pelo posto máximo do planeta bola.

Mais depressão ainda para quem espera que a arte do futebol possa ser expressa pelos melhores pés do esporte, e que ao final desse 1 mês de uma dose cavalar de futebol nas veias dos apaixonados por esse esporte, os melhores pés dentre os melhores do planeta possam enaltecer o jogo bem jogado.

Para o bem da Copa e do futebol, deu Espanha campeã.

Vale reafirmar o que digo há meses – “Nunca é por acaso o êxito de um time como o da Espanha”

Não teria sido também por acaso o êxito holandês, afinal ninguém elimina o Brasil e chega a uma final de Copa sem que haja merecimento.

Mas o merecimento espanhol passa muito mais pelo jogo bem jogado, pela ofensividade que principalmente nós brasileiros sempre apreciamos, pelo gosto em tratar bem a bola, do que pelo antijogo praticado pela Holanda, sobretudo na final.

Essa Espanha joga no lixo a infeliz tendência que algumas escolas do jogo bem jogado tentam emplacar hoje, de que é necessário mais força do que técnica para se atingir objetivos maiores.

E que objetivo e maior no futebol do que ser campeão do mundo?

A Espanha de Del Bosque fez o caminho inverso dessa triste tendência. Largou no passado aquele papo furado de “Fúria”, que tentava se fazer valer mais da força, daquele papinho mole de que cara feia assusta, quando na verdade você pode assustar muito mais quando a bola está em seus pés e quando esses pés tratam bem da Jabulani da Copa, da Jobulani da final de ontem.

Mostra ao mundo que essa conversinha de que entre ganhar jogando feio é melhor do que perder jogando bonito é desculpa, pois na verdade o mais legal é ganhar jogando bonito, tratando bem dos olhos do mundo.

Serve para acabar com essa discussão tonta de brasileiros que defendem a seleção que jogou bonito e perdeu em 82, contra os que amam a seleção que jogou feio mas ganhou em 94. Quando é muito mais legal jogar bem e ganhar, como a de 2002. Como poderia ter sido mesmo agora 2010.

Não, não é qualquer seleção que pode se dar ao luxo de jogar como a Espanha. Mas o Brasil pode, o Brasil deve. Torço para que agora essa tendência em embrutecer o jogo faceiro dos brasileiros seja posta nos anais do esporte como algo a não se seguir.

A Holanda poderia também, mas preferiu lesar a mítica de seu outrora “futebol total”, trazendo a tona a feliz – na infelicidade- definição de Paulo Vinicius Coelho durante transmissão da final pela ESPN, onde cunhou o “antifutebol total” dessa Holanda vice-campeã.

Rinus Mitchels deve estar P*** da vida onde quer que esteja.

Não a toa também que falo há tempos do jogo “a italiana”, tanto de Brasil, quanto da Holanda.

No duelo entre eles, a sorte holandesa morou na grande fase de Sneijder, contra a péssima fase de nossos “destaques”. Na letalidade de seus craques, contra a letargia dos nossos.

Mas contra a Espanha, essa sim, dona do atual futebol total, e com muito mais destaques letais, a Holanda sucumbiu.

Até conseguiu no inicio diminuir os espaços no meio campo espanhol, coisa que a Alemanha não foi capaz de fazer. Mas encontrou pela frente uma Espanha que não se limitou ao jogo pelo meio, tendo Sérgio Ramos aberto e acionado a todo instante pela direita. A Holanda perdeu-se dentro de sua mediocridade tática e passou a apelar para uma violência quase gratuita. Fosse pouca coisa mais corajoso e o juizão teria expulsado o lutador – de vale tudo – De Jong, quando este estampou a marca de sua chuteira no peito de Piqué. E estávamos ainda ano início do jogo.

Stekelenburg, destaque holandês na final, salvava a pátria em milagres contra Sérgio Ramos. Enquanto seus parceiros continuavam não querendo jogar.

Sneijder foi mais uma vez o sopro de racionalidade do time, mas bem marcado e mal acionado, viu-se limitado pelos integrantes do UFC que jogavam ao seu lado. Robben teve a bola do jogo, mas em má jornada deu a Casillas a chance de confirmar a sua grande Copa do Mundo e a condição de melhor goleiro da competição.

Fabregas que ao longo da Copa foi opção de luxo espanhola, fez a diferença quando entrou no lugar de Xabi Alonso. Vejam que Del Bosque sacou um volante e colocou um meia ofensivo. Nada de 6 por meia dúzia.

Outro dos tantos papinhos furados dos que preferem apostar sempre no óbvio a ter que olhar o que tem se jogado pelo mundo, começava a cair por terra. A Espanha não mais iria “amarelar” na Copa.

Mesmo com as penalidades mostrando-se cada vez mais próximas, cada vez mais injustas com o domínio espanhol, já na prorrogação Del Bosque mandou Torres a campo.

Terá sido por acaso que o gol da Copa saiu de jogada envolvendo Torres e Fabregas?

Claro que não. Como não foi por acaso que Iniesta, esse sim furioso, craque que cresceu quando a Copa exigiu que se crescesse, recebeu a bola do jogo, fez o domínio do jogo e fez o fuzilamento do jogo. Marcou o gol da Copa. O gol da história de um país que deixa de vez a síndrome de vira-lata no passado.

É o 8º sócio do restrito clube dos campeões do mundo. É o 8º, mas é o atual. Confirma em 2010 a sua condição de melhor seleção do planeta, condição que vem desde a Euro de 2008, mas que só agora pode enfim silenciar os que naquele título na viam nada mais do que uma “Grécia” do acaso.

O acaso não faz parte do histórico desse time. Um grande campeão do mundo nunca surge por obra do acaso.

E claro, para encerrar essa minha 1ª coluna sobre uma final de Copa, a 1ª desde o surgimento do Ferozes FC, não posso deixar de extravasar a minha satisfação em ter cravado há meses que a Espanha era a favorita da Copa de 2010. Que acreditar no futebol bem jogado nunca foi por acaso.

Certo como é o título espanhol, é também a certeza de que minhas apostas em grandes times nunca serão por acaso.

Obrigado a todos que acompanharam as nossas impressões ao longo dessa Copa do Mundo. Obrigado Espanha. Obrigado futebol.

Cheers,

7 de jul. de 2010

Chazinho de Coca - Nunca será a toa um time como a Espanha estar na final da Copa.

Texto: João Paulo Tozo
Foto: EFE


Nunca foram a toa as minhas apostas na Espanha. E não é o fato de acertar que me deixa com essa felicidade tremenda, mas sim o fato de que minhas apostas foram todas direcionadas ao time que mais me apresentava possibilidades de assistir a um futebol de técnica, de ofensividade, sem que isso impedisse a competitividade de seu jogo.


Entre jogar feio e ganhar ou jogar bonito e perder, eu sou muito mais jogar bonito e ganhar, como a Espanha.


Jamais é a toa a conquista de uma Eurocopa. Nunca é a toa ter 100% de aproveitamento nas eliminatórias da Copa. Nunca, jamais será a toa a minha torcida por um time que busca o gol a todo instante.


Do goleiro ao centroavante, não tem pernas de pau no time de Vicente Del Bosque. E nem mesmo a derrota na estréia da Copa, em um jogo onde o derrotado obteve 70% da posse de bola e massacrou o vencedor em seu campo de defesa, poderia ser objeto de questionamentos sobre o potencial da equipe.


Se na derrota foi absoluta, nas vitórias foi inquestionável. O time que lidera quase todas as estatísticas atropelou na semifinal da Copa a gigantesca Alemanha, sensação da competição até então.


Enquanto algumas seleções optaram por lesar seu histórico ofensivo recheando o meio campo com volantes e alguns pseudos craques, a Espanha de Del Bosque usa somente um volante de ofício, ainda assim, um Senhor volante – Busquets. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso ficam mais soltos para trabalhar o jogo e obter sempre a enormidade numérica na posse de bola.


Em 3 toques a bola sai de Sérgio Ramos e já está com Capdevila do outro lado do campo. Na frente o artilheiro da Copa, Davi Villa, movimenta-se por toda parte, deixando Fernando Torres mais centralizado.


E tem mais essa. Torres não vive grande momento, já que vem de contusão. Imagina então sem “El Niño” estivesse na ponta dos cascos?


Hoje jogou Pedro em seu lugar, e apesar do gol absurdo perdido quando o placar já estava 1X0, a jovem revelação do Barcelona deu conta do recado.


Aliás, a diferença entre Alemanha e Espanha em suas campanhas até aqui era exatamente o centroavante. Ambas as seleções de ótimo toque, de manutenção da posse de bola, a Alemanha vinha tendo mais destaque exatamente por Klose estar concluindo as jogadas que do outro lado Torres não vinha conseguindo.


Então Del Bosque hoje veio com Pedro no lugar do camisa 9, tirou seus dois avantes de dentro da área e colocou uma correria incrível em cima de Lahm, Mertesacker, Friedrich e Boateng.


Joachim Low, ainda que sem Muller, errou ao recuar tanto o jogo de seu time desde o princípio. O meio campo alemão virou um playground onde os espanhóis fizeram o que bem entenderam. Com o meio campo a quilômetros de distância do ataque, a Alemanha só não foi presa fácil porque a Espanha respeitou demais os tricampeões do mundo.


Os espanhóis estão pela 1ª vez em sua história na final da Copa. Cheios de merecimentos, cheios de incontestáveis elogios e aplausos. Cheios de grandes jogadores, de um grande sistema de jogo. E cheios de apostas de gente apaixonada pelo futebol do ataque, como eu. Que há meses aposto na Espanha como a futura campeã do Mundo.


Nada é a toa. Como não é a toa a Espanha estar na final da Copa.


Cheers,

Chazinho de Coca - Pensando como Ricardo Teixeira.


Discussão levantada em nosso programa de rádio na última segunda-feira -O novo técnico da seleção da CBF.

Sem “bla, bla, bla”, está na cara que Felipão é o favorito e o preferido da nação. Em minha mais recente coluna falei sobre o triangulo amoroso entre Palmeiras, Felipão e a seleção.

Depois surgiu a informação de que Leonardo era a bola da vez para assumir o ex-cargo dunguistico.

Ricardinho, “o Teixeira”, disse que quer um trabalho a longo prazo, até para que seja feita uma reformulação e coisa e tal. Ainda alfinetou a sua invenção, Dunga, ao dizer que de nada importa ganhar Copa América e das Confederações, se no que vale o time faz papelão.

Ele adora se eximir de culpa, né? O Dunga lá esteve porque ele escolheu. Assim como inventou o Lazaroni em 90. Lamentável!

Dunga teve 4 anos para trabalhar e o resultado está aí. Então esse papinho mole de que é necessário trabalho a longo prazo não me convence. Veja só como foi o trabalho de Felipão em 2002. Menos de 1 ano a frente da seleção e sucesso absoluto.

É óbvio também que a menina dos olhos dourados do Ricardinho da CBF é a Copa de 2014 e toda a politicagem que irá envolvê-la. Olimpíadas de 2012 deve estar na 4ª ou 5ª colocação na escala de prioridades. Mas a de 2016 não. A bendita será aqui no Brasil, dois anos após a Copa do Mundo que também será aqui. Ou seja, é a chance dourada do figura, além daquela rapaziadinha cheia de ginga do COI, tornarem-se heróis da pátria amada salve e salve.

Minha interpretação desses fatos?

Leonardo, um sujeito boa pinta, educado, o avesso do Dunga, mas ainda inventado e sem casca grossa, assume a seleção agora, conduz o escrete canarinho até as Olimpíadas de 2012 e se ganhar a medalha de ouro, trará uma dorzinha de cabeça extra ao Ricardinho, mas se não ganhar, como é tradicional da seleção brasileira em jogos olímpicos, a desculpa para derrubá-lo estará pronta. Mesmo que vença, derrubar Leonardo é bem menos traumático do que um Mano Menezes ou um Muricy Ramalho, que são os nomes cogitados caso Felipão não assuma agora.

Rodo dado em Leonardo, teriam então os nossos cartolas um novo ciclo de 4 anos. Um novo ciclo de 4 anos em que Felipão poderia conduzir a sua maneira, sem Palmeiras para dividir suas atenções.

“Tá bem louco, Jão? De 2012 para 2014 são apenas 2 anos”

Verdade. Mas para 2016 são 4 anos. Quatro anos que englobam a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, ambas aqui no Brasil.

Não é um cenário perfeito?

Até que pensar com a cabeça Ricardistica não é de todo mal. Eu mesmo faria isso se fosse ele.

Mais detalhes dessa epopéia sugerida podem ser encontrados em nosso programa da última segunda-feira. Acesse o podcast na lateral direita do blog.

Cheers,

6 de jul. de 2010

Folha seca: O adeus a mais um campeão do mundo.




Texto: Gregório Possa
Foto: globoesporte.com

A primeira partida da semifinal proporcionou o que há de mais emocionante em termos futebolísticos, de um lado a poderosa Holanda, que não conquistava uma vaga na final da Copa do Mundo desde 1978, do outro toda tradição celeste, que renasceu de forma surpreendente depois de longos anos sem figurar entre os maiores do planeta.

O Uruguai não contava com Lugano (machucado) e Luiz Suárez, suspenso, depois de salvar sua seleção com uma defesa no último minuto da prorrogação contra Gana. Já a Holanda entrou em campo completa e com uma equipe muito mais qualificada que a celeste, restava aos sul-americanos compensar as adversidades com muita raça e disciplina tática, características típicas da escola uruguaia.

Oscar Tabárez - técnico uruguaio pela 2° vez em copas (1990 e 2010) - sabendo das limitações de sua equipe escalou Gargano, volante marcador, para o lugar de Suárez, tentando neutralizar o habilidoso meio de campo laranja.

O esquema uruguaio prevaleceu até os 18 minutos, o chute que abriu o placar para Holanda pode ser muito bem descrito pelo nome da minha coluna, pois bem, Van Bronckhorst acertou um legítimo ''folha seca'' e não deu chances para Muslera, mais uma vez a Jabulani entrou em cena e complicou a vida do goleiro.

O Uruguai tinha muita dificuldade de se aproximar do gol holandês, por vezes pecava por sua limitação técnica. Forlán decidiu então, usar da mesma arma que os holandeses utilizaram para abrir o placar, com um chute certeiro de fora da área, o mesmo empatou a partida e reascendeu a esperança uruguaia. A igualdade no placar se manteve até o fim da primeira etapa.

O técnico Bert Van Marwijk mudou o panorama da partida no segundo tempo, substituindo De Zeeuw por Van der Vaart, com isso a Holanda ficou mais ofensiva e tomou conta do jogo. Com um gol irregular de Sneijder e outro de Robben os holandeses ficaram com um pé na final da Copa, porém se engana quem pensa que a celeste desistiu da partida, apesar de sentir o golpe dos 3x1, o Uruguai foi para o tudo ou nada e por pouco não realizou outro milagre, aos 47 minutos, Maxi Pereira diminuiu o placar e a equipe celeste pressionou com fervor até o apito final do árbitro.

O último representante do nosso continente caiu, mas caiu de pé. O Uruguai ressurgiu nessa Copa e mostrou novamente ao mundo sua força e tradição. A entrega dos jogadores, a disciplina tática e a sua raça deixaram marcas durante o torneio e ressaltaram de forma brilhante o verdadeiro sentimento de uma Copa do Mundo. Os nossos vizinhos sul-americanos defenderam sua pátria de forma honrosa e seus torcedores podem se orgulhar disso.

Parabéns gigante Uruguai !
É bom saber que você está de volta !

5 de jul. de 2010

Chazinho de Coca - Verdão, Felipão e a Seleção.

Verdão, Felipão e a Seleção - Eles se amam.



Palmeiras, Luis Felipe Scolari e Seleção Brasileira. Eis o triangulo amoroso da nova novela do futebol brasileiro.

O fiasco Dunguistico na África do Sul foi tão grande que a CBF até trabalhou no domingo. Acredite se quiser.

O enfadonho website da empresa – sim, empresa – que administra a maior seleção de futebol do planeta – na história, não momentaneamente – atualizou sua home para enfatizar que o trabalho do capitão do tetra não teria continuação.

Bastou esse fato para que as especulações em torno do novo nome para comandar o escrete verde e amarelo na Copa do Mundo mais importante da história para a CBF tivessem início.

A CBF por sua vez nada adiantou. Mas os nomes pululam nas rodas de boteco: Muricy Ramalho, Mano Menezes, Adilson Baptista e até nomes como Sílas e Leonardo surgem como opções.


Entretanto o nome que é quase consenso é o de Luis Felipe Scolari, o último campeão mundial pela seleção. O eterno salvador da pátria, seja da pátria propriamente dita ou da pátria alviverde.

A CBF disse que anuncia o novo nome ainda esse mês. Até por que a sua seleção já tem amistoso marcado para agosto. É rapaz, a empresa não pode parar.

Não apenas esse, mas a seleção brasileira tem mais 5 amistosos marcados até o fim do ano. CINCO. Para que servem? Fica para o leitor escolher uma opção, dentre as quais não está nenhuma questão técnica ou de planejamento.

Deixemos as razões pouco claras para a escolha tão cheia de urgência do novo técnico.


Certamente a CBF irá plantar um novo factóide para justificar sua próxima escolha.

Na escolha de Dunga o mote era “este será o fim das badernas, a moralização chegou”. Tendo em vista, claro, a baderna que foi a preparação para a Copa de 2006. Dessa forma a CBF eximiu-se de sua enorme culpa e escolheu o novo herói da nação. Estava blindada, enfim, para montar sua campanha em prol do “Brasil 2014”. O Dunga que se virasse com a seleção.

A Copa de 2010 se foi para nós. Qual é a grande reclamação agora?

A falta de qualidade do time levado por Dunga. O jogo “a italiana” produzido e derrotado.

Qual será o mote da campanha para a escolha do novo escudo protetor da CBF?

“Vamos resgatar a essência do futebol brasileiro”

Nas internas será: “Toma a seleção, fiel escudeiro. Ela é sua, se vira. Eu (CBF) vou cuidar da politicagem em torno da Copa no Brasil”.

Esse cara precisa ser alguém em quem o país confia. Inventar técnico como Dunga foi inventado pode significar 3ª Guerra Mundial. E não há outro nome mais apropriado do que o do novo técnico do Palmeiras.

É amigo, Felipão é o novo técnico do Palmeiras. E assim deverá ser até dezembro de 2012.

Palmeiras, Felipão e a Seleção precisam um do outro.

O Palmeiras vem de fracassos recentes que fazem do clube a maior panela de pressão do futebol brasileiro. O único com quem a torcida terá paciência é com ele, Felipão.

Felipão precisa do Palmeiras. Afinal vem de resultados pouco convincentes desde que saiu da seleção de Portugal. No Verdão Felipão é Rei e terá carta branca da diretoria e bandeira branca da torcida.

E a CBF precisa do Felipão, já que é o nome que o país quer na seleção e ela vai precisar, mais do que nunca, de um escudo de casca grossa.

O que faz com que ela precise também do Palmeiras, detentor do atual contrato de trabalho do treinador.

E quer saber mais?

O Palmeiras precisa da CBF. Politicamente, claro. Afinal Belluzzo fez parte da oposição a CBF na escolha do novo presidente do Clube dos 13. Ser “gentil”, no caso Felipão, poderá significar o resgate da “confiança” de Ricardinho, o Teixeira.

Felipão pode exercer as duas funções. Até por que o ciclo olímpico será somente em 2012 e até lá não há absolutamente nada de importante envolvendo a seleção brasileira.

Outro ponto a se analisar é a grana. Felipão é um homem rico, mas não tem a tendência a rasgar dinheiro.

No Palmeiras ele vai ganhar, no mínimo, o dobro do que na seleção. Serão, por baixo, 700 mil reais/mês, sem contar os contratos de patrocínio. Dunga na seleção vinha embolsando pouco mais de 150 mil reais.

E qual é o técnico que em sã consciência negaria ser o comandante da seleção brasileira em uma Copa do Mundo no próprio país?

Pois é , estamos diante de um tremendo de um triangulo amoroso, onde todo mundo se ama e todo mundo se quer.

Juntarão os envolvidos a fome a vontade de comer?

Cheers,

Chulipa na Copa - O ultimo tango na Africa!


Da alegria de ver seu maior rival se despedir da copa a tristeza total de ser a vitima demolida e humilhada no dia seguinte!

Essa foi a melhor forma de descrever o que foi a copa para a Argentina!

Foram 4 facadas nos 90 minutos de jogo no coração do falante, idolo e segundo (quiçá terceiro) melhor jogador do mundo, tambem conhecido como técnico da Argentina Diego Armando Maradona!

Os hermanos nem tiveram muito tempo pra desenvolver sua estratégia de jogo, logo aos 3 minutos Thomas Müller marca o primeiro de cabeça numa cobrança de falta perfeita de Schweinsteiger, começa o açoite!



A Argentina se mostra viva, porém isso não é revertido em gols, a Alemanha se mostra segura no seu campo de defesa, a impressão que dá é aquela que a partida pode durar 20 horas seguidas e mesmo assim, sua meta não sera vencida, e a partida vai pro segundo tempo!

Como fez com a Inglaterra nas quartas a Alemanha se utiliza do mesmo plano, e assim se foi, Argentina pra frente e gol da Alemanha no contra ataque mortal, gol de Klose, e assim seguiu ate o fim! Friedrich e Klose de novo (estando a apenas 1 de Ronaldo pra igualar a marca de maior artilheiro em copas) fecharam o espetáculo alemão!

Mais uma vez a Argentina foi eliminada pela Alemanha, e estes por sua vez, vão para mais uma semi-final!

Brasil e Argentina que apostaram na tentativa de ex-campeões mundiais como técnicos pagaram caro, eliminados nas quartas de finais, um de virada e outro esculachado, precisam urgentemente rever seus conceitos, abaixar a crista e na humildade começar um novo e descente trabalho!



Aos Alemães, se orgulhem de ter uma jovem e talentosissíma seleção! Jogando esse bolão acho dificil perderem esse titulo! Mas antes tem um reencontro com a Espanha nas semis, uma espécie de revanche da ultima final da Euro Copa! Mais um jogo imperdivel, mais um degrau complicado para esse incrivel time germânico!

Quem será que vai botar agua nesse chope?



Fotos: ESPN e Gazeta Esportiva

2 de jul. de 2010

Café com Leite na Copa: Uruguai e Gana

Texto: Beto Almeida
Foto: Roberto Schmidt/AFP

Conheci Montevidéu tempos atrás, não me recordo o ano exato e não me importa. Eu era outro, minha vida era outra, tudo bem. Eu mudei, mas a capital uruguaia parece não ter essa capacidade - tudo lá parece antiquado. É como se a cidade recusasse ser corrompida pelos novos tempos, lá não há grandes edifícios envidraçados, sequer um engarrafamento. Na rua as pessoas não andam com pressa, mas com calma, e adoram tomar mate. Há lojas de mate por todos os cantos, e livrarias! Muitas livrarias, e parques. Tudo meio gasto pelo tempo. Se fosse definir Montevidéu me ocorre afirmar que é uma cidade que não tem medo de envelhecer. Aquela mulher madura, segura de si e da sua experiência, a face marcada por rugas que as tornam mais bela. Você acorda ao lado dela e sabe que a ama de verdade. Nada mais diferente de São Paulo, aquela coroa que faz lipo, botox e tem uma cara de plástico - você acorda ao lado dela e tem vontade de ir embora o mais rápido possível.

Por isso sou torcedor da Celeste - uma seleção que brilhou muito no passado e que parece não ter se adaptado ao futebol atual - de força física, eficiência tática, pragmático e profissional. Passaram por uma ditadura que dizimou uma geração, estavam atordoados demais para se dar conta que o mundo se tornou uma imensa Chinatown onde se vende de tudo, corações e mentes e um pedaço do Céu por 10% do salário de um homem comum ou de um astro do futebol. Questão de valores, e os uruguaios têm lá os deles.

Claro estava que a partida com Gana seria um épico trágico, o Uruguai é o Corinthians da Copa do Mundo. Seus torcedores iriam sofrer até o último minuto, são românticos. O futebol imita a vida, seus castigos e dores e alegrias. Tomaram o primeiro golpe, um gol de Muntari no fim do primeiro tempo - não desistiram. Voltaram com garra, dispostos a superar o revés. Conseguiram o empate e foram melhores durante todo o segundo tempo - mas não conseguiram a virada merecida, indo para a prorrogação. Haja nervos, coração bate mais forte, o sangue ruboriza em nossos rostos apreensivos.

E, no final da prorrogação, quando tudo parecia decidido, o golpe do destino: numa cabeçada dum jogador africano a bola que vai ao gol, impedida pela mão de um jogador de linha uruguaio num ato desesperado que pode ser a redenção de todo um país - um jogador que se dirige chorando ao vestiário, expulso de campo. O futebol também demanda seus mártires.

Mas o Destino quer que a vitória venha assim, cruel: o melhor jogador de Gana põe a bola na marca da cal, toma distância, corre e chuta - um petardo que explode no travessão, cuias de mate são jogadas aos ventos, gritos saem das gargantas, ainda há esperança. Aguante, Celeste!

Cinco jogadores de cada lado são escolhidos para o pelotão de fuzilamento - a tarefa mais inglória deste esporte, todos são vítimas da Sorte. Penâltis deviam ser cobrados por poetas. Eles compreendem mais as aflições humanas.

E os uruguaios, repito, são uns românticos... Antiquados, botaram o coração na ponta das chuteiras - expressão em desuso, que só eles diriam sem constragimento.

Venceram.

Folha seca: Um Dunga, Onze Sonecas e 190 milhões de Zangados.







Texto: Gregório Possa
Foto: globoesporte.com



A cada quatro anos floresce em todos os cantos do mundo, um sentimento surrealista, uma paixão em cada um de nós que não fornece meios para descreve-la, um clima tão contagiante que é capaz de unir os povos mais distintos.

Convenhamos, não há como não virar torcedor em uma Copa do Mundo, ainda mais quando se trata do povo brasileiro. Pessoas preparam sua festa, pintam as ruas, ficam próximas do seus entes queridos, saem do trabalho e da escola mais cedo, todos na mesma corrente para assistir a seleção jogar.

Minutos antes do jogo, as ruas esvaziam-se aos poucos, os comércios fecham, as bandeiras tremulam e a cidade colorida em verde e amarelo, PÁRA.....!

Agora, os próximos 90 minutos traduzem um misto de sensações tão intensas que a nossa atenção é completamente voltada aos 11 jogadores que entram em campo pra defender as cores da seleção mais gloriosa do futebol mundial e lutam por 190 milhões de apaixonados.

Toca o hino nacional, que estremece e arrepia até o mais frio dos brasileiros, a polêmica Jabulani está prestes a rolar e nesse momento a glória e o fracasso estão separados por uma linha tão fina que se torna quase imperceptível.

A explosão do gol no início do jogo é indescritível, fogos, vuvuzelas e gritos por toda a parte anunciam mais uma vitória brasileira. Será que a seleção do Dunga iria queimar a língua de quase todos os jornalistas, comentaristas e torcedores?

Infelizmente não !

A esperança verde e amarela é totalmente desfacelada na segunda metade do jogo. A frase do grande imperador romano Júlio César - ''Até tu Brutus, meu filho'' - pode ser perfeitamente usada para servir de menção a falha de seu chará, veja só que coincidência. Até o irretocável goleiro da seleção humanamente falhou.

É, realmente hoje não era o dia...

Os problemas de sempre vieram à tona, as críticas feitas ao longo do percurso se confirmavam, parecíamos prever o trágico final da seleção muito antes dele acontecer. Nosso comandante totalmente sem forças, olhava para o banco e se deparava com a dura realidade que ele próprio criou. Não tinha sequer uma opção para mudar o rumo da partida. A eliminação estava cada vez mais clara e dolorida.

O apito final do árbitro bateu na alma do brasileiro, toda a espera, toda a paixão se transformou em completa decepção. Aos poucos os bares se esvaziavam, o movimento nas ruas voltava, os comerciantes abriam as portas e como num passe de mágica, tudo voltava ao normal.

As cores eram as mesmas, o sentimento não.

Encerro com uma frase que todo brasileiro ''gostaria'' de dizer ao nosso ilustre técnico e que provavelmente nossos ''hermanos'' estamparão nas capas dos jornais de amanhã:

''GRACIAS DUNGA !''