
Discussão levantada em nosso programa de rádio na última segunda-feira -O novo técnico da seleção da CBF.
Sem “bla, bla, bla”, está na cara que Felipão é o favorito e o preferido da nação. Em minha mais recente coluna falei sobre o triangulo amoroso entre Palmeiras, Felipão e a seleção.
Depois surgiu a informação de que Leonardo era a bola da vez para assumir o ex-cargo dunguistico.
Ricardinho, “o Teixeira”, disse que quer um trabalho a longo prazo, até para que seja feita uma reformulação e coisa e tal. Ainda alfinetou a sua invenção, Dunga, ao dizer que de nada importa ganhar Copa América e das Confederações, se no que vale o time faz papelão.
Ele adora se eximir de culpa, né? O Dunga lá esteve porque ele escolheu. Assim como inventou o Lazaroni em 90. Lamentável!
Dunga teve 4 anos para trabalhar e o resultado está aí. Então esse papinho mole de que é necessário trabalho a longo prazo não me convence. Veja só como foi o trabalho de Felipão em 2002. Menos de 1 ano a frente da seleção e sucesso absoluto.
É óbvio também que a menina dos olhos dourados do Ricardinho da CBF é a Copa de 2014 e toda a politicagem que irá envolvê-la. Olimpíadas de 2012 deve estar na 4ª ou 5ª colocação na escala de prioridades. Mas a de 2016 não. A bendita será aqui no Brasil, dois anos após a Copa do Mundo que também será aqui. Ou seja, é a chance dourada do figura, além daquela rapaziadinha cheia de ginga do COI, tornarem-se heróis da pátria amada salve e salve.
Minha interpretação desses fatos?
Leonardo, um sujeito boa pinta, educado, o avesso do Dunga, mas ainda inventado e sem casca grossa, assume a seleção agora, conduz o escrete canarinho até as Olimpíadas de 2012 e se ganhar a medalha de ouro, trará uma dorzinha de cabeça extra ao Ricardinho, mas se não ganhar, como é tradicional da seleção brasileira em jogos olímpicos, a desculpa para derrubá-lo estará pronta. Mesmo que vença, derrubar Leonardo é bem menos traumático do que um Mano Menezes ou um Muricy Ramalho, que são os nomes cogitados caso Felipão não assuma agora.
Rodo dado em Leonardo, teriam então os nossos cartolas um novo ciclo de 4 anos. Um novo ciclo de 4 anos em que Felipão poderia conduzir a sua maneira, sem Palmeiras para dividir suas atenções.
“Tá bem louco, Jão? De 2012 para 2014 são apenas 2 anos”
Verdade. Mas para 2016 são 4 anos. Quatro anos que englobam a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, ambas aqui no Brasil.
Não é um cenário perfeito?
Até que pensar com a cabeça Ricardistica não é de todo mal. Eu mesmo faria isso se fosse ele.
Mais detalhes dessa epopéia sugerida podem ser encontrados em nosso programa da última segunda-feira. Acesse o podcast na lateral direita do blog.
Cheers,
7 de jul. de 2010
Chazinho de Coca - Pensando como Ricardo Teixeira.
26 de mai. de 2010
Chazinho de Coca - Copa do Mundo no Brasil. Chega de pão e circo.
E continua a novela sobre a utilização ou não do Morumbi para a abertura e mesmo para os demais jogos da Copa do Mundo no Brasil em 2014.
Como já deixei claro aqui mais de uma vez, não sou contra o Brasil receber os maiores eventos do planeta, esportivos ou não. Sou frontalmente contra as pessoas que já estão envolvidas na Copa e também nas Olimpíadas.
Nada irá ocorrer sem a participação de nossos políticos, presidentes de federações, de comitês e de nossa confederação de futebol. Além dos baba-ovos e capachos dos mesmos. Uma cambada que irá deitar e rolar no dinheiro público e realizar conchavos de todos os tipos.
A Fifa torna a Copa do Mundo em um evento altamente custoso. Cria uma série de regras a serem seguidas e que tornam inviável o evento para a maior parte dos países do mundo.
Ainda assim ela criou um rodízio de continentes, como forma de diversificar as culturas que irão receber o evento. Antes disso a ocorrência de Copas na Europa era motivo de criticas de toda parte.
Mas se por um lado ela viabiliza esse rodízio, por outro ela acaba por impedir que países em regiões menos favorecidas do planeta possam bancar o evento. O seu caderno de encargos é o mesmo para a Europa, para a África e para a América do Sul. Oras, é mais do que evidente que mesmo após o boom do crescimento de regiões como o Brasil, ainda estamos distantes de ter as mesmas condições estruturais dos europeus, por exemplo.
Se a intenção da Fifa com esse rodízio é boa, então que ela crie cadernos distintos, de acordo com a região que irá receber a Copa. Caso contrario, não passará de conversa para boi dormir. Ou então uma chance de fazer a festa com a politicagem local. Fico com a 2ª opção.
Vale atentar o leitor que entre as obrigações desse caderno da Fifa está a garantia de que o governo local irá isentar a Fifa e seus parceiros de impostos referentes a todos os serviços e produtos relacionados a Copa. Mamatinha, não?
O Brasil é o auto proclamado país do futebol. Se olhar pelas conquistas da seleção, faz sentido. Em qualquer outro aspecto do esporte, há controvérsias. Mas tudo bem, ela volta ao país após mais de 50 anos.
O Brasil é um país de extensão continental, mas onde a prática do futebol se notabiliza por centros de destaques. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia possuem a nata dos grandes clubes. Das grandes massas. Nesses locais o futebol é disputado ao longo de todo o ano. Seus clubes estão nas séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. Disputam a Libertadores e a Sulamericana sempre com destaque. Há centros “menores”, mas que possuem grandes clubes, com grandes torcidas. Com grandes estádios, que é o que se busca para a Copa. Goiás, por exemplo.
A farra da Copa no Brasil começa já pela distribuição das sedes. Construir uma Arena em Brasilia e deixar Goiás de fora é uma tremenda bola fora. Claro, obra de manobras políticas, de favores e agrados.
Outro ponto conflitante é a não utilização do Engenhão no RJ. Construído para o último Pan, é um estádio moderno, que com poucas alterações poderia receber facilmente partidas da Copa. Sua construção já se deu sob um derrame de dinheiro público. Onde o orçamento foi estourado por mais de uma vez. Mas a sua não utilização na Copa, sob o pretexto de que o RJ já conta com o Maracanã é absurda. O transforma em um enorme elefante branco, só utilizado pelo Botafogo, que hoje arca com seus custos. Um gasto inútil, para uma competição já inútil como é o Pan.
Ninguém imagina uma Copa no Brasil sem o Maracanã como palco principal. Mas se o RJ possui dois estádios quase prontos para a Copa, por que não utilizá-los? Por que construir uma mega arena na Amazônia, onde não há um único clube dentro das 3 principais divisões do país? Uma Arena que após a Copa ficará as moscas. Que após a Copa será um elefante branco na floresta. Para que gastar milhões em algo que se tornará inútil após sua breve utilização?
O mesmo acontece em SP, onde o Morumbi é o grande (em tamanho) palco para uma Copa. O São Paulo Futebol Clube se diz disposto a arcar com os custos da reforma com dinheiro de investidores e do BNDES. Em comparação aos gastos que as arenas da CBF/Fifa terão, o custo da reforma do Morumbi serão trocados.
Em São Paulo também haverá, a partir de 2012, a mais moderna arena da América Latina – a Arena Palestra Italia. Uma reforma toda bancada por um grande parceiro trazido pelo Palmeiras, a construtora W-Torre. Sem uma única moedinha do dinheiro público, nada. Para 45 mil espectadores devidamente acomodados, poderia muito bem receber jogos da Copa. Enquanto o Morumbi, com sua capacidade para receber mais de 60 mil pagantes, seria o palco de abertura.
É tudo tão lógico, que o fato de não acontecer assim por si só já dá a certeza de que não é exatamente trazer a Copa do Mundo ao Brasil o interesse dos que estão envolvidos.
A notícia de hoje do jornal “Lance!” dá como palavra da CBF de que o Morumbi não será sequer palco da Copa. Que para tal será construída uma Arena em Pirituba, com capacidade de, pasmem, 45 mil espectadores.
Mas a Fifa não exige estádio de 65 mil lugares para palco de abertura?
Terá o fato de Juvenal Juvêncio e Luiz Gonzaga Belluzzo, presidentes de São Paulo e Palmeiras, na eleição para residente do Clube dos 13 terem optado por apoiar um candidato diferente de Ricardão Teixeira, influenciado nessas decisões? Além, lógico, das tantas outras já citadas acima?
Não sou contra a Copa do Mundo no Brasil. Sou a favor do Brasil, em todos os sentidos. Copa com essa cambada envolvida não pode ser boa para o país.
Chega de pão e circo.
Vamos aguardar os próximos capítulos dessa novela sem graça.
12 de mai. de 2010
Chazinho de Coca - Uma seleção de volantes. Culpa de Ricardo Teixeira.
Quando se pensa em seleção, seja ela do que for, imagina-se a escolha das melhores peças, animais, vegetais, pessoas, jogadores – de futebol, inclusive.
Mas para que essa escolha possa se aproximar do que se entende por justiça, o selecionador deve também ter sido escolhido baseado em seus êxitos, em seus trabalhos anteriores.
No caso mais específico da seleção brasileira de futebol, o sujeito responsável por selecionar os melhores atletas do país deve também ser o melhor ou estar entre os melhores do país.
Dunga sequer era técnico de futebol quando Ricardo Teixeira, o dono da CBF e conseqüentemente do futebol brasileiro, o chamou para assumir o principal posto do esporte que é a paixão nacional.
Então antes de qualquer cornetagem, vamos debitar da conta da CBF do Ricardão a culpa por qualquer insatisfação gerada pela seleção escolhida pelo capitão do tetra.
Feito isso, vamos tentar pensar com a cabeça do Dunga.
Como jogador Dunga foi um voluntarioso volante, aguerrido, comandante em campo. Seu principal mérito não era como jogador, mas como líder.
Marcou uma era de futebol pouco vistoso do Brasil, a chamada “era Dunga”. Depois conquistou o tetra, numa seleção que tinha Romário e Bebeto como estrelas.
Não por acaso o selecionado de Dunga tem a sua cara. Uma zaga praticamente irretocável, deixando margem para discussão apenas na sua lateral esquerda e na opção por Doni no gol, sendo que o cara sequer joga em seu time.
O meio campo de Dunga é de fazer chorar qualquer admirador de um futebol de passes, triangulações, vistoso, de arte, de fazer chorar qualquer admirador do futebol brasileiro. O único verdadeiro meia desse time é Kaká. Cracaço! Mas que vem de uma temporada irregular, além de seguidas contusões. Se Kaká vier a faltar ou se necessário for dar mais qualidade ao setor, Dunga terá de improvisar.
Não, não me venha dizer que Elano é meia. Não é. Julio Baptista muito menos. Exceto Kaká, todo o resto do setor é formado por VOLANTES. Sejam 1º´s ou 2º´s, mas volantes. Volantes, como foi Dunga. Dunga que não tem em seu meio sequer um “Dunga”, no quesito entrega.
Muito menos um Mauro Silva, menos ainda um Mazinho. Ambos, 2º´s volantes na Copa de 94. Ambos, melhores que todos os volantes que Dunga chamou.
Sequer igualar aquela seleção que já era bastante pragmática Dunga conseguiu.
O ataque de Dunga não é lá tão passível de críticas. Mas levar Grafitte e ao mesmo tempo vender o papo de coerência é demais pra minha cabeça. Nada contra a opção. Grafitte vem bem no futebol alemão.
Mas com Dunga Grafitte teve apenas UMA oportunidade e jogou somente vinte e poucos minutos.
Diego Tardelli foi chamado mais de uma dezena de vezes e também vem bem no futebol brasileiro.
Pesou o que aqui? O país onde cada um exerce o seu jogo? O futebol alemão é realmente a cara do Dunga. O brasileiro não.
Se a justificativa para não levar Ganso (e Neymar) é a tal da experimentação e Grafitte carimbou sua passagem para a África atuando somente vinte e poucos minutos, então para mim a palavra de ordem de Dunga é a “incoerência”.
Torcer para essa seleção do Dunga será realmente um exercício patriótico para mim. O meu lado passional, muitas vezes ufanista, irá me dizer – “Vai Josué, tabela com o Gilberto Silva e arma pro Julio Baptista marcar um gol de placa”. Já o racional, antes de duvidar que a cena descrita possa ser capaz de acontecer, irá juntar forças com o lúdico, onde pensarei que se essa seleção faturar o hexa, o verdadeiro futebol brasileiro terá saído derrotado, levantando a taça uma seleção de volantes que bem poderia ser a seleção alemã – com todo o respeito que os tricampeões mundiais merecem.
Obrigado Ricardo Teixeira.
22 de jun. de 2008
Chazinho de Coca - Cadê a cativa do Gaúcho?
Cadê a cativa do Gaúcho?
O ano de 2008 não tem sido o ano da seleção brasileira. Curiosamente também não tem sido o ano daquele que deveria ser o maestro de nossa equipe, Ronaldinho Gaúcho. Quando se fala na seleção canarinho, nos vem à mente um time recheado de bons jogadores e dentre eles, alguns diferenciados, alguns foras de série.
Relembrando a seleção campeã de 2002, talvez a nossa última grande equipe, nela não existiam grandes contestações, talvez a não convocação do meia Alex, mas nada que tenha tirado o sono do técnico Felipão ou que tenha deixado a torcida muito reticente quanto ao sucesso da equipe na competição. Do goleiro ao centroavante, a seleção era quase que a consumação do desejo popular, com ótimos jogadores em todas as posições e dentre eles, quatro ou cinco craques, foras de série que decidiram quando foi preciso.
Hoje passamos, talvez, por nossa maior escassez de craques das ultimas décadas, para não dizer da história. O selecionado de Dunga é um frangalho só, apontado por muitos estudiosos da bola como algo abaixo até mesmo da seleção de 66.
Quer dizer então que não temos craques ou pelos menos, bons jogadores? De forma alguma. Podemos sem muito esforço fazer uma seleção apenas com jogadores que atuam hoje no futebol brasileiro que já conseguimos algo melhor do que Dunga. Junte a eles os craques que atuam na Europa e pode-se montar uma equipe que se não for a melhor de todas, ainda pode encarar em pé de igualdade qualquer outra seleção de ponta.
O time de Dunga é carente de craques, ao menos daquele craque, o que faz a diferença, o que num momento está invisível e num piscar de olhos tem um lampejo de gênio e decide. Hoje, talvez, o nosso único jogador com essa capacidade seja Ronaldinho Gaúcho.
Kaká e Alex são cracaços, mas são aquilo que podemos chamar de “cerebrais”, são eles que cadenciam o time, que mantém a regularidade, que organizam, são o termômetro, enfim, mas não são eles quem vão driblar meio time adversário e entrar com bola e tudo, Ronaldinho Gaúcho sim tem esse perfil, ele tem o perfil e a bola de um fora de série. Ronaldinho tem explosão, arranque, força, uma habilidade poucas vezes vista no mundo da bola, finaliza bem e supri outra enorme necessidade da seleção de Dunga, é exímio batedor de faltas – parece piada, mas a seleção brasileira não tem unzinho sequer.
Apesar de tudo isso, não se pode esquecer que o Gaúcho passa por maus bocados em seu clube e não vem jogando, mas quem disse que Mineiro, Josué, Gilberto Silva e outros “Dunguísticos” estão? Mas ainda assim estão lá, com suas inexplicáveis cadeiras cativas, então porque não ceder uma dessas cadeiras ao Gaúcho fora de série?
Lobby do Gaúcho.
Impressionante a cara de pau do nosso todo poderoso presidente da CBF, Darth Vader, ops, Ricardo Teixeira, ao pedir em rede nacional para que o povo brasileiro ajude Ronaldinho Gaúcho a ser convocado para a seleção olímpica. Logo ele tão avesso a entrevistas, a dar satisfação das patacoadas de sua confederação ou de suas próprias ferocidades. Está mais do que na cara que ele já convocou Ronaldinho para as Olimpíadas e que Dunga vai ter que engolir a seco ou então tomar um scothzinho para digerir melhor essa canetada do nosso ditador de plantão.
O povo quer Ronaldinho Gaúcho, não precisa ele vir pedir isso. Mas agora o cenário está todo favorável. Teixeira já convocou, o povo em boa parte, alheio a esse esquema, vai pressionar Dunga, o técnico por sua vez vai ter que convocá-lo para não perder seu emprego e ao final de tudo, caso o Brasil saia vencedor, Ricardo Teixeira vira herói e tudo ficará lindo e maravilhoso no reino da CBF, caso contrário a culpa é de Dunga, que não o convocou antes e não o preparou adequadamente para a competição.
Vai Teixeira, não pára de lutar!
Lobby do Gaúcho – parte II
Incrível a sincronia entre as declarações de Ricardo Teixeira sobre Ronaldinho Gaúcho e a repentina enxurrada de matérias e entrevistas realizadas pela Globo com o jogador.
Vai Globo, não pára de lutar também!
Feroz é mato e eu sou o Bozo.
Ao som de The Dandy Warhols - Nietzsche
abraços aos queridos,