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12 de jul. de 2010

Chazinho de Coca - Apostar na Espanha era apostar no futebol. Parabéns, Espanha. E obrigado.


Texto: João Paulo Tozo
Foto: Reuters/ ESPN




A segunda-feira, 12 de julho de 2010, chegou. A televisão continua aqui posicionada, estrategicamente apontada para a minha mesa. Mas hoje ela não irá ligar, afinal a Copa do Mundo de 2010 acabou.

Depressão profunda para quem anseia por quatro anos pela overdose de futebol e pela incansável busca da boleirada pelo posto máximo do planeta bola.

Mais depressão ainda para quem espera que a arte do futebol possa ser expressa pelos melhores pés do esporte, e que ao final desse 1 mês de uma dose cavalar de futebol nas veias dos apaixonados por esse esporte, os melhores pés dentre os melhores do planeta possam enaltecer o jogo bem jogado.

Para o bem da Copa e do futebol, deu Espanha campeã.

Vale reafirmar o que digo há meses – “Nunca é por acaso o êxito de um time como o da Espanha”

Não teria sido também por acaso o êxito holandês, afinal ninguém elimina o Brasil e chega a uma final de Copa sem que haja merecimento.

Mas o merecimento espanhol passa muito mais pelo jogo bem jogado, pela ofensividade que principalmente nós brasileiros sempre apreciamos, pelo gosto em tratar bem a bola, do que pelo antijogo praticado pela Holanda, sobretudo na final.

Essa Espanha joga no lixo a infeliz tendência que algumas escolas do jogo bem jogado tentam emplacar hoje, de que é necessário mais força do que técnica para se atingir objetivos maiores.

E que objetivo e maior no futebol do que ser campeão do mundo?

A Espanha de Del Bosque fez o caminho inverso dessa triste tendência. Largou no passado aquele papo furado de “Fúria”, que tentava se fazer valer mais da força, daquele papinho mole de que cara feia assusta, quando na verdade você pode assustar muito mais quando a bola está em seus pés e quando esses pés tratam bem da Jabulani da Copa, da Jobulani da final de ontem.

Mostra ao mundo que essa conversinha de que entre ganhar jogando feio é melhor do que perder jogando bonito é desculpa, pois na verdade o mais legal é ganhar jogando bonito, tratando bem dos olhos do mundo.

Serve para acabar com essa discussão tonta de brasileiros que defendem a seleção que jogou bonito e perdeu em 82, contra os que amam a seleção que jogou feio mas ganhou em 94. Quando é muito mais legal jogar bem e ganhar, como a de 2002. Como poderia ter sido mesmo agora 2010.

Não, não é qualquer seleção que pode se dar ao luxo de jogar como a Espanha. Mas o Brasil pode, o Brasil deve. Torço para que agora essa tendência em embrutecer o jogo faceiro dos brasileiros seja posta nos anais do esporte como algo a não se seguir.

A Holanda poderia também, mas preferiu lesar a mítica de seu outrora “futebol total”, trazendo a tona a feliz – na infelicidade- definição de Paulo Vinicius Coelho durante transmissão da final pela ESPN, onde cunhou o “antifutebol total” dessa Holanda vice-campeã.

Rinus Mitchels deve estar P*** da vida onde quer que esteja.

Não a toa também que falo há tempos do jogo “a italiana”, tanto de Brasil, quanto da Holanda.

No duelo entre eles, a sorte holandesa morou na grande fase de Sneijder, contra a péssima fase de nossos “destaques”. Na letalidade de seus craques, contra a letargia dos nossos.

Mas contra a Espanha, essa sim, dona do atual futebol total, e com muito mais destaques letais, a Holanda sucumbiu.

Até conseguiu no inicio diminuir os espaços no meio campo espanhol, coisa que a Alemanha não foi capaz de fazer. Mas encontrou pela frente uma Espanha que não se limitou ao jogo pelo meio, tendo Sérgio Ramos aberto e acionado a todo instante pela direita. A Holanda perdeu-se dentro de sua mediocridade tática e passou a apelar para uma violência quase gratuita. Fosse pouca coisa mais corajoso e o juizão teria expulsado o lutador – de vale tudo – De Jong, quando este estampou a marca de sua chuteira no peito de Piqué. E estávamos ainda ano início do jogo.

Stekelenburg, destaque holandês na final, salvava a pátria em milagres contra Sérgio Ramos. Enquanto seus parceiros continuavam não querendo jogar.

Sneijder foi mais uma vez o sopro de racionalidade do time, mas bem marcado e mal acionado, viu-se limitado pelos integrantes do UFC que jogavam ao seu lado. Robben teve a bola do jogo, mas em má jornada deu a Casillas a chance de confirmar a sua grande Copa do Mundo e a condição de melhor goleiro da competição.

Fabregas que ao longo da Copa foi opção de luxo espanhola, fez a diferença quando entrou no lugar de Xabi Alonso. Vejam que Del Bosque sacou um volante e colocou um meia ofensivo. Nada de 6 por meia dúzia.

Outro dos tantos papinhos furados dos que preferem apostar sempre no óbvio a ter que olhar o que tem se jogado pelo mundo, começava a cair por terra. A Espanha não mais iria “amarelar” na Copa.

Mesmo com as penalidades mostrando-se cada vez mais próximas, cada vez mais injustas com o domínio espanhol, já na prorrogação Del Bosque mandou Torres a campo.

Terá sido por acaso que o gol da Copa saiu de jogada envolvendo Torres e Fabregas?

Claro que não. Como não foi por acaso que Iniesta, esse sim furioso, craque que cresceu quando a Copa exigiu que se crescesse, recebeu a bola do jogo, fez o domínio do jogo e fez o fuzilamento do jogo. Marcou o gol da Copa. O gol da história de um país que deixa de vez a síndrome de vira-lata no passado.

É o 8º sócio do restrito clube dos campeões do mundo. É o 8º, mas é o atual. Confirma em 2010 a sua condição de melhor seleção do planeta, condição que vem desde a Euro de 2008, mas que só agora pode enfim silenciar os que naquele título na viam nada mais do que uma “Grécia” do acaso.

O acaso não faz parte do histórico desse time. Um grande campeão do mundo nunca surge por obra do acaso.

E claro, para encerrar essa minha 1ª coluna sobre uma final de Copa, a 1ª desde o surgimento do Ferozes FC, não posso deixar de extravasar a minha satisfação em ter cravado há meses que a Espanha era a favorita da Copa de 2010. Que acreditar no futebol bem jogado nunca foi por acaso.

Certo como é o título espanhol, é também a certeza de que minhas apostas em grandes times nunca serão por acaso.

Obrigado a todos que acompanharam as nossas impressões ao longo dessa Copa do Mundo. Obrigado Espanha. Obrigado futebol.

Cheers,

7 de jul. de 2010

Chazinho de Coca - Nunca será a toa um time como a Espanha estar na final da Copa.

Texto: João Paulo Tozo
Foto: EFE


Nunca foram a toa as minhas apostas na Espanha. E não é o fato de acertar que me deixa com essa felicidade tremenda, mas sim o fato de que minhas apostas foram todas direcionadas ao time que mais me apresentava possibilidades de assistir a um futebol de técnica, de ofensividade, sem que isso impedisse a competitividade de seu jogo.


Entre jogar feio e ganhar ou jogar bonito e perder, eu sou muito mais jogar bonito e ganhar, como a Espanha.


Jamais é a toa a conquista de uma Eurocopa. Nunca é a toa ter 100% de aproveitamento nas eliminatórias da Copa. Nunca, jamais será a toa a minha torcida por um time que busca o gol a todo instante.


Do goleiro ao centroavante, não tem pernas de pau no time de Vicente Del Bosque. E nem mesmo a derrota na estréia da Copa, em um jogo onde o derrotado obteve 70% da posse de bola e massacrou o vencedor em seu campo de defesa, poderia ser objeto de questionamentos sobre o potencial da equipe.


Se na derrota foi absoluta, nas vitórias foi inquestionável. O time que lidera quase todas as estatísticas atropelou na semifinal da Copa a gigantesca Alemanha, sensação da competição até então.


Enquanto algumas seleções optaram por lesar seu histórico ofensivo recheando o meio campo com volantes e alguns pseudos craques, a Espanha de Del Bosque usa somente um volante de ofício, ainda assim, um Senhor volante – Busquets. Iniesta, Xavi e Xabi Alonso ficam mais soltos para trabalhar o jogo e obter sempre a enormidade numérica na posse de bola.


Em 3 toques a bola sai de Sérgio Ramos e já está com Capdevila do outro lado do campo. Na frente o artilheiro da Copa, Davi Villa, movimenta-se por toda parte, deixando Fernando Torres mais centralizado.


E tem mais essa. Torres não vive grande momento, já que vem de contusão. Imagina então sem “El Niño” estivesse na ponta dos cascos?


Hoje jogou Pedro em seu lugar, e apesar do gol absurdo perdido quando o placar já estava 1X0, a jovem revelação do Barcelona deu conta do recado.


Aliás, a diferença entre Alemanha e Espanha em suas campanhas até aqui era exatamente o centroavante. Ambas as seleções de ótimo toque, de manutenção da posse de bola, a Alemanha vinha tendo mais destaque exatamente por Klose estar concluindo as jogadas que do outro lado Torres não vinha conseguindo.


Então Del Bosque hoje veio com Pedro no lugar do camisa 9, tirou seus dois avantes de dentro da área e colocou uma correria incrível em cima de Lahm, Mertesacker, Friedrich e Boateng.


Joachim Low, ainda que sem Muller, errou ao recuar tanto o jogo de seu time desde o princípio. O meio campo alemão virou um playground onde os espanhóis fizeram o que bem entenderam. Com o meio campo a quilômetros de distância do ataque, a Alemanha só não foi presa fácil porque a Espanha respeitou demais os tricampeões do mundo.


Os espanhóis estão pela 1ª vez em sua história na final da Copa. Cheios de merecimentos, cheios de incontestáveis elogios e aplausos. Cheios de grandes jogadores, de um grande sistema de jogo. E cheios de apostas de gente apaixonada pelo futebol do ataque, como eu. Que há meses aposto na Espanha como a futura campeã do Mundo.


Nada é a toa. Como não é a toa a Espanha estar na final da Copa.


Cheers,

25 de jun. de 2010

Café com Leite na Copa: Chile e Espanha

Chile e Espanha fizeram um dos melhores jogos dessa primeira fase, bonito de ver, as duas seleções jogando pra frente, exato oposto do jogo entre Suíça e Honduras, que ficaram no zero a zero.
            E pra sorte do bom futebol a Suíça não se classificou, alguém precisa falar pros caras que o objetivo do jogo é marcar gols, coisa que fazem por acidente. Sei não, mas acho que jogador que faz gol naquele time pede desculpas pros companheiros, em francês, italiano e alemão.
            Mas tô aqui pra comentar o jogo dos figuras que falam castellano, duelo de metrópole e colônia, eu torcendo pro Chile, vizinhos e companheiros dessa desdita da História, mas a Espanha me conquistou durante o jogo, tavam batendo uma bola tão bonita quanto sua camisa azul, de triste memória para franceses e italianos, que fizeram feio na África do Sul.
            E ia ser uma injustiça os espanhóis ficarem fora da Copa, o time só tem craque de bola, a melhor seleção que o país da península produziu em muito tempo. Vai lá, comemorei os dois primeiros gols da Fúria, que mandou muito bem no primeiro tempo, botando os chilenos na roda, que perdidos em campo, só davam botinada pra lá e pra cá, tendo um jogador expulso. O sangue ferveu pros sul-americanos.
            O segundo tempo foi melhor pros chilenos, que não são nada covardes. Mesmo com um a menos o time não abdicou do ataque, o técnico argentino Bielsa é louco mesmo, nada de colocar volante pra perder de pouco, é isso aí, a tática deu certo e eles conseguiram fazer um gol e igualar as ações. Viu, Dunga?
            E era isso, oportunidades perdidas de ambos os lados, um jogo aberto que deu gosto de ver, nem parecia Copa do Mundo. O resultado de 2 x 1 garantia os dois times na próxima fase, e assim foi. Que posso dizer? Chupa, Suíça!
            Agora a Espanha pega Portugal, clássico ibérico. E o Chile enfrenta o Brasil, primeiro adversário de verdade da seleção canarinho. Vai por mim, não vai ser um jogo fácil, o time do Valdívia vai dar trabalho pra gente, anota aí.

16 de jun. de 2010

Café com Leite na Copa: Chile x Honduras e Espanha x Suiça

Texto: Beto Almeida
Fotos: UOL
Chile x Honduras

            O primeiro jogo do dia teve uma bela atuação do time chileno, que mostrou ser capaz de obter a classificação para a próxima fase. Apesar do adversário fraco (Honduras deverá ser o saco de pancadas do grupo), os chilenos mostraram muita movimentação em campo, sempre procurando o gol e desperdiçando muitas chances.
            Valdívia jogou muito bem, é o cérebro do time. Organiza as ações do ataque, municiando com passes precisos os atacantes Beausejour e Alexis Sanches, que são muito rápidos. Os chilenos começaram o jogo com muita vontade, partindo pra cima e criando boas chances. Os hondurenhos se seguravam como podiam, mas o gol do Chile era questão de tempo.
            E, aos 34 minutos, Isla foi acionado por Matías Fernandes, partindo em velocidade e cruzando na área para Beausejour, que de carrinho dividiu a bola com o zagueiro Mendoza, num bate-rebate que acabou em gol.
            O primeiro tempo acabou assim, 1 a 0 pro Chile, e olha lá que podia ser mais.
            No segundo tempo a pressão chilena continou, mas não conseguiu transformar esse domínio em mais gols. O goleiro hondurenho Valladares fez bela defesa em cabeçada de Ponce, numa defesa de puro reflexo que fez a alegria dos fotógrafos da partida.
            E o jogo terminou assim, com a vitória simples do Chile, que mostrou um belo futebol.



Espanha x Suíça

            E tai a primeira zebra da Copa. A Suíça ganhou da badalada Espanha por 1 a 0, gol de Gelson Fernandes no começo do segundo tempo.
            O time espanhol é aquilo, ninguém sabe o que acontece com a Fúria, atual campeã européia, que sempre amarela numa Copa do Mundo. Mas calma aí, não vamos dar os espanhóis como carta fora do baralho, foi a primeira partida e a Suíça, se não tem jogadores brilhantes, conta com uma organização defensiva surpreendente. Um verdadeiro ferrolho, tão eficiente quanto seus relógios.
            A verdade é que a Espanha jogou melhor o tempo todo, mas não conseguiu furar a defesa dos quejeiros. Não é tarefa fácil, mas senti que os espanhóis não tiveram criatividade suficiente para fazer o gol, falta um craque ao estilo de Messi no time espanhol, que abusou dos cruzamentos na área.
            Também pecaram na finalização, era cada chutão pra galera... Mas a Fúria impressionou pelo toque de bola, eles dificilmente erram um passe, mantendo uma posse de bola impressionante. Os suíços ficaram na deles, só na defesa e esperando encaixar um contra-ataque. E, numa das poucas oportunidades que tiveram, marcaram o gol.
            Agora resta a Espanha vencer seus próximos jogos para se classificar. Boto fé nos caras, o futebol só tem a ganhar com a Fúria no campeonato.

25 de jun. de 2009

Chazinho de Coca - Males que vem para o bem.

Ontem poucos minutos antes do jogo entre Espanha e EUA, meu camarada de blog, bares e outras empreitadas, Gustavo, chamou a mim e ao nosso outro comparsa , Rene e lançou um rápido bolão acerca do jogo. Com os seguintes chutes:

João Paulo Tozo: Espanha 4X0 EUA

Rene Crema: Espanha 4X1 EUA

Gustavo Dean: EUA vence a Espanha.

Salvo a “Chicolanguiada” nos placares arriscados por mim e pelo Rene,já que estávamos em um momento de descontração, a vitória Espanhola era certa para 99, 999999999% das pessoas, menos para o Gus (risos).

E não quero aqui falar sobre a forma com que a vitória estadunidense foi construída, mas falar do resultado em si e do que se sucedeu após o surpreendente resultado.

Do dia pra noite a Espanha deixou de ser o assombro do planeta e voltou a ser a eterna amarelona. Não é para tanto, meus caros. Por poucos eles não superam o recorde de invencibilidade que hoje é do Brasil. Isso é muito significativo.

Esqueçam a Grécia campeã da Eurocopa, na maior zebra do futebol de todos os tempos. Ninguém vence o 2º mais importante torneio de seleções por acaso. É lógico que cair do cavalo como caíram os espanhóis ontem não é lá uma delícia. Mas seria muito pior cair quando de fato a coisa estiver valendo, lá em 2010.

Essa Copa das Confederações não quer dizer muita coisa não. Pegando apenas 2 exemplos bem vivos para nós. A França campeã do Mundo em 98, campeã da Eurocopa em 2000, o bicho papão do mundo. Chegou na Copa das Confederações em 2001 com toda a soberba que o seu favoritismo lhe permitia ter, sem Zidane. Atropelou todo mundo, com direito a eliminar o Brasil, (para variar) nas semifinais e vencendo o anfitrião Japão na final. Marcou 11 gols e sofreu apenas 2. Robert Pires jogou muito naquela edição.

Em 2002, com Zidane no time, era a favorita ao bi na Copa do Mundo. Zidane, machucado, participou somente do 3º jogo e só com uma perna, e a França deu adeus na 1ª fase sem marcar um golzinho sequer.

Em 2005 o assombro da vez era o Brasil, atual campeão do mundo, campeão da Copa América, trouxe na bagagem a vice-campeã Argentina para ser a representante sulamericana naquela edição. Quarteto mágico, super time, tudo quanto é tipo de Ronaldo. Classificou-se em 2º no seu grupo, deixando a liderança para o México. Nas semifinais despachou os alemães, donos da casa e na final massacrou os pobres hermanitos por 4X1. Terminou com 12 gols marcados e 5 sofridos.

Em 2002, a preparação para a Copa foi patética, um circo completo. O tal do quarteto mágico desandou e mais uma vez fomos eliminados pela França de Zidane.

Tivessem França e Brasil caído de seus esbeltos cavalos nas Copa Das Confederações que venceram e talvez tivessem detectado as falhas que o mundo todo enxergou e se preparou para atacar nas Copas em que ambas prestaram papelote frente aos olhos atônitos dos fãs da bola.

Seriam males muito bem vindos.


Ontem a Espanha mostrou que não é imbatível, mas não deixou de ser um timaço e favorita em 2010 por causa dessa derrota. Da mesma maneira que o Brasil não é essa 8ª maravilha do mundo só porque bateu nas secundárias seleções uruguaia, egípcia e paraguaia e porque se aproveitou de uma desesperada Itália, que precisou fazer o que não sabe, atacar. Justamente o que não pode fazer nenhuma seleção quando o oponente é o Brasil de Kaká, Ramirez, Luis Fabiano e Robinho, a não ser a Espanha, que tem efetivamente uma característica e muita qualidade ofensiva.

Alguém realmente acha que em um hipotético reencontro com os brasileiros em 2010, a Itália irá se atirar toda ao ataque e deixar o seu campo aberto para o passeio das individualidades brazucas? Pense bem.

Hoje, se a África do Sul se meter a besta e partir pra cima, a seleção Teixeiristica mete uns 4 no time do Natalino. Se ficar na sua, fechadinha e esperando uma atitude do time do Dunga, poderão se valer da falta de visão do técnico verde e amarelo e, quem sabe, arrancar um empate, levar para os pênaltis. Quem sabe repetir o feito estadunidense? Acho difícil. Mas o impossível não existe no mundo da bola. Vide a Espanha.

Chulipa Castiga - A derrota da soberba!


O mundo da bola se surpreendeu mais uma vez ontem, de novo o esporte futebol da uma olé em todos os seus profundos conhecedores, quando todos ja se preparavam para ver uma batalha de tamanho épico dentro das 4 linhas entre a seleção campeã da Europa, Espanha, e a seleção maior do Mundo, Brasil, apareceu os Estados Unidos pra melar a festa.

Diante de uma seleção paparicada, que não perdia a 35 jogos, vencendo seus ultimos 15 duelos, os americanos se agarraram num item que todos que admiram o futebol ignoraram, a dedicação tática, garra e superação. Não deve ser fácil estar sempre fora de um esporte que é jogado, falado e cantado em verso e prosa por todo o globo terrestre, culpa deles mesmo, que ignoram a bola, mas não é isso que quero discutir aqui.

Óbvio que todos esperavam pelo grande final, e ao invés de retalhar e Espanha, que tem sim, um grande time, mas que ontem, ja entrava em campo pensando no Brasil, foi punida pela bola, e por eles mesmos.

Eles, os espanhóis, que no primeiro gol, ajudaram no belo passe de Dempsey para Altidore, este que sapecou um canudo pra cima de Casillas, que até tentou, mas a queima roupa é dificil, e no segundo, bem, o segundo foi uma falha bisonha pra uma seleção que ja respirava o ar da final, sem ao menos te-la conquistado, um cruzamento de Donovan, a bola rebate na zaga, e sobra pra Sérgio Ramos (o bode expiatório da triste derrota), que ao invés de dar um chutão raçudo pra frente, confiando no seu belo futebol, dominando de forma bisonha a bola na área, mas não contava que Dempsey, mais uma vez com muito oportunismo, estava ali pra se aproveitar de tamanha bobeira, EUA 2 a 0 no dream team Espanhol.

E assim, numa dessas molecagens da vida, a Espanha que um dia surpreendeu os americanos no basquete, levou o troco no futebol.

E hoje, nossa seleção com certeza estará muito mais ligada depois que presenciou a verdade da bola, que ela pune quem já se considera o vencedor sem ao menos ter batalhado por isso!

Parabéns EUA sim, pelo empenho e dedicação, e com certeza, o respeito que tiveram pelos espanhois. E esses, levaram uma lição talvez mais valiosa que o título da Copa das Confederações, a lição da humildade!

Os gols da partida!

29 de jun. de 2008

Chazinho de Coca - Após 44 anos, a Espanha reconquista a Europa.

Após 44 anos, a Espanha reconquista a Europa.

Na competição que muitos consideram a Copa do Mundo, sem Brasil e Argentina, a Espanha deixa a síndrome de amarelar em decisões de lado e com propriedade, qualidade e muita personalidade, bate a temida Alemanha e é campeã da Eurocopa pela segunda vez na história.

Com todo respeito que Grécia e Portugal merecem, mas é impossível não salientar a evolução no futebol apresentado pelas seleções européias na edição 2008 da Euro e a diferença entre aquela final e a desse ano entre Alemanha X Espanha. Em 2004 a Grécia assombrou o mundo ao chegar a final da Euro, depois de mostrar um futebol pragmático e extremamente defensivo durante toda a competição. Para piorar, bateu Portugal na final, que além de donos da casa, ainda eram apontados como favoritos. O bom futebol estava em cheque.

A edição de 2008 começou com a desconfiança de boa parte da imprensa e dos torcedores, mas logo nas primeiras partidas, percebeu-se que o fantasma do futebol de resultados estava sepultado. Holanda, Portugal, Rússia, Alemanha e Espanha nos brindaram com belas partidas, com craques e principalmente com gols, muitos gols. Elas sobraram até que começaram a se encontrar nas fases finais e, apesar de algumas surpresas, chegou a final quem fez por merecer.

A Alemanha chegou a sua maneira, com futebol calculado, precisão cirúrgica e principalmente devido à ótima fase de Schweinsteiger, Metzelder, Lahn e Ballack.

A Espanha mostrou, ao lado da Holanda, só que com mais eficiência, o melhor futebol da competição. Destaques individuais foram muitos, principalmente Xavi, Marcos Senna, Casillas, Fernando Torres, Fábregas e, sobretudo, Davi Villa. O técnico Aragonés também teve grande mérito na campanha.

Na grande final, o domínio da Espanha foi flagrante durante toda a partida. Com um gol assinalado por Torres ainda no primeiro tempo, a Fúria começou a espantar a síndrome de vira-lata antes que a Alemanha pudesse colocar seu competitivo futebol em prática. O resultado foi um massacre territorial da Espanha, mesmo sem seu grande destaque na competição, Villa, que machucado deu lugar a Fábregas.

Schweinsteiger não repetiu as belas atuações, Ballack sumiu, Klose pouco tocou na bola e mesmo depois das entradas de Kuraniy e Mario Gómez, a Alemanha pouco produziu. Pelos lados espanhóis, Marcos Senna comeu a bola, Xavi e Fernando Torres também jogaram muito. A vitória por 1X0 foi pouca pela diferença entre as duas equipes, mas foi suficiente para coroar a melhor equipe da competição. Aquela mesma que é sempre colocada de lado nas apostas das grandes competições, aquela que vive com o estigma de vira-lata, a Espanha, que depois de muito tempo, fez valer a alcunha de Fúria.

Chega ao fim a melhor edição de Eurocopa dos últimos tempos. Nenhum grande gênio surgiu, mas muitos bons jogadores se destacaram e fizeram a diferença. Mas principalmente no aspecto tático. Vimos uma Holanda assombrando as poderosas Itália e França. Uma seleção portuguesa mostrando um grande futebol. Uma Alemanha abandonando o pragmatismo de sempre e partindo pra cima. Uma jovem e promissora seleção russa e principalmente a espetacular geração espanhola, que se já foi um assombro em 2008, promete muito mais para 2010.

Uma Euro histórica, com grande futebol e um campeão cheio de brilho. Essa Euro vai deixar saudades.

Ao som de White Stripes - Seven Nation Army

Um enorme abraço,

26 de jun. de 2008

La Mano de Dios - One-hit band

One-hit band

Meus amigos, sabe aquelas bandas que emplacam um hit no rádio, tocam no Faustão, no Raul Gil e o escambau e no fim vendem poucos discos? Aquelas bandas que todo mundo sabe cantar uma música, mas apenas uma? Pois é, no futebol esse tipo de banda é a Espanha.

Parem para pensar: toda Copa, todo campeonato que disputa, a Espanha vem com um timaço, ganha de goleada na primeira fase, dá show, tem craque e mesmo assim não ganha nada. Todo mundo se anima com a Fúria, todo mundo se preocupa com a Fúria e no fim das contas nem na praia ela chega.

Pois é, parece que essa história está para mudar. Desde o começo da Eurocopa a Espanha mostrou que não está para brincadeira. Goleou a Rússia, passeou em cima da Grécia e da Suécia. Até aí, nenhuma novidade para essa one-hit band do futebol. Vieram as quartas e o que parecia impossível aconteceu: a Espanha passou pela Itália. Tá bom, muitos vão dizer que a Itália não era lá aquelas coisas, mas mesmo assim quatro Copas do Mundo pesam. Veio a semifinal e a Fúria pegou a Rússia, sensação do campeonato, time comandado pelo gênio Guus Hiddink, esquadrão que despachou a Holanda e seu belo futebol. Tudo levava a crer que a sina espanhola finalmente iria se concretizar.

Mas que nada. A Fúria deu baile. Marcando no campo do adversário, anulando Arshavin e Zhirkov, matando os contra-ataques puxados por Salenko, o time de Sergio Aragonés mostrou decisão e qualidade. No segundo tempo só a Espanha jogou e a partida terminou com uma sonora sapecada de três a zero.

Meus amigos, parece que finalmente a Espanha vai emplacar mais que um hit. Agora ela pega a Alemanha na final. Alemanha que é sempre aquela coisa: vem tímida, mas vem. Chega lá como quem não quer nada e leva. Mas dessa vez, não tem jeito, tá na hora da Espanha ganhar seu disco de ouro.

Rapidinhas: uma constatação e uma pergunta sobre essa Euro. Guus Hiddink é gênio. E por que raios Fabregas é reserva?

Ao som de AC/DC: Problem Child.

Chazinho de Coca - Saldo das semifinais da Euro 2008.

Saldo das semifinais da Euro 2008.

Alemanha 3 X 2 Turquia

Infelizmente não pude acompanhar a partida, somente os melhores momentos. Mas a minha expectativa, principalmente pelo fato da Turquia ir a campo quase sem reservas, era de que algo mambembe fosse ocorrer pelos lados turcos. Qualquer coisa que não uma goleada alemã, já seria surpreendente. Mas a Turquia mostrou força, mostrou brio e acima de tudo, mostrou qualidade. Encarou a poderosa Alemanha de igual, abriu o placar, permitiu a igualdade em 2X2, mas ao final sucumbiu diante de um rival mais forte, mais inteiro, mais acostumado a decisões, mas caiu de pé, bravamente.

A Alemanha mostra poder de chegada, mas isso já é de esperar de uma Alemanha. Para ficar com o título vai precisar de mais, muito mais.

Espanha 3 X 0 Rússia

Para muitos, onde eu me incluo, a Rússia chegou com ligeiro favoritismo, principalmente por eliminar, de forma tão espetacular, a até então favorita Holanda. A Espanha destroçou qualquer favoritismo russo e aplicou 3X0 sem grandes dificuldades.

Zirkhov não foi tão bem quanto nas outras partidas, Pavlyushenko bem que tentou, mas as bolas não chegavam até ele. Mas a grande decepção ficou por conta daquele que do dia pra noite tornou-se a menina dos olhos dos grandes clubes da Europa – Arshavim.

No primeiro tempo houve até um ligeiro equilíbrio, mais acentuado com a saída de Villa, contundido. Em seu lugar entrou Fábregas, fora de sua posição de origem. Fernando Torres isolou-se no ataque e o meio campo espanhol ficou muito congestionado, não conseguindo organizar boas jogadas para Torres. A Rússia chegou a ameaçar nesse momento, mas Casillas estava em noite inspirada.

Na volta do segundo tempo, Aragonés acertou o meio campo espanhol, soltou Fábregas e avançou Xavi. O resultado foi um massacre territorial da Espanha e uma Rússia perdida em campo. Arshavim que já era figura inoperante tornou-se invisível. Gus Hiddink parecia incrédulo, mas também pouco fez para alterar o panorama. Com isso a Espanha chegava de todas as formas, do jeito que queria. Logo o placar começou a ser construído e os 3X0 ao final, coroaram a sensacional atuação espanhola no segundo tempo.

Agora vem a final contra a Alemanha. Será que dá pra apostar na Espanha como favorita? O favoritismo dado à Holanda, à Croácia e à Itália caíram por terra. Alguém se arrisca?

Ao som de Suede - Stay Together

abraços,

22 de jun. de 2008

Chazinho de Coca - Eurocopa 2008. Saldo das Quartas de Final.

Eurocopa 2008. Saldo das Quartas de Final.

Eram quatro espetaculares duelos, cada um deles com seus respectivos favoritos, os quatro vão assistir as semifinais de casa. Coisas que só o futebol pode proporcionar.

Alemanha e Portugal protagonizaram o primeiro duelo dessa fase. A seleção portuguesa era uma das sensações, tinha o melhor jogador do mundo, outros grandes jogadores e Felipão no banco. Por essas e outras, era apontada por muitos como favorita no duelo. Do outro lado estava a Alemanha, o que por si só já joga por terra qualquer favoritismo iminente de qualquer adversário, mas era também a Alemanha de Ballack, de Schweinsteiger, de Podolsk e esses fatores somados fizeram a diferença.

Os primeiros 30 minutos da Alemanha foram infernais e praticamente determinaram a sorte do jogo. Portugal reagiu, equilibrou a partida em certos momentos, mas suas principais armas não funcionaram, as da Alemanha decidiram e o jogo terminou 3X2.

O segundo jogo foi entre Croácia e Turquia. A partida foi terrível, de um nível técnico sofrível. A Croácia tem condições de jogar mais, mas parece se contentar com pouco. A Turquia fez o papel de franco atirador. Um jogo truncado, feio, sem emoções, que continuou da mesma maneira até os 28 minutos da prorrogação, quando numa saída errada do goleiro turco, permitiu um gol que foi praticamente um “golden gol”, devido a proximidade do desfecho da partida. Festa, choro, torcida eufórica, era a Croácia nas semifinais da Euro...era! Num daqueles momentos que só o futebol consegue nos proporcionar, já nos acréscimos da prorrogação, passados cinco segundos do tempo determinado pelo juizão, a bola sobrou na entrada da área, um tiraço a meia altura, suficiente para tirar do goleirão croata – gol da Turquia, da mesma Turquia que já havia conseguido um milagre diante da Rep. Tcheca. E de repente, um jogo que até então era morno, arrastado, chato, tornou-se mais um épico para ser lembrado por muitos e muitos anos.

Na decisão por pênaltis, o momento psicológico era todo favorável aos turcos. O que ficou comprovado nas três cobranças erradas dos Croatas e na reabilitação do goleiro Hustur, que passou de vilão a herói e levou a Turquia a uma inédita semifinal de Euro.


Holanda e Rússia nos brindaram com a melhor partida das quartas. A favoritíssima ao título Holanda entrou tentando imprimir seu ritmo de jogo, mas logo de cara encontrou a primeira seleção da Euro que a encarou de igual para igual. Com uma marcação adiantada e dia inspiradíssimo do trio Pavlyuchenko, Arshavin e Zirkhov, foi a Rússia quem ditou o ritmo do jogo, não permitindo que a Holanda organizasse seu meio campo e nem mesmo ousasse armar seus mortais contra ataques, mas ainda assim, não se podia apontar um domínio por parte da Rússia, o que ficou comprovado pelo 1X1 ao final do jogo.

Se no tempo regulamentar o equilíbrio predominou, na prorrogação a surpreendente Rússia deitou e rolou e colocou a até então sensação da Euro, na roda. Os 3X1 ao final da partida mostraram bem o que foi a partida. A Laranja Mecânica foi espremida pela Montanha Russa e mais uma vez ficou pelo caminho.

O quarto jogo marcou o duelo entre a eterna favorita Itália e a eterna candidata a “grande”, Espanha. O jogo foi feio, sem grandes emoções, com cara de Itália e nada favorável ao bom futebol demonstrado pela “fúria” até então. Um arrastado 0X0 no tempo normal e também na prorrogação. Ao menos nos pênaltis tivemos algum destaque e foi o goleirão da Espanha, Casilas, que defendeu duas penalidades, enquanto Buffon pegou uma. A Espanha momentaneamente esquece a síndrome de cavalo paraguaio e pode, quem sabe, se firmar como uma verdadeira potencia do futebol. A Itália, pelo futebol que não jogou nessa Euro, foi até longe demais.

As semifinais da Euro 2008 começam na próxima quarta-feira e os jogaços serão os seguintes:

Quarta-feira – 25/07: Alemanha X Turquia

Quinta-feira – 26/07: Espanha X Rússia

E aí, meus queridos, em quem vocês apostam? Eu não falo mais nada, até pra não zicar nenhuma das seleções que chegaram bravamente até aqui. Afinal, Portugal, Croácia, Holanda e Itália eram minhas favoritas e agora vão acompanhar o resto da competição de casa. Por sorte eu não sou de apostar dinheiro.

Ao som de The Dandy Warhols - Heavenly

Ótima semana para todos,