Texto: João Paulo Tozo
Feliz por que seu time está no G4 do BR10? Se a vaga na Libertadores te deixa contente, então torça pra que ele fique pelo menos em 3º.O G4 foi pro espaço.
A partir de agora o país do time campeão da Libertadores perde a vaga extra, que era a 4ª vaga do BR até ontem.
Bem a cara da Conmebol mudar as regras no meio das competições, embora a Libertadores tenha virado um torneio inchado e cheio de time meia boca nos últimos anos e a medida vá diminuir um pouco isso.
Lembro-me que até o final dos anos 90, para se chegar à maior competição de clubes do continente o time precisava ser campeão, nem vice chegava. Só o campeão da Copa do Brasil e do Brasileirão, só, sem choro. O que dava a Libertadores um nível técnico MUUUUITO maior que o que temos aí hoje.
A medida é uma boa, mas não acho justo que se mudem as regras em meio às competições. Estoura planejamento, arrebenta projeções.
As vagas agora são distribuídas da seguinte forma:
Campeonato Brasileiro – 3 vagas
Copa do Brasil – 1 vaga
Além da Sulamericana, que agora garante ao campeão uma vaga na Libertadores. Pelo menos até o fechamento dessa coluna.
22 de set. de 2010
CHAZINHO DE COCA - O G4 FOI PARA O ESPAÇO.
15 de jul. de 2009
Final Chulipa - Libertadores da América, a grande final!

Pois é leitores e leitoras, hoje veremos o último capítulo da Copa Santander Libertadores de 2009, de um lado a escola mineira, brasileira, de Kleber, Wagner, Ramirez, Marquinhos Paraná, Fábio, e do outro a escola Argentina, de "La Brujita" Juan Sebastián Verón.

O primeiro jogo em La Plata terminou em 0 a 0, mas isso não significa que o titulo mineiro será fácil, o Estudiantes tem um time muito rápido e envolvente na frente, já a defesa celeste não é tão confiável assim, porém, o meio campo é seguro e o ataque com Kléber o "Gladiador" é fatal.

PS. Provavelmente atleticanos e são paulinos irão secar o Cruzeiro hoje, o primeiro pela imensa rivalidade e o segundo para não terem a marca de 3 titulos continentais igualados pelos mineiros, curioso é que ambos estarão frente a frente pelo Campeonato Brasileiro nesse meio de semana.
Eu aposto no titulo celeste.
16 de jun. de 2009
Dia 16 de junho de 1999
Todo dia 26 de agosto, desde 1914, a comunidade alviverde espalhada pelo país e pelo mundo comemora a data de fundação de sua agremiação tão querida.
Desde o dia 20 de setembro de 2005, quando a Câmara Municipal de São Paulo aprovou tal data como O Dia do Palmeiras, a mesma comunidade exalta a sua palestrinidade tão latente.
Nem todos se lembram, mas no dia 14 de setembro comemora-se o dia em que a Societá Palestra Itália tornou-se Sociedade Esportiva Palmeiras. Naquele longínquo 14 de setembro de 1942, o Palestra Itália morreu líder, e uma semana depois deu lugar ao gigante Palmeiras, que já nasceu campeão. Exatamente no dia 20 de setembro de 1942.
Anos, títulos e histórias se passaram ao longo dos anos que sucederam esse 14/09/42, até que uma nova data entrou para a história desse alviverde tão imponente:
Dia 12 de junho de 1993. O dia dos namorados mais doce da vida de qualquer palmeirense. A data que marca o fim da agonia, o fim de uma fase de trevas, o fim da angustiante fila de 17 anos, justamente contra o maior rival. O Palmeiras iniciava uma nova fase de glórias e conquistas, enchendo uma vez mais o seu já abarrotado salão de troféus com quase tudo o que era possível conquistar. E eu disse quase tudo.
Faltava algo. Faltava aquela taça. A obsessão em torno daquele feito pendente era devastadora, principalmente a cada insucesso nas trajetórias em busca dessa tão sonhada conquista. Ela não faria do Palmeiras maior, assim como não o fazia menor antes de tê-la. Ela era simplesmente a somatização dos sonhos de tantos outros palestrinos que tantas vezes bateram na trave dessa conquista. Dos esquadrões esmeraldinos de 1961 e 1968, que ficaram a uma mãozinha de erguer a tão dignificante conquista. E depois, de outros esquadrões que naufragaram muito antes do que suas condições lhes condicionavam.
E então foi realizado, enfim, um planejamento focado nesse objetivo. Alguns craques, outros guerreiros, um líder agregador e um santo.
As muralhas a serem vencidas, muitas vezes pareciam intransponíveis. Poderiam ser para muitos, não para aquela linha com atacantes de raça. Os inimigos eram poderosos, mas tornavam-se cada vez menos eficazes diante daquela defesa que ninguém conseguia passar de forma mortal.
E então surge diante desse grupo tão diversificado com elementos humanos e divinos, o grande
rival, o mesmo do 12 de junho de 1993. Mais uma vez eles, fortíssimos, tão poderosos quanto, tão ambiciosos quanto. Um épico foi escrito na história do futebol. Ali foi disputado um campeonato à parte, onde o campeão ganhou a credencial necessária para se sentir realmente invencível e partir forte rumo ao grande objetivo. Foi naquele épico que um humano tornou-se santo. E que o general do esquadrão transformou um time de futebol em família.
Uma data que completa hoje 10 anos. Que faz do mês de junho tão especial quanto o de agosto, quanto o de setembro. Que ao lado daquele dia dos namorados de 1993, adoçou a alma da coletividade, da torcida que canta e vibra, pelo seu alviverde inteiro e imenso, brasileiro desde 14 de agosto de 1914, condição afirmada e destacada em 12 de setembro de 1942.
16 de junho de 1999 é a data. A Taça Libertadores foi a obsessão alcançada. E benditos sejam:
Santo, Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Zinho e Alex (Euller);Paulo Nunes e Oséas (Evair). Uma família comandada pelo General: Felipão.

Cheers,
13 de nov. de 2008
Chazinho de Coca - Proposta de valorização da Sulamericana. Com golpe?
Proposta de valorização da Sulamericana. Com golpe?
Parece que o evidente descaso que os clubes brasileiros tratam a 2ª competição continental fez o pessoal da Conmebol se mexer.
Além do baixo valor pago ao vencedor, atualmente a competição não oferece mais nada ao campeão. Muitos dirigentes, técnicos e demais personagens cobram uma valorização da Copa Sulamericana, até para que ela possa ser inserida no cronograma anual das equipes e que valha um planejamento adequado.
Surgiu ontem, uma movimentação nos gabinetes obscuros da entidade que comanda o futebol sulamericano, para que a competição passe a dar direito ao campeão de disputar a Recopa, com possibilidade de, em caso de vitória, obter vaga na Taça Libertadores do próximo ano.
A valorização é essencial e a proposta pode ser boa – pode, desde que se leve em consideração alguns pontos.
Há uma tendência nas competições mundiais, como a Copa do Mundo e a Champions League, de que o campeão não tenha a vaga na próxima edição garantida. Nessas duas competições isso já ocorre. Contudo, caso o campeão da Champs não consiga garantir sua vaga na disputa de sua competição nacional, ele tem o direito de disputar uma espécie de repescagem contra algum time de um país inexpressivo no cenário da bola e fatalmente consegue a vaga.
Mas será que vale a pena copiar tudo o que se faz lá fora por aqui? Pergunto, pois a proposta de valorização da Conmebol visa colocar o campeão da Sulamericana para disputar a vaga na próxima Libertadores, com o atual campeão dessa competição.
É justo? Não seria mais razoável colocar o vice-campeão da Libertadores nessa disputa? Até para que o vice, que batalhou tanto quanto o campeão, não saia de mãos abanando e tenha recompensado seu esforço, seu planejamento?
Acredito que antes de se criar uma nova disputa do tipo, seja necessário readequar certos aspectos das duas competições. O número de vagas por país na Libertadores é enorme. A Venezuela, por exemplo, que nem tem o futebol como esporte principal, tem direito a 3 vagas na competição. Brasil e Argentina tem 5, podendo chegar a 6, caso aconteça do campeão passado ser de um dos países. É muita coisa. Até poucos anos classificavam-se apenas o campeão brasileiro e o da Copa do Brasil, ou seja, apenas os mais poderosos times do país. Na minha opinião caberia aí também o vice-campeão brasileiro, e nada mais.
Os outros times que terminarem a competição na atual faixa de classificação da Libertadores, disputariam a Sulamericana, tornando-a mais forte e atrativa e valorizando o campeão.
Enfim, idéias e propostas deve haver milhares, uma melhor do que a outra. Mas o que não pode acontecer é de se fazer valer essa proposta na atual edição da Sulamericana, como dizem, pretende fazer a Conmebol . Não é justo desclassificar a LDU, atual campeã da Libertadores e já contida no calendário 2009 da competição e fazê-los disputar a vaga com o campeão da Sulamericana desse ano. Isso seria golpe e um dos atos mais infelizes dos engravatados sulamericanos.
Sou a favor da valorização, mas que seja feita ordenadamente, sem atropelos e sem golpes.
Abraços,
3 de jul. de 2008
Eu NÃO acredito
Laranjeiras
Sobrenatural de Almeida
Maquina Tircolor
Casal 20
Romerito, craque paraguaio
Gol de barriga
Terceira Divisão
Nelson Rodrigues
Renascimento
Libertadores
São Paulo (no úlitmo minuto)
Mistica tricolor
Boca Juniors
LDU
3x1
Thiago Neves 3 vezes
Derrota nos pênaltis
Lanterna no Brasileirão
E tudo que resta a Torcida do Flu nessa triste quinta feira é dizer:
Eu NÃO acredito.
Coisas do Futebol.
5 de jun. de 2008
La Mano de Dios - 'Pras cabeças
'Pras cabeças
Meus amigos, não venham me falar que sorte não existe no futebol. Só mesmo muita sorte para fazer o não mais do que bom Fernando Henrique pegar tudo ontem no Maracanã. Só mesmo a sorte para sacramentar o resultado com aquele gol de Conca. Sim, porque depois daquele gol o Fluminense classificou-se.
Arouca mais uma vez marcou individualmente Riquelme. Se no primeiro jogo o craque argentino botou o volante brasileiro para dançar tango, dessa vez o camisa 10 do Boca não jogou. Méritos de Arouca, mas também muita sorte, pois Riquelme visivelmente não estava 100%.
Cícero entrou no ataque e o meio foi todinho do Boca, que tocava a bola com calma, abrindo os espaços frente a quase 70 mil bocas tricolores que em alguns momentos calaram-se de medo. Mas os gols não saíam, mesmo com o corredor aberto na direita do Flu, que permitia a Dátolo abusar da categoria e cruzar quantas bolas quisesse.
Sorte que fez com que Thiago Silva tirasse todas, um gigante na zaga, mesmo abusando dos chutões. Além de ter tirado em cima da linha uma bola com endereço certo. É muita sorte para um time que jogou pior em casa do que na Argentina.
Também não podemos negar, foi muita sorte Palacio não ter rendido metade do que costuma render, Riquelme não ter acertado metade dos lançamentos e nenhuma das cobranças de bola parada.
Amigos, não venham me dizer que eu afirmei semana passada que só sorte não ganharia esse jogo. Eu lembro muito bem do que escrevi e mantenho o que disse. Por isso, não posso deixar de acrescentar, não foi só a sorte que definiu a partida de ontem. Foi também muita fibra de Washington, muita categoria do Coração de Leão naquela cobrança de falta; muito oportunismo do experiente e liso Dodô ao sofrer a falta e roubar aquela bola; muita garra e talento do argentino Conca; muita competência da zaga com Thiago Silva, absoluto na área; muita habilidade de Cícero. E - por que não? - muita presença de Fernando Henrique, que mais uma vez foi o responsável pelo resultado.
Meus amigos, agora não tem jeito, "vamos 'pras cabeças", como diria o sábio. É Flu campeão da Libertadores, Fernando Henrique na Seleção e que venha o Manchester no fim do ano. Porque depois de ontem, eles merecem!
Ao som de Bob Marley & The Wailers - Get Up, Stand Up.
Rapidinhas: se o Corinthians tivesse saído ontem com o placar de 3x0, poderia fechar a tampa do caixão e botar as duas mãos na taça. Mas com o gol do Sport aos 47 do segundo tempo, nada está definido. Afinal, o Leão é absoluto na Bombonera do Recife. Mais uma batalha para o time do Corinthians, para quem nada vem sem muito sofrimento.
Thiago Neves jogou ontem? Fora uns passes em contra-ataques, o jogador esteve longe de mostrar a categoria que tem. Assim como alguns outros excelentes jogadores que atuam no Brasil, o cara sumiu quando o time mais precisava. É isso que faz dele - e de outros - excelente, e não craque.
Os dois Lados da Moeda: 2 vezes 3x1
2 x 3x1
Nem Fluminense nem Corinthians garantiram títulos mas, confirmando-se as melhores expectativas das torcidas nas próximas partidas contra LDU e Sport, a noite de ontem tem tudo para entrar para a galeria dos grandes momentos das duas equipes
Então comecemos com a advertência: “confirmando-se as melhores expectativas das torcidas”, ou seja, em que pese grandes resultados de ontem, de nada valerão a vitória heróica do tricolor carioca sobre o Boca Juniors ou a grande apresentação do Alvi Negro do Parque São Jorje contra o Sport de Recife se essas equipes não confirmarem essas atuações nas partidas decisivas da Libertadores e da Copa do Brasil, respectivamente
Aos jogos.
Fluminense x Boca Juniors
Todos os gols no segundo tempo. O Flu conseguiu um resultado interessante na partida de ida (2x2) e o Boca chegou sem se intimidar com os mais de 80 mil torcedores que lotavam o Maracanã. O primeiro tempo foi amplamente dominado pela equipe portenha, ainda que esse tal domínio não tenha se convertido em gols.
No segundo tempo a coisa foi diferente: O Boca abriu o placar as 12 minutos e o Flu conseguiu empatar com Washington, em bola parada, pouco tempo depois. O gol possibilitou que a equipe do Rio mantivesse certa tranqüilidade e, com a entrada de Dodô, o Flu reforçou seu contra-ataque. O (mais espetaculoso que e espetacular) goleiro Fernando Henrique, teve outra grande atuação e resguardou a meta tricolor do persistente bombardeio da equipe argentina. No contra-ataque o Tricolor marcou seu segundo gol, com um chute (e com a sorte) de Conca e, nos descontos, Dodô deixou o seu: 3x1.
A torcida do Flu, ávida por um grande título depois de anos e anos de letargia, tem algo a comemorar, sem dúvida. Mas com comedimento. Toda essa grande alegria pode converter-se em proporcional tristeza caso o Tricolor não confirme suas boas apresentações nas finais contra a LDU e, como se sabe, oba-oba é o caminho mais curto para um resultado final frustrante.
Corinthians x Sport
Quando a estrela brilha e a Fiel empurra fica difícil de o Corinthians ser domado. Isso foi o que se viu ontem no Morumbi, na primeira partida da decisão da Copa do Brasil.
Com pouco mais (ou pouco menos) de vinte minutos do primeiro tempo o jogo já estava 2x0 para a equipe do parque São Jorge. Suspeitei de uma goleada para o time dos artilheiros da noite até então, Herrera e Dentinho. Isso não acabou se concretizando, especialmente em vista da maior eficiência apresentada pelo Sport na segunda etapa da partida.
A melhora do rubro-negro de Recife, no entanto, não impediu que Acosta deixasse o seu, depois de grande jogada de Herrera, que roubou a bola e enfiou grande passe para o uruguaio marcar.
No final o Leão anotou o seu, gol que mantém o time vivo e forte para o confronto na Ilha do Retiro.
O Corinthians conseguiu o que precisava: um time aguerrido, que “não para de lutar” com o espírito da raça – outrora encarnado em jogadores como Biro-Biro e Wilson Mano – incorporado e representado pelo argentino Herrera. Pelo que vimos dos jogos da série B, o Alvi Negro do parque São Jorge já está garantido para a série A do Brasileirão 2009. Conquistar um título nacional e uma vaga na Libertadores ainda em 2008 é mais que qualquer corinthiano podeira sonhar alguns meses atrás.
4 de jun. de 2008
Chazinho de Coca - Mais uma quarta-feira de decisões.
Mais uma quarta-feira de decisões.
Chegamos a mais uma quarta-feira recheada de partidas importantes. Em São Paulo, Corinthians e Sport começam a decidir a Copa do Brasil. No Rio de Janeiro, o Fluminense recebe o Boca Jrs para a segunda partida da semifinal da Libertadores. Caso o Flu passe pelo Boca, teremos então mais duas quartas-feiras de festa, caso contrário somente mais uma. Depois disso os domingos voltarão a ser os dias mais importantes do futebol brazuca e o Brasileirão, o foco e todos os clubes.
Fluminense X Boca Jrs
Com o excelente resultado obtido na Argentina, o tricolor carioca joga por 2 empates, o 0x0 e o 1x1, o 2x2 leva a decisão para os pênaltis e a partir disso, qualquer igualdade favorece o Boca. O Fluminense ainda não perdeu como mandante nessa Libertadores e levou somente um gol, mas o Boca é pródigo em reverter placares desfavoráveis na casa do inimigo. Com Riquelme confirmado, o time Argentino vem completo. Resta saber quais as condições de jogo do craque do Boca.
Juntando os prós e os contras, acabo colocando 50% de chances para cada lado. Mas tenho a certeza de que será um jogaço.
Corinthians X Sport
O Surpreendente Corinthians do excelente Mano Menezes, chega forte e completo para a decisão, já que Lulinha foi praticamente confirmado para a partida. O Sport perde sua principal peça, Romerito, que voltou para o Goiás. A campanha do Sport foi mais árdua, já que vem de três combates contra os grandes favoritos ao título, Palmeiras, Internacional e Vasco. Já o Corinthians teve um caminho menos complicado, mas nem por isso fácil, ainda mais pra um clube que acaba de vir de um rebaixamento e que contava até pouco tempo com a desconfiança de todos.
Analisando friamente, coloco o Timão com ligeira vantagem para esse jogo, 55% X 45%. Mas que o Corinthians abra os olhos. O Sport fez a primeira partida contra Palmeiras e Internacional na casa do adversário, conseguiu ótimos resultados e depois matou o rival em seu território. Um bom resultado para o Corinthians começa somente a partir dos dois gols de diferença.
De resto, só tenho a desejar uma ótima quarta-feira de decisões para todos. E que ninguém se esqueça de já colocar a cerveja para gelar.
Ao som de Oasis – I am the Walrus
29 de mai. de 2008
La Mano de Dios - Sorte
Sorte
Já dizia o sábio que ninguém vence no futebol sem um pouco de sorte. Ontem vimos essa verdade ser posta à prova e justificar-se mais uma vez nos três grandes jogos que aconteceram.
Na Argentina, deu Boca o jogo todo. Embora o time do Fluminense tentasse, foi pressionado em seu campo de defesa durante grande parte da partida e logo aos onze minutos do primeiro tempo Riquelme marcou o primeiro, dando a impressão de que o time de Renato Gaúcho seria goleado nas semi-finais.
Mas eis que a sorte fez seu papel e aos dezesseis Thiago Neves sofre uma falta boba perto da área boquense. Batendo com categoria, cruzou na área e o excelente Thiago Silva cabeceou. A bola dormiu traquila no fundo do gol de Migliore. Parecia que as coisas iam mudar, o Flu até melhorou em campo, mas só dava Boca. No fim do primeiro tempo, o time brasileiro podia agradecer pelo 1x1 do placar.
O segundo tempo foi um massacre, e só a sorte para explicar o fato de o jogo continuar empatado. Ela estava nas mãos de Fernando Henrique, que fez pelo menos três defesas difíceis em menos de vinte minutos. Mas eis que Riquelme tem uma falta para bater, muito parecida com a de Thiago Neves no primeiro tempo. Nada de cruzamento, um lance direto, com muita categoria, e a sorte novamente estava do lado do Boca: batendo na barreira, a bola pegou Fernando Henrique desprevinido, 2x1 no placar.
O jogo parecia caminhar para uma vitória do Boca, sempre atacando, e o Fluminense, acuado, torcia para que a partida acabasse logo. Aos trinta e um minutos, numa das poucas falhas do Boca, Thiago Neves pega o rebote da zaga e arrisca de longe. Migliore estava sem sorte. Aceitou um gol de uma bola que estava em suas mãos.
Fim de jogo, 2x2, altamente festejado pelo pessoal do Flu, que jogou com muita garra e categoria, em dia inspirado de Thiago Neves e Fernando Henrique. Parece que o meia-atacante reencontrou seu futebol e o goleiro vai calando seus críticos a cada jogo.
O resultado pode dar a impressão de que tudo leva o Flu para a classificação no próximo jogo. Mas a camisa, e principalmente Riquelme, não foram vencidos ontem na Argentina. Se algo não for feito a esse respeito, podemos ter um Boca x Atlas parte II semana que vem no Maracanã.
Na Copa do Brasil, como não falar da sorte? Os dois finalistas foram definidos nos pênaltis. Quer coisa mais inexplicável que pênalti? A sorte estava do lado do Sport e Edmundo perdeu sua cobrança, mais uma de muitas. Edmundo é o Palermo brasileiro? No Morumbi a mesma coisa. Felipe pegou a última cobrança e o Corinthians bateu o Botafogo. A sorte estava do lado corinthiano.
Pois é, meus amigos, ontem as torcidas de Fluminense, Sport e Corinthians acenderam todas as velas, fizeram todas as oferendas e a sorte ficou do lado deles. Só que apenas ela não ganha o jogo, e ficou tudo aberto para a semana que vem.
Ao som do grande Tim Maia - Réu Confesso
Rapidinhas: antes que digam que o Fluminense venceu a camisa do Boca, já respondo. Nada foi vencido. Nem Riquelme - que marcou os dois -, nem Palacio foram anulados e o resultado de ontem foi uma combinação de fatores extra-campo e muita garra. Thiago Neves estava inspirado, Fernando Henrique abençoado e a zaga do Flu muito organizada. Mas não acredito que isso será o bastante para vencer o Boca semana que vem.
E quem diria, Corinthians e Sport irão disputar a vaga para a Libertadores 2009. O jogo por si só, mesmo antes de começar, já é épico. Parabéns ao Mano Menezes e a todos os bravos jogadores do Leão!
Como joga esse Riquelme!
Os resultados e notas sobre a rodada dessa quarta-feira
LIBERTADORES
Boca Juniors 2 x 2 Fluminenese
Bom resultado do Flu. Todos nós podemos achar isso. Menos o tricolor carioca.
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COPA DO BRASIL
Vasco 2 X 0 Sport [4 X 5 nos penaltis]: SPORT CLASSIFICADO
Corinthians 2 x 1 Botafogo [5 x 4 nos penaltis]: CORINTHIANS CLASSIFICADO
Quando o Edmundo pegou a bola para bater o primeiro penalti do Vasco eu senti o cheirinho da derrota... quantos penaltis decisivos o Animal já perdeu? Alguém tem as contas? E ainda falam do Palermo!
28 de mai. de 2008
A que joga sozinha
Três coisas diferenciam o Boca Juniors do Fluminense: Riquelme, a frieza do time argentino e o fato de eles entrarem em campo com vinte e dois jogadores.
Isso mesmo. O Boca não são apenas os onze titulares. Cada um deles veste uma camisa que é um estandarte, uma camisa que também joga. Poucos times no mundo têm esse trunfo, e o Boca é um deles. Ver o adversário com aquelas cores e o CABJ no peito é intimidante para muitos times. Essa camisa que joga sozinha, que impõe a quem a veste a obrigação de dar tudo de si na partida.
Já vi muitos times e jogos do Boca, bons e ruins. Mas nunca vi o time apático. Essa é a grande diferença.
Arouca pode anular Riquelme, a confiança do Flu depois da vitória histórica contra o São Paulo pode compensar com garra a frieza do Boca.
Mas como ganhar de uma camisa?
27 de mai. de 2008
La Mano de Dios - A zica do pântano
A zica do pântano
Pois é, meus queridos, estive no Morumbi no último domingo. Coisa triste, estádio vazio, time apático e perdido, técnico desanimado frente a um adversário organizado, coeso e bem estruturado dentro de campo.
O Tricolor paulista está visivelmente abatido após a eliminação na Libertadores. O clima não era bom nem na torcida, bastante desacreditada e crítica com relação ao próprio time. Muitos jogadores ainda estão sentindo o impacto daqueles 3x1 nas costas, mais lentos, com a cabeça pesada. Muricy, ah, o Muricy... não foi nem sombra daquele técnico elétrico que todo mundo está acostumado a ver... não me lembro de nenhum momento dele gritando com o time. E ocasiões para isso não faltaram...
Tudo me leva a crer que o São Paulo sofre da zica do pântano. O time não soube reconhecer na derrota para o Fluminense, visivelmente superior técnica e taticamente, suas falhas e as inúmeras virtudes do adversário. Para muita gente, o Fluminense não ganhou do São Paulo, o São Paulo que perdeu para o Fluminense, e isso faz toda a diferença.
A impressão que dá é que o jogo de quarta-feira passada ainda não acabou para o escrete tricolor, a grande maioria do time e da comissão técnica ainda está lá no Maracanã tentando entender o que aconteceu. Enquanto isso, o Brasileirão vai rolando e o São Paulo cada vez mais afunda no pântano em que se meteu. É a zica do pântano atacando novamente, fazendo com que tudo dê errado...
Ano passado foi a mesma coisa, mas o time teve frieza para uma auto-análise e soube superar as dificuldades e o pântano, conquistando o título brasileiro com relativa facilidade. Mas o time era outro, os adversários eram outros e a paciência do torcedor era maior.
Frente a tudo isso, tenho lá minhas dúvidas se o Tricolor paulista vai conseguir levantar a cabeça e deixar de afundar. A história do clube mostra que isso é possível, muitos jogadores do elenco, experientes, têm toda a capacidade de mudar essa situação. Mas enquanto o São Paulo continuar olhando para os lados, e não para dentro, será difícil sair dessa lama.
Rapidinhas: Leão deixou o Santos. Luxemburgo ameaçando sair do Palmeiras. Muricy e Cuca desacreditados no São Paulo e no Botafogo. Será 2008 o ano da dança dos técnicos?
O jogo de domingo foi uma draga, mas Joilson meteu uma bola na trave e faltou categoria para Hugo marcar um gol feito. É a zica do pântano, meus amigos, tudo está dando errado...
23 de mai. de 2008
La Mano de Dios - Dramas
Dramas
Para quem gosta de futebol, há certos lances inesquecíveis. Mesmo de olhos fechados, lembramo-nos de jogadas incríveis, gols mágicos, que ficaram como que colados em nossas retinas. Como esquecer, por exemplo, o canudo de Carlos Alberto Torres na Copa de 70, o chapéu e o chute de Pelé em 58, o canudo da falta de Branco em 94, o gol de Romário contra a Suécia em 94, as pedaladas de Robinho, O Gol (com letra maiúscula mesmo) de Maradona contra a Inglaterra, as defesas de São Marcos em 2002, as cobranças de falta de Rogério Ceni, o gol de Mineiro na final contra o Liverpool, o gol de Gabirú na final contra o Barcelona, a comemoração de Washington depois do primeiro gol contra o São Paulo, Renato Gaúcho sentado sozinho após a classificação do Fluminense, o rosto aliviado de Muricy após vencer o Brasileiro de 2007, e muitos outros.
Todos esses lances nos fazem sorrir. Ao mesmo tempo, como se para relativizar as coisas, também nos lembramos daqueles momentos quando vemos que todos esses gênios são apenas humanos. A frustração de Cristiano Ronaldo ao perder o pênalti na final da Champions, o inconsolável Joe Terry ao perder sua cobrança no mesmo jogo, Adriano saindo sozinho em meio a torcedores do Fluminense após a eliminação do São Paulo, toda a raiva de Kléber Pereira ao ver não marcado o pênalti que poderia dar ao Santos a classificação contra o América.
Os últimos dias foram repletos de momentos assim, de glória e de frustração. Independentemente dos vencedores e dos perdedores, são esses lances que garantem a beleza do futebol, que explicam porque um esporte aparentemente tão simples pode cativar tanto. Não são meros jogos. São dramas, batalhas épicas, momentos decisivos na vida de muita gente. Jogos como esses não deveriam ter perdedores. Talvez não tenham.
Em jogos como os dos últimos dias não se vive. Há um "suspense mortal durante noventa minutos". Em algum lugar, as vítimas do trágico acidente de 58 sorriem, vendo que o o manto vermelho continua em boas mãos. Em algum lugar Nelson Rodrigues sorri, repleto de razão.
Ao som de Black Crowes - Remedy.
Rapidinhas: como joga esse Conca! Como joga esse Adriano! Como joga esse Riquelme! Como joga esse Palermo! Como joga esse Palacio! Como joga esse Tevez! Como joga esse Cristiano Ronaldo! Como joga esse Van der Sar! Como joga esse Lampard! Como joga esse Peter Cech!
16 de mai. de 2008
La Mano de Dios - Libertadores: só pode haver um?
Libertadores: só pode haver um?
De uns anos pra cá, vem sendo a mesma coisa: a Libertadores começa com cinco, seis times brasileiros e dois ou três sobrevivem até as quartas; o Boca não é mais o grande Boca e vai firme e forte até a final.
Esse ano parece ser a mesma coisa, com um diferencial: o São Paulo, especialista em Libertadores veio desacreditado. Em virtude do mau futebol que apresentou durante o Paulista e dos jogos ruins que aconteceram durante a fase de grupos, o Tricolor deixou de ser, para muitos, o favorito.
Mas quem diria, pesou a experiência. Aos poucos o time de Muricy foi levando, ganhando aqui, empatando lá, e pegou o Fluminense nas quartas. Muita gente deu o Fluminense como favorito, o Flu do futebol vistoso, de Conca, Dodô, Arouca e Thiago Neves. E no Morumbi o Fluminense ficou pequenininho.
O São Paulo dominou o jogo e só não carimbou a classificação porque Dagoberto - que vem fazendo excelente jogos - não acertou o pé. Adriano, em noite de Imperador, conduziu o time, ganhou todas pelo alto e deixou o seu, a marca de um jogador diferenciado.
Um a zero não é muito, mas foi o bastante para colocar todo mundo em seu devido lugar e mostrar que o São Paulo segue muito vivo, calando de vez muita gente. O próximo jogo contra o Flu é no Maracanã, mas o adversário é o São Paulo, time que há muito tempo não se intimida com torcida adversária...
O Boca cedeu o empate para a LDU na Argentina. Mas Boca é Boca e Libertadores é a cara deles. Pra mim o time argentino ainda é favorito, mesmo no Chile, com a LDU jogando futebol direitinho, bem armada e bem posicionada.
O Santos tomou uma invertida no México. Cabañas, o algoz carioca, deixou o seu e dificultou o serviço para o Peixe. O próximo jogo na Vila tem tudo para ser um clássico, e eu não arrisco palpites. Primeiro porque o Santos da Libertadores não é o mesmo do Paulistão, segundo porque depois do que o América fez com o Flamengo, tudo é possível para os mexicanos.
Nessa sexta gelada, só mesmo uma musiquinha das mais animadas para esquentar: Camisa de Vênus - O Adventista. A banda mais porreta do Brasil!
Rapidinhas: e Adriano está de volta à Seleção. O bichão deu a volta por cima e mostrou que merece um lugar no time do Dunga. Para muitos, e aqui eu me incluo, ele não é craque. Mas não dá pra negar que o Imperador tem faro de gol e quando quer resolve. Que seja uma volta vitoriosa, pois ele merece!
15 de mai. de 2008
Chazinho de Coca - No jogo entre os tricolores, deu aquele que conhece os caminhos da América.
No primeiro jogo entre os tricolores, paulista e carioca, pela libertadores, deu aquele que sabe tratar dessa competição com maestria. De nada adiantou Renato Gaúcho pedir conselhos a Luxemburgo, o volume de jogo que o Palmeiras de Luxa impôs contra o São Paulo na semifinal do Paulistão não foi visto pelo Fluminense na noite da ultima quarta-feira, muito pelo contrário.
O jogo começou com o São Paulo dominando as ações, com Adriano levando vantagem em todos os duelos contra os apáticos defensores do Flu. Logo no primeiro arremate, um petardo de fora da área, o Imperador obrigou o goleiro Luiz Henrique a fazer uma defesa difícil, apesar do tiro ter sido em cima do arqueiro. Ali, naquele momento, deu pra perceber que não era noite do goleiro do time das Laranjeiras, que se atrapalhou todo para defender o disparo.
A pressão são-paulina durou pouco, foi quando o futebol mais técnico do tricolor carioca começou a fluir, com boas jogadas saindo dos pés de Arouca e principalmente de Gabriel, já que Tiago Neves não entrou em campo e Dodô foi o Dodô de sempre, apático e quase imperceptível. O Fluminense começou a levar perigo, porém, foi nesse exato momento que o São Paulo pôs fim ao único bom momento do time de Renato Gaúcho na partida. A jogada começou dos pés do Imperador, que dominou na meia, armou a jogada com Dagoberto, que bateu cruzado, um bom chute, mas perfeitamente defensável, porém não era mesmo noite de Luiz Henrique, que espalmou para o meio da área, onde Adriano, sempre ele, livre, apareceu para concluir e levar o Morumbi ao delírio. Desenhava-se ali uma goleada, que acabou não acontecendo. Pelos lados do Fluminense, Tiago Neves que pouco produzia, sumiu de vez, Dodô continuou sendo Dodô e Washington, que por mais que tentasse alguma coisa, nada podia fazer, até porque a bola não chegava para ele. Já o São Paulo chegava do jeito que queria, mas efetivamente pouco concluía.
Veio o segundo tempo e Renato Gaúcho colocou Dario Conca no lugar do inofensivo Tiago Neves, que saiu de campo xingando todas as gerações da família do seu treinador, mas sem a mínima razão. Conca entrou e foi o melhor do time, armou, driblou, levou perigo e protagonizou a jogada mais bonita da noite ao driblar dos defensores são-paulinos, mas na conclusão foi infeliz.
O São Paulo por sua vez não mostrou a mesma força do primeiro tempo e mais por demérito próprio, trouxe o Fluminense para cima, contudo a noite não era dos comandados de Renato Gaúcho, que saíram de campo satisfeitos com o resultado, até porque escaparam de um placar mais elástico.
O tricolor paulista perdeu a chance de matar o jogo de 180 minutos logo na sua primeira metade e agora vai decidir a vaga num Maracanã lotado de sedentos torcedores cariocas e contra um Fluminense que com certeza, não dará o mole que deu na noite de ontem.
Adriano
O primeiro tempo do camisa 10 são-paulino foi digno de um Imperador. Adriano comandou o time, voltou para ajudar na marcação, armou o time, começou a jogada do gol, que o próprio concluiu, PARTIDAÇA! Atuação digna de seleção brasileira, a qual o próprio já faz por merecer uma lembrança.
Adriano é mais um caso que entra para minha lista de prognósticos errados que fiz no início do ano. Ao lado de Leo lima e Denílson no Palmeiras, que eu achava, seriam apostas erradas de Luxemburgo. De Émerson Leão e seu Santos, que eu erroneamente coloquei como candidatíssimos a protagonizar um dos papelotes do ano no Paulistão e na Libertadores, assim como o Vasco da Gama, que pra mim, mesmo antes de seu início, era o grande com maior possibilidades de rebaixamento no Brasileirão. Hoje vejo um Adriano exuberante e já merecendo uma chance na seleção de Dunga, vejo Leo Lima sendo o melhor volante do país nesse primeiro semestre, vejo o Santos fazendo bonito na Libertadores e o Vasco na semifinal da Copa do Brasil.
É com enorme prazer que assumo meus erros em todos esses prognósticos. O futebol agradece.
Acertei outros, mas esses ficam para uma outra ocasião.
14 de mai. de 2008
Não pára, não pára, não pára
O novo grito da torcida embalou a vitória do Timão ontem sobre o São Caetano pela Copa do Brasil. Vitória incontestável, diga-se, pois desde o começo do jogo o Corinthians foi pra cima, à base de muita força e raça.
O São Caetano não resistiu à pressão e perdeu em Ribeirão Preto por 3x1, placar que classificou o Timão confortavelmente para a próxima fase. Vale ainda exaltar o golaço de falta de André Santos, que vem honrando o sobrenome do outro grande alvi-negro do nosso futebol.
Será que a Copa do Brasil será a porta de entrada do Corinthians para a Libertadores?
9 de mai. de 2008
La Mano de Dios - Dois se foram...
Dois se foram...
Pois é, meus amigos, final das oitavas na Libertadores e as coisas não foram as mil maravilhas para os times brasileiros.
Depois de um vexame histórico, o Flamengo se despediu do campeonato em pleno Maracanã. Como disse Muricy Ramalho, o time do Flamengo entrou comemorando o título carioca. Se despedindo de Joel Santana, esqueceu de jogar bola e tomou um nabo dos mexicanos. Agora é bola pra frente, concentração total no Brasileirão que começa com um técnico novo. Resta saber se Caio Jr. vai agüentar a bucha...
E o Cruzeiro, pobre Cruzeiro! Vinha em ótima campanha, com um time bom, de encher os olhos, bem arrumado, com jogadores de excepcional nível técnico como Ramires... mas pegou o Boca Juniors. E o Boca, meu amigo, é como pizza: mesmo quando é ruim, é bom.
Fazer um gol no Mineirão parecia tarefa fácil, ainda mais depois dos cinco de uma semana atrás. Mas não se brinca com um time do tamanho do Boca, com Riquelme, Palacio e Palermo em noites inspiradas. Com muita frieza, o time argentino definiu o placar logo no primeiro tempo e o Cruzeiro também deu adeus à Libertadores.
Fica aqui uma nota de apoio ao time mineiro, que teve o maior azar do mundo. Mesmo assim, deve ter muito orgulho não só do que fez em campo, mas também de sua torcida. Os sessenta mil que viram o jogo no Mineirão não pararam de gritar um só minuto.
O São Paulo passou fácil pelo Nacional no Morumbi, numa noite fria. Fria como o jogo do Tricolor, calmo, sem correria. Não foi uma beleza e está longe de sê-lo, mas soube aproveitar as oportunidades, jogando da forma como tinha que jogar contra um time que veio para ganhar.
Trabalho de formiga, de água em pedra, que tanto bateu até furar. E foi justamente numa furada da zaga que Adriano marcou o primeiro. O segundo, depois da expulsão do jogador uruguaio, parecia ser só questão de tempo, mas por um momento o Nacional foi mais time e perigou sair classificado. Mas vencer o Tricolor em casa, embalado por sua linda torcida que cantou o jogo todo, não é pra qualquer um.
Aos 44 do segundo tempo Dagoberto sacramentou a vitória, acabando com o jejum de seis meses e mostrando que as coisas podem melhorar para o time do Morumbi. E tudo isso sem o motorzinho Jorge Wagner em campo. Agora, meu amigo, é rumo ao título!
O Fluminense caminha a cada semana superando marcas históricas. Nunca tinha chegado às quartas da Libertadores e o 1x0 bastou para resolver. Por um momento parecia que as coisas não iam dar certo, mas a Fortuna sorriu para o time que, como o Fla, achou que tinha entrado classificado.
Thiago Neves funciona muito mais quando joga como atacante, e Renato Gaúcho não desprezou. Flu 1x0, segue firme e forte na competição. As quartas de final prometem, com duelo brasileiro e tricolor. Resta saber quem será mais time, e se a camisa e a tradição irão pesar.
O Santos, quem diria, vem comendo pelas beiradas. Leão parece que definiu a zaga depois da chegada de Fabão. Betão na lateral direita é até agora um improviso que deu certo, e o que o time perde em ofensividade ganha em proteção, aliviando a barra para Kleber mandar bala pelo lado esquerdo. Molina e Kleber Pereira continuam em ótima fase, e o Peixão sacramentou a passagem para as quartas após uma tranqüila vitória contra o freguês Cúcuta.
Pois é, camaradinhas, de cinco, três continuam firmes e fortes. Resta saber quem chegará vivo até o final, ainda mais agora que o Brasileirão está começando. As quartas pegarão fogo, com duelos nacionais imperdíveis, um Boca que agora ninguém segura, além de San Lorenzo, LDU, América e Atlas.
Há tempos a Libertadores não era tanta emoção!
Me despeço aqui ao som deles, Rolling Stones, com os singles de começo de carreira, belezinha que não sai da vitrola. Alguém sabia que a ABCKO lançou há um tempo atrás três caixas com os singles e EPs dos Stones, de 1963 a 1971? Vale a pena procurar...
Rapidinhas: não foi só Maracanazo que impressionou nessas oitavas. No Monumental de Nuñez, num dos duelos mais sensacionais da Libertadores, o San Lorenzo eliminou o River Plate na frente de mais de sessenta mil torcedores. Jogão! D'Alessandro e Placente orquestraram o levante rubro-negro pra cima dos millionarios de Falcão Garcia e "Loco" Abreu, que não conseguiram segurar a barra no segundo tempo. O San Lorenzo, em primeiro no Clausura e classificado para as quartas-de-final, ao contrário de um certo Galo mineiro, mostra o que um time deve fazer em ano de centenário. Monumentazo!
Os dois lados da moeda: Será que o Santos vai dar bola?!
É meus amigos, passada a ressaca da eliminação do Rubro-Negro, voltemos ao papel. E esse colunista já tem seu xodó para essa Libertadores: Santos! Santos! Gollllll!!!!!
Não assisti ao jogo, mas o compacto da partida contra o Cúcuta mostrou uma equipe aguerrida e ciente de seus objetivos. Não teve copo de água, juiz bunda mole ou adversário que parasse o Alvi-Negro da Vila Belmiro.
A equipe do litoral paulista vai mordendo pelas beiradas. Não tem um grande time, mas por essas coisas que tornam o futebol o esporte mais cativante do universo o Santos vai chegando além do que se esperava.
E como o embate com o Flamengo não veio, agora quero que o Santos mostre para o Cabañas qual Baleia que domina no tapete verde!
E essa resenha foi ao som de Bryan Ferry, o Beckenbauer da música.
8 de mai. de 2008
La Mano de Díos - Maracanazo '08
Maracanazo '08
Em 1950, a Seleção Brasileira entrou num Maracanã lotado para ganhar seu primeiro título Mundial de futebol frente ao time do Uruguai, impassível e organizado. Obdúlio Varella orquestrou a vitória uruguaia e o Maracanã nunca foi tão silencioso. Tumular, torcida e time saíram de campo, tendo que aceitar a incontestável vitória do Uruguai, e estava construído o complexo de vira-latas que só seria apagado oito anos depois.
Em 7 de maio de 2008, o time do Flamengo de Joel Santana entrou em campo num Maracanã lotado para consumar a classificação frente ao América do México, que começara uma semana antes no estádio Azteca, com a vitória rubro-negra por 4 a 2.
Clima de festa, despedida em grande estilo de Joel Santana, torcida comemorando a classificação de um Flamengo que tinha tudo para repetir o feito do grande Flamengo de Zico, Junior e Raul Plassman de 1981 nesse que prometia ser o ano alvinegro.
O problema é que esqueceram-se de avisar ao time mexicano que ele já entrava derrotado. Por isso, logo no primeiro tempo o Flamengo perdia por 2x0, resultado que ainda o classificava, mas já dava os sinais de alerta para qualquer espectador atento que percebia um Flamengo jogando uma partida decisiva como se jogasse um amistoso de despedida para Joel Santana.
E o Maracanã ficou mudo no segundo tempo, quando faltando dez minutos para o fim da partida o América vencia por 3x0, tirando a vaga para as quartas das mãos do Flamengo. O Maracanazo voltava, cinquenta e oito anos depois, dessa vez nos pés de um time mexicano.
Hoje, o Flamengo não tem mais Joel Santana, e a perspectiva de ser novamente campeão da América ficou para 2009. Resta saber se o bem intencionado - mas inexperiente - Caio Jr. conseguirá reerguer esse time, que já mostrou ter potencial para disputar títulos. Pois, quando entra para jogar, o Flamengo já provou ter pinta de campeão. Resta apenas entrar para jogar, pois no futebol, assim como na ópera, só termina quando acaba.
Os dois lados da moeda: o jogo só termina....
O jogo só termina...
(Desculpem-me, leitores, o texto foi escrito imediatamente após o termino do jogo. A construção das frases talvez nao esteja das melhores)
Um jogo jogado como amistoso, festejado como amistoso, narrado como amistoso e comentado (no sportv) como amistoso.
Impressionante como todos se esqueceram que era um jogo valido pelo torneio mais importante que o Flamengo disputaria no ano.
A diretoria do Flamengo vinha sendo "profissional" ultimamente, mas vira e mexe tem uns arroubos de populismo, do tipo "vamos contratar o Ronaldo". Pois bem. Ontem não se contiveram: não me acho a Mãe Dinah, mas quando vi o Joel entrando em campo no estilo Rocky Balboa e repetindo “vamos vencer” ao lado do sorridente Márcio Braga lembrei dos piores momentos do futebol carioca. A festa em hora errada, a zombaria despropositada. A coisa começou a feder.
A transmissão pela TV foi curiosíssima: o narrador e o comentarista pareciam estar transmitindo uma partida de jogadores aposentados, exibição, showball. Era nítida a falta de implicação da equipe flamenguista com o jogo mas, ainda assim, se ouvia o comentarista dizendo “o Flamengo vai marcar logo”... e nesse naipe foram os comentários, mesmo com o Rubro-Negro perdendo por 2x0. Esqueceu-se que do lado oposto havia um adversário. Aos 35 minutos do segundo tempo, 3x0 para o América, quase atirei a televisão da janela quando o comentário foi “o Flamengo tem muito tempo para fazer um gol”. Para quem não fez em condições favoráveis em 80 minutos, 10 minutos com os nervos a flor da pele não me parecem uma eternidade.
O Flamengo criou oportunidades? Inúmeras. Então qual a diferença desse jogo para os últimos? Simples: nas partidas anteriores, quando uma oportunidade de gol era perdida, via-se no semblante dos jogadores a irritação. Nesse jogo não. Algo que me remete aos piores momentos da seleção brasileira de 2006.
Enfim. A sensação é mais de bizarrice do que de tristeza. Um circo dos horrores. Em uma noite o Flamengo, da diretoria aos jogadores, ressuscitaram o espírito mambembe do futebol do Rio de alguns anos atrás. E em uma noite todo o trabalho feito no Campeonato Brasileiro 2007 foi jogado pela janela. Não pela derrota – pois perder faz parte do jogo – mas pela forma como a derrota se deu.
Parece que só quem se lembrou que havia uma partida a ser vencida foi o dono da festa – a festa mais triste da história recente do Flamengo. Papai Joel.
Agora a coisa fica assim: o clima na Gávea vai ficar horrivel. Além disso, um técnico novo, bem intencionado, mas pouco experiente. Uma ótima equipe (sim, porque continuo sustentando, o time realmente é bom) com um resultado péssimo. Minhas perspectivas? Por hoje (ao menos), nada boas.