19 de fev. de 2009

La Mano de Dios - Tem dias que a bola não entra

Tem dias que a bola não entra

Não tem jeito. O São Paulo atacou mais, acuou a equipe adversária, marcou com pressão no campo de ataque em grande parte do jogo. Tentou por cima, por baixo, só não tentou debaixo d'água porque não choveu. E a bola não entrava. Muito graças ao goleiro Bobadilla, é verdade, mas o gol do Independiente de Medellín estava fechado.

Seria injusto perder, o empate em casa ficou com um gosto amargo. Mas mesmo assim, valeu para ver que o São Paulo de 2009, quer seja no Paulista ou na Libertadores, ainda não é o ideal. O time, muito bem marcado pelo adversário, que jogava com até oito jogadores no campo de defesa, abandonou rapidamente as jogadas pela lateral, afunilando o jogo e abusando de chutes de fora da área - muitos sem direção. Era tudo que um adversário que joga no 3-5-2 poderia querer.

Além disso, Hernanes e Hugo não foram bem. Quando a dupla criativa do tricolor não está inspirada, o time apaga. Borges ainda não se achou com Washington. Por ocuparem o mesmo setor e para não bater cabeça, Borges saía da área para buscar jogo, mas também não conseguia avançar pelas laterais. Nesse quesito Dagoberto fez um trabalho melhor no segundo tempo. Foi graças à sua habilidade que saiu o cruzamento para Borges marcar aos 47 do segundo tempo.

Destaque para Jean e o trio defensivo. Jogaram o fino. Bosco também não comprometeu.



Me despeço ao som de Black Merda - Reality. Vai atrás que vale a pena, funk/rock/soul nervoso inspirado em Jimi Hendrix. Disco de 1971.

Rapidinhas: agora, com dois campeonatos simultâneos, veremos se os grandes são mesmo esse espetáculo. Sustento que nenhum time no Brasil tem jogadores para levar dois campeonatos simultaneamente. Talvez agora, com Libertadores e Copa do Brasil, o Paulistão tenha mais graça.

O Sport jogou e convenceu. Vencendo o Colo-Colo na casa do adversário por 2x1, mostrou que sua chave, com Palmeiras e LDU, será a mais emocionante dessa fase da Libertadores.

18 de fev. de 2009

Chazinho de Coca - Acabou-se o que era doce.

Acabou-se o que era doce.

A doce sequência de vitórias do Palmeiras, enfim, acabou. Deu-se fim exatamente no jogo onde a probabilidade de derrota era, de fato, maior.

O Palmeiras perdeu, mas poderia muito bem ter saído com um empate ou mesmo com a vitória. Mas, no frigir dos ovos, a LDU foi melhor em mais momentos. O Verdão teve domínio, sobretudo no início da 2ª etapa, mas não soube aproveitar esses bons momentos. A LDU, atual campeã da Libertadores, mostrou porque é ainda considerada uma das favoritas a caminhar muito bem na competição e, cirurgicamente, matou o jogo.

Manso foi o nome do jogo, não só armou o time, mas finalizou, catimbou como poucos e marcou um golaço de falta. O Palmeiras não deu pelota para a boa bola mostrada por Manso, e mesmo sofrendo com as investidas do meia, não armou um momento sequer na partida, uma marcação especial em cima do jogador. Ao contrário da LDU que desde o início ficou de olho em Keirrison.

Luxa abriu todo o time no segundo tempo, não dando a mínima par a tal de altitude, mas no que eu pude enxergar do jogo, o treinador falhou a partir da 2ª alteração.

No 1º tempo o time estava descompactado e Keirrison ficava isolado na frente. Diego Souza, o melhor do time, assumia a responsabilidade do jogo e partia pra cima, sozinho pouco podia fazer. Cleiton Xavier jogou muito recuado e Williams necessita urgentemente de uns treinos de finalização. Jogou bem, mas perdeu um gol cara a cara com o goleiro. A 1ª etapa terminou 2X1 para os donos da casa.

Falando em Diego Souza, alguém se lembra qual foi o último grande campeonato que o meia fez? Sim, a Libertadores de 2007, quando ainda atuava pelo Grêmio. Diego parece se dar bem nesse campeonato.

Vendo a dificuldade do time em atuar pelas pontas e a distancia entre meio campo e ataque, Luxa veio para o segundo tempo com Marquinhos, sacando Maurício Ramos e ficando com apenas 2 zagueiros. Até aí, tudo bem. O time voltou dominando e logo empatou o jogo com Edmilson. Poderia ainda ter virado, em jogadas semelhantes a do 2º gol. Armero aparecia muito bem pela esquerda, mas o lado direito estava inoperante. Logo a LDU matou a charada, fechou esses espaços e chegou ao 3º gol.

Daí em diante o Verdão se perdeu. Luxemburgo escancarou o time colocando Lenny e logo depois, Evandro. As tentativas não surtiram efeito e não fosse Marcos, e a LDU teria ampliado.

Analisando friamente, foi um resultado normalíssimo e mesmo perdendo, o time esteve muito bem em alguns momentos. Mas é bom Luxa aprender que Libertadores não é Brasileirão, muito menos Paulistão. Não se pode errar, pois a recuperação lá na frente é mais complicada.
Ficou o gostinho de que poderia ter sido melhor, mas não aconteceu nada de outro mundo. O Verdão volta a campo pela Libertadores contra o Colo-Colo, no Palestra. No sábado encara a Portuguesa pelo Paulistão.

Lances polêmicos.

O 1º gol da LDU deixou a impressão de impedimento. Foi um lance complicadíssimo e vendo os replays, eu validaria o gol – juizão não teve culpa nessa.

Armero dá cotovelaço em adversário. Nessa o juizão foi mal, pois não deu nem falta, num lance onde o vermelho direto caberia numa boa.

Falha de Marcão. E foi falha só do Marcão, não do Edmilson. Marcos tem crédito e ao final do jogo salvou o time de levar o 4º gol com um verdadeiro milagre.

No lance que originou o gol de falta da LDU, Edmilson deu um carrinho forte, mas na bola. Lance complicado, onde cabia tanto a marcação, como não. Infelizmente para o Palmeiras, Roldán marcou e o Manso fez o gol.

Não me lembro agora o nome do jogador da LDU que, no 2º tempo, deu um carrinho em Capixaba e tomou um balão, não satisfeito com o papelote, foi atrás e deu no meio do lateral alviverde. Lance para expulsão, mas o juizão pegou leve e deixou quieto.

Ele errou e acertou para ambos os lados, o que determinou, de fato, o resultado foi a maior frieza da LDU nos momentos capitais, meramente isso.

Veja os lances do jogo:



Despeço-me da feroz nobreza ao som de Cocteau Twins – Lorelei.

Cheers,

17 de fev. de 2009

La Mano de Dios - Muita violência e pouco futebol

Muita violência e pouco futebol

Foi uma sucessão de erros. Após o São Paulo anunciar a cota dos 10% para a torcida adversária, a diretoria do Corinthians lançou uma série de notas infelizes, descontente com a decisão, justíssima por sinal, do time mandante que exercia seus direitos.

Para completar, a diretoria tricolor, que podia ter colocado panos quentes na situação ao justificar a causa dessa nova decisão de assumir o Morumbi como campo do São Paulo (as parcerias do tricolor já não são novidade), rebateu a obtusidade da diretoria corinthiana com comentários arrogantes, botando mais pimenta no caldo.

Aí a coisa entornou: Andrés Sanchez e sua diretoria, numa das manobras mais infelizes da história, deu 4 mil dos 6.500 ingressos destinados ao Corinthians à Gaviões, que redistribuiu essa cota entre sua facção mais violenta. Estava dada a receita para o desastre.

A polícia mais uma vez mostrou-se atrasada, despreparada e despreocupada e deu no que deu: muitos feridos, muita destruição e o torcedor pacífico, aquele que vai para torcer, mais uma vez distante do estádio ou vítima da massa acéfala que os times teimam em acalantar.

Não há mocinhos nesse teatro dos horrores: uma diretoria populista, ignóbil e bruta, reflexo da mais perversa face de um time grandioso como o Corinthians; uma diretoria que deu tristes sinais de arrogância quando poderia ter resolvido as coisas ao abrir o jogo; uma polícia despreparada, truculenta e apavorada, que não sabe o que fazer com o futebol; uma torcida brutal, selvagem, composta por marginais, que teima em se dizer dona de um time que é de muitos outros, espalhando medo e saindo impune. E um governo omisso, que não se mexe em nenhum âmbito para resolver um problema que há muito tempo ultrapassou os limites dos estádios e já é uma triste realidade social.

A vítima? Nós, que só queremos ver futebol nos estádios e chegar em casa com nenhuma dor maior do que uma eventual derrota.

Chazinho de Coca - Sociedade derrotada.

Sociedade derrotada.





Desde 1995 que eu escuto essa balela toda de reforma estatutária no futebol. Para quem não se lembra, em 1995 aconteceu a batalha campal no Pacaembu entre a Mancha Verde e a Independente, que deixou saldo de dezenas de feridos e um morto.

De lá pra cá tentaram diversas ações, todas falidas. Baniram torcidas organizadas; Impediram a entrada de bandeiras nos estádios; Falou-se de lei Pelé a torto e a direito.

Fato é que nada disso funcionou. Todo dia de clássico é uma tensão que toma conta, não apenas dos torcedores envolvidos, mas e toda a população.

Pior que isso, pois não apenas em dias de clássico, mas mesmo durante a semana, em dias onde não se tem jogos, o medo persiste. Ou alguém se sente plenamente seguro por andar pelas ruas usando a camisa do seu time do coração? Eu não.

A verdade é que esse último final de semana foi, desde aquele fatídico clássico entre Palmeiras e São Paulo de 1995, o mais sangrento do futebol brasileiro.

No Morumbi, a indecência descarada de ambas as diretorias envolvidas, que elevaram a rivalidade a patamares onde deixou de ser mera rivalidade e passou ao ódio gratuito, culminou com os desagradáveis ocorridos ao final da partida. As diretorias de nossos clubes não se importam conosco, é bom que todos saibam disso.

No Maracanã, torcedores de Botafogo e Flamengo trocaram tiros na porta do estádio, simples assim. E em Minas, o simples fato de uma pessoa utilizar uma camiseta com insígnia e coloração diferentes, foi suficiente para que fosse alvejado e morto com tiros em pleno ponto de ônibus, por covardes torcedores rivais que passaram de moto e deflagraram, da maneira mais sórdida possível, o quanto estamos desamparados.

No dia seguinte, após enxurrada de ataques da imprensa e da sociedade - que diga-se de passagem, criam estardalhaço no calor do momento, mas depois simplesmente se esquecem de continuar a cobrança – fizeram com que novos personagens, munidos de antigos discursos, viessem à tona para prometer o que muitos já prometeram, mas que nunca deram a devida atenção – dar um mínimo de segurança e tranqüilidade para que pessoas, agora classificadas como “comuns”, como eu, como você, possamos curtir um dia legal, ao lado de nossos filhos, namoradas, esposas, amigos e parentes, naquilo que é, não sei até quando, a maior paixão do brasileiro.

Limitar o número de torcedor rival, permitir acesso apenas da torcida do mandante no clássico, são medidas que já foram utilizadas em outros países e não deram certo.

A verdade é que a sociedade é uma derrota só no confronto contra a bandidagem, nesse caso, não apenas no quesito torcedor, mas em todas as esferas. Hoje você saí para trabalhar e não tem 100% de certeza de que irá voltar para casa. Nesse contexto, o futebol acaba sendo apenas mais uma estatística no mundo de agressões que sofremos dia após dia.

É uma derrota atrás da outra, todos os dias. Uma goleada histórica, na qual eu não consigo enxergar esquema tático ou alterações que possam nos ajudar a virar o placar. Sei que nada sei, mas sei que do jeito que está, não podemos ficar.

Ao cidadão de bem, meus pêsames e um abraço,

16 de fev. de 2009

Do Populacho - Previsto ou previsível?



Sim, era previsível que a molecagem acabaria em violência, (infelizmente) já tão enraizada nos classícos nacionais, principalmente, acredite, paulistas.


Prevista a violência, o descontentamento e outros sentimentos se afloraram com a fraca arbitragem.

Não me é, ainda, compreensível que as estultices presidenciais atinjam o populacho sem maiores danos ao alto escalão. Mas os torcedores permanecem comparecendo aos estádios, esperando (alguns) ver um belo jogo - que, diga-se de passagem, não aconteceu.

À disposição dos torcedores tembém há o ingresso-imbecil. Não acredita? Para conseguir seu ingresso-imbecil é só se filiar à organizadas, o que, na maioria das vezes, oferece aos imbecis de plantão ingressos gratuitos, com direito à condução e alvo de violências pré-definidos. E nem precisa tanto. É só se portar como um digníssimo pataquão para que seu ingresso passe a ser o estonteante Ingresso-imbecil.

Mas, para aqueles que se contentam com um ingresso normal, o melhor é não ir mais aos jogos. Isso, não correr riscos. Nem de ser perseguido pela torcida de um time rival, nem pela torcida do próprio time, nem pela polícia, nem pelos cambistas, nem pelos guardadores de carros, nem por assaltantes...

As vezes tenho a impressão (e ela só aumenta) de que o futebol é um instrumento para domar o já tão amansado povão. Sim, porque ao invés de as torcidas se unirem e requererem melhores condições, preços acessíveis, segurança e outras coisas que nos é de direito, ficamos rindo quando um cidadão, semelhante, mas que usa uma camisa diferente, é alvejado, espancado - seja por policiais ou torcedores, ou tem que pagar absurdos por ingressos.

O jogo? Bom o jogo foi uma bela chatice. Mais interessante foi a novela dos ingressos. Foi, utilizando-me das palavras do colega Fábio, fraco, com dois belos lances que acabaram em gols.
Ponto.
Dispeço-me ao som da banda Fuel.

La Mano de Dios - Campeonato Mineiro

Nosso colaborador do Triângulo Omar Abdul manda notícias do Mineirão - 09:

"Com jogos no meio da semana e no final da semana, o campeonato mineiro encerra a 4ª e 5ª rodadas com muito sofrimento: alguns times pequenos sofrendo e ainda com esperança de ganhar uma partida, como é o caso do Social e do Guarani.

O Cruzeiro surge como o bicho papão e dispara na liderança, com 5 jogos e todos com vitória totalizando 15 pontos ganhos. Em 2º. e 3º. lugar estão respectivamente o Democrata e o Ituiutaba com 12 pontos ganhos e diferenciando-se apenas na contagem de gols contra. O Atlético Mineiro fica na metade da tabela, muito mal colocado.

Campeonato Mineiro - 4ª. Rodada

Rio Branco 1 x 0 Democrata
Ituiuaba 4 x 1 Villa Nova
Tupi 1 x 1 América
Uberlândia 1 x 0 Social
Atlético 4 x 1 Uberaba
Uberlândia 1 x 0 Social
Cruzeiro 5 x 0 Guarani

Campeonato Mineiro 5ª. Rodada

Social 1 x 2 Democrata
Uberlândia 4 x 1 Guarani
Cruzeiro 2 x 1 Atlético
Rio Branco 3 x 1 Uberaba
Branco 3 x 1 Uberaba
Villa Nova 1 x 1 América
Ituiutaba 3 x 0 Tupi

Um abraço, Omar Abdul."

13 de fev. de 2009

Do Populacho - R$90,00.


Caros,


quem tem R$90,00 pra gastar assim?


Não vou entrar no mérito sobre quem é o culpado dos exorbitantes valores cobrados dos torcedores comuns no jogo entre São Paulo x Corinthians, mesmo porque o Corinthians já não vinha cobrando barato pelas entradas. Também não vou me referir às pavorosas torcidas organizadas.
Mas é (ou deveria ser) de causar indignação em qualquer um, torcedor de quem quer que seja, um espetáculo dito popular ter estes valores que mais parecem multas. Sim, ao torcedor que não boicota este tipo de coisa.
Não basta o cidadão (o torcedor comum, lembra?) ter de tomar chuva, encarar trânsito, passar por péssimos bocados, só pra ver um joguinho de seu time. Tem de ser multado por ser ignóbil, deixar que façam isso. E não é só não ir à ESTE jogo, não. Mesmo porque neste jogo o boicote é forçado, pois, a maioria, não tem dinheiro pra acompanhar a inflação das arquibancadas.
Respirei...
O clássico - sem Rogério Ceni e Ronaldo - promete. Não espero mudanças taticamente radicais. O São Paulo vai ser o São Paulo. O Corinthians, o Corinthians e, para o bem deste, espero, sem o Souza. Mas promete por que clássico é clássico e vice-e-versa.
O São Paulo, atual campeão brasileiro, tem um time que é o do São Paulo, que todos conhecem, dirigido por Muricy.
O Corinthias, que finalmente tem um time, um grupo montado (ao menos aparenta muito), comandado por Mano, vai à campo defendendo a vice-liderança do Pta, sem sua principal arma - A torcida.
Times equiparáveis, não fosse pelo tempo de grupo do São Paulo, o que, acho eu, não se leva muito em conta num clássico. Mas, se fosse para apostar, apostaria que esta questão dos ingressos ainda vai dar o que falar...
Aguardem.
Fico por aqui, ao som da banda uruguaia El Cuarteto de Nos.

12 de fev. de 2009

O primeiro racha do Vasco

Leia abaixo a carta publicada no blog do Juca Kfouri, onde o vice-presidente do Vasco, José Henrique Coelho, também líder do MUV, pede seu desligamento do clube. As acusações são fortes e agora cabe a Dinamite desmentí-las.

"Ao Club de Regatas Vasco da Gama
Exmo. Presidente Carlos Roberto Dinamite

Ratificando nossa conversa telefônica na tarde de hoje, apresento o meu desligamento desta diretoria em caráter imediato e irrevogável.

O motivo do meu afastamento é a incapacidade desta presidência levar adiante os projetos que durante os últimos oito anos defendi e me comprometi a realizar quando apoiei a sua candidatura.

Como presidente do MUV e membro da diretoria administrativa sempre me coloquei como responsável por esta implementação: uma gestão profissional, com organograma adequado, com reuniões de diretoria, com pessoas competentes a frente do trabalho e que através da transparência pudesse assegurar a torcida vascaína, aos novos parceiros e aos investidores a aplicação otimizada dos recursos.

Depois de tanta luta e passados sete meses quero dizer que não vejo mais na sua gestão a capacidade de realizar este projeto mesmo contando ainda com grandes colaboradores em diversas áreas.

As decisões de um presidente não podem seguir a mesma regra de um deputado e Vs.Sas ainda não entendeu isto.

Após a posse e a reabertura do clube aos seus verdadeiros "donos", a torcida vascaína, que foi merecidamente comemorada em todo Brasil, a sua gestão mostrou-se, ao contrário do prometido, incapaz de decidir e de realizar nestes sete meses as transformações necessárias.

Nepotismo nas contratações, fraqueza nas respostas diante da antiga diretoria "deposta pelo povo e pelo voto", fraude de R$13 milhões no orçamento de 2009 apresentado pela vice-presidência financeira ao Conselho Deliberativo, farta distribuição de ingressos, como na antiga gestão, à vontade para os amigos e conselheiros e com medo das torcidas organizadas, ao contrário da vontade dos torcedores, desrespeito aos acordos com o Ministério Público, venda de ingressos "por fora" - caixa dois, com a participação de conselheiros comprometidos, com o conhecimento do tesoureiro e todas as demais vice-presidências, falta de responsabilidade social para com o quadro de funcionários, não só pelos atrasos de pagamento, devido a total falta de recursos, mas também pela falta de critério nos salários dos novos empregados, política errática, falta de planejamento e definição para uso do C.T. no Vasco Barra, contratações para o futebol em 2008 sem ouvir a diretoria e em 2009 sem falar para a diretoria, decisões em reuniões mudadas após qualquer pressão dos "desfavorecidos", além da falta de compromisso com a sobrevivência financeira do clube.

Nenhum ajuste sério foi feito.

Por todas estas críticas de trabalho e por não concordar com a atual gestão me retiro da diretoria, mas tenho a certeza que ainda assim nada poderá ser pior do que os últimos oitos anos de Euricos, Amadeus, valentes, reis e seus cúmplices aqui incluídos os presidentes dos subalternos conselhos do clube que promoveram a atual situação de falência que esta diretoria ainda deve tentar reverter.

Continuo com a certeza de que a derrubada pelo voto da antiga diretoria terá sido o primeiro passo no caminho do nascimento do novo e grande Vasco que todos nós queremos.

Reafirmo por último que nos próximos dias, conforme sempre prometi publicamente, procurarei os meus advogados para encerrar as duas antigas ações movidas contra o clube, em 2003 e 2006, que garantiram a minha readmissão ao quadro social.

Os valores de todas as indenizações que a justiça arbitrou em sentença contra a antiga diretoria e a meu favor estarei abrindo mão em favor do clube.

Este valor que conforme os fofoqueiros de plantão avaliam em R$70 mil serão (sic) devolvidos ao Vasco como mais uma prova de minha lealdade ao clube.

Atenciosamente,

José Henrique Coelho"

La Mano de Dios - A novela dos ingressos

A novela dos ingressos

Acho que, de tudo que li sobre a questão, ninguém deixou as coisas tão claras quanto o PVC, em artigo publicado em seu blog. Copio aqui o texto para quem ainda não leu.

Por que o São Paulo decidiu oferecer apenas 10% dos ingressos ao Corinthians e nos clássicos a partir de 2009? A lógica é comercial e absolutamente justa. Há três semanas, a coluna que escrevo na Folha de S. Paulo tocou nos números do Internacional. Enquanto o São Paulo luta para manter os 15 milhões de reais pagos pela LG pelo patrocínio de camisa, o Inter recebe apenas 4 milhões do Banrisul, mas consegue arrecadar 18 milhões de reais com seu projeto Sócio-Torcedor. São 77 mil torcedores que pagam 20 reais mensais. A cobrança era que o São Paulo tivesse um projeto semelhante, que ampliasse a arrecadação e permitisse ao menos sonhar em manter mais jogadores no futebol brasileiro.

Pois o Tricolor vendeu setores do anel térreo do Morumbi para três parceiros. A Volkswagen, os laboratórios Aché e a Espaço Único, empresa de Marcelo Neves, filho de Gilmar dos Santos Neves. Esses parceiros, o setor Visa - criado no antigo setor vermelho das arquibancadas - e os sócios-torcedores colocarão nos cofres do São Paulo 12 milhões de reais neste ano.

Então, é tempo de esquecer o período em que os clubes mamavam do estado e dos estádios construídos com dinheiro público. Quem consegue fazer dinheiro com estádio está à frente dos rivais. Cruzeiro e Atlético, com pouco dinheiro de patrocínio por estarem fora do eixo Rio-São Paulo, e sem a mesma facilidade para fazer projetos como sócio-torcedor, por dependerem dos estádios públicos, correm o risco de ficar para trás. O Inter faz 18 milhões de reais com o projeto sócio-torcedor e 4 milhões de patrocínio. O Palmeiras faz 15 milhões de reais de patrocínio e zero de sócio-torcedor. O São Paulo fará 15 milhões de patrocínio e 12 milhões com ações em seu estádio. São 27 milhões de reais, o passo inicial para tentar manter mais jogadores no Brasil. Na hora do clássico, não é justo que o São Paulo precise dizer a seus parceiros que não há espaço para eles, porque precisa dividir o estádio de maneira igualitária. O justo é fazer o dinheiro que precisa com o estádio que lhe pertence.

Chazinho de Coca - Foi em 1920

Foi em 1920.

Foi ainda como Palestra Itália, no longínquo ano de 1920, que o agora Palmeiras conseguiu, pela última vez, ter um início de temporada tão sensacional como o de agora. Nem na época das Academias, nem o time de 93/94 e nem mesmo o de 96, foram capazes de começar o ano com uma arrancada tão positiva como a que o time alcançou ontem. São 8 vitórias nas 8 primeiras partidas da temporada.

Na vitória por 3X2 sobre o Mirassol, o time não brilhou como nas partidas anteriores, mas fez o suficiente para vencer sem sustos e com autoridade.

O 1º tempo teve um nome – Diego Souza.

Criticado, sobretudo no 2º semestre de 2008. Diego carrega o fardo de ter sido a contratação mais cara do futebol brasileiro na temporada passada, mas sua irregularidade fez pairar dúvidas quanto a sua qualidade.

Ontem, se não foi brilhante, foi eficaz. Abriu o placar com uma tijolada em cobrança de falta. Fez linda tabela com Keirrison e deixou o matador na cara do gol para finalizar e marcar o 2º do time. Comandou as ações do meio campo, em noite apagada de Cleiton Xavier.

Diego tem sim muita qualidade, sabe se utilizar da condição física para prevalecer sobre o marcador, é hábil e finaliza bem, mas precisa soltar a bola mais rapidamente. Nesse atual Palmeiras, quem der mais de 3 toques sem passar a bola já começa a ficar para trás.

Em noite onde até Jefferson joga bem, não tem como dar outro resultado se não a vitória. Saiu dos pés do lateral esquerdo o míssil que matou de vez as pretensões do bom Mirassol, que por sua vez chegou aos 2 gols com Anderson Paim, em cobrança de falta que desviou na barreira e matou Bruno, e Wesley, em falha de Danilo.

O time do interior não se intimidou com o atual momento do Palmeiras e partiu para cima, com boas jogadas do atacante Leandro Fonseca, mas esbarrou na falta de qualidade no meio. Prevaleceu o toque rápido da equipe de Luxemburgo, que desarmava tudo a partir da ótima atuação de Pierre e ligava contra-ataques em altíssima velocidade com Williams, que precisa urgentemente aprender a finalizar.

Dessa vez Edmilson jogou como autêntico 3º zagueiro, já Cleiton Xavier pouco se aventurou no ataque, talvez aí a razão da atuação destacada de Diego Souza, então, único meia na partida de ontem.

Ainda me agrada mais ver o Palmeiras como o de domingo. Com Edmilson flutuando entre a zaga e o meio, deixando Cleiton Xavier livre para armar e formando um ataque à moda antiga, com 2 pontas abertos (Diego e Williams), com Keirrison enfiado no meio da zaga adversária.
De toda forma, ver um time com tantas variações táticas é agradável e mostra claramente a mão do treinador, que voltou a ser, meramente, um treinador, o ótimo treinador que sempre foi antes de inventar suas múltiplas funções.

Confira os lances do jogo:


Escrevo a coluna na manhã dessa quinta-feira chuvosa, acinzentada, com cara de inverno, mas abafada como no verão. O som que embala esse clima todo foi - Fade to Grey do Visage.

Cheers,