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21 de out. de 2010

CHAZINHO DE COCA - EM JOGO DE APAGÃO, BRILHA O VERDÃO




Texto: João Paulo Tozo
Imagem: Miguel Schincariol (p/ o Lancenet)


Diferente de todas as previsões – ou omissões – dos médicos do Palmeiras, Valdívia foi a campo contra o Sucre da Bolívia.

Sem ser brilhante, mas brilhando o suficiente para ofuscar qualquer hipotético lampejo boliviano, o Mago ditou o ritmo do Palmeiras no 1º tempo.

Com Edinho postado a frente da zaga, Tinga espetado em uma direita sem lateral de ofício e tendo Marcio Araújo resguardando suas costas por aquele lado, além de Gabriel Silva alternando com Luan as espetadas pela esquerda – Gabriel Silva, esse sim lateral esquerdo de ofício e oficialmente acertando todos os cruzamentos que Armero não acertou em sua passagem pelo Palmeiras - Felipão deu total liberdade para Valdívia encostar em Kleber e articular as triangulações quase dentro da área boliviana.

Foi fácil demais. As limitações do adversário são gritantes. Mas gritante também foi a boa distribuição verde em campo. Afinal, o serviço precisava ser feitoi.

E nem foi necessário Assunção acertar um de seus Tomahawks.

Dois cruzamentos de Gabriel Silva, um na cabeça de Kleber e outra de Luan. Palmeiras 2X0, sem quase precisar suar.

O 2º tempo nem bem começou e as luzes da Arena Barueri apagaram-se. Lamentável. Mais ainda pelo horário ridículo da partida – claro, devido aos interesses da TV – e a desnecessária execução dos hinos dos países, que fez o jogo terminar na manhã dessa quinta-feira.

Em campo o Palmeiras voltou com a mesma formação. Lincoln deve estar mesmo muito em baixa com Felipão. Convenhamos, com jogo ganho e tendo o clássico contra o Corinthians no domingo, poupar o chileno seria boa coisa.

Se não rola comentar sobre o paralisado jogo, falemos da torcida do Palmeiras, que deu um show digno de comentários entusiasmados. Nas arquibancadas, com os celulares ligados. Não era SWU, não era Planeta Terra, não era Green Day e nem Echo & The Bunnymen, mas era show do Verdão – em campo e nas arquibancadas.

Apagão “desapagado”, a bola voltou a rolar, mas o Palmeiras esqueceu a sua bola no vestiário. O Sucre, muito mais por desatenção Verde do que por mérito próprio, descontou com Cirillo, que havia acabado de entrar.

A zebra não apareceria de qualquer forma, mas a coluna do meio já seria uma “zebrada” e tanto. Possibilidade descartada 7 minutos depois.

Assunção, sem “tomahawk”, mas com uma “bomba de efeito moral”, colocou a redonda na cabeça de Danilo, que testou forte e passou a régua na fatura alviverde. Foi o 9º jogo de invencibilidade do Verdão.

O Palmeiras encara agora o Atlético MG em um clássico caseiro e certamente mais complicado. A partida será na casa do Galo, no dia 27, quarta-feira da próxima semana. Antes, porém, tem o clássico contra o Corinthians pelo BR10.

Como se vê não haverá mais vida mansa no caminho do Verdão.
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Despeço-me da camaradagem que me acompanha com um petardo do Echo & The Bunnymen – A Promise:

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CONVITE: Acesse a rádio web da Universidade Cidade de São Paulo e ouça o podcast do Programa Ferozes Futebol Clube. A 25ª edição já está disponível. Eu e meus comparsas comentamos as rodadas na Cia das boas sonoridades. Lembrando que o Programa vai ao ar toda segunda-feira, às 20:00, AO VIVO. Acompanhe pelo link:
http://comunicacidade.unicid.br/radiotape_ferozes.htm

Adicionem-me no twitter e vamos trocar boas idéias sobre futebol, música e cultura útil e inútil:
http://twitter.com/joaopaulotozo

Cheers,

12 de out. de 2010

Echo & the Bunnymen ressuscita álbum em SP e mostra que está vivo

Por: Marco Tomazzoni, iG São Paulo

“De novo no Brasil? Mas o cara nem tem mais voz!” Sempre que o Echo & the Bunnymen vem ao país, a história é mesma: eles estão sempre por aqui, ou seja, isso é sinônimo de decadência; e a era de ouro do vocalista Ian McCulloch está morta, enterrada e o que restou é um pigarro no fundo da garganta. Pois com muita alegria deu para constatar no show que a banda britânica fez ontem (11) à noite em São Paulo, no Credicard Hall, que tudo isso é balela. Acompanhado por cordas, o grupo tocou o álbum “Ocean Rain” (1984) na íntegra e mostrou sucessos para um público que compareceu em bom número.


A surpresa começou justamente aí. Em meio a uma temporada agressiva de shows gringos e concorrendo com o festival SWU, cerca de 2 mil pessoas resolveram desembolsar o valor do ingresso e encarar uma noite fria para voltar à década de 1980. Era um público bastante específico, maduro, gente que canta Depeche Mode enquanto espera na fila, e mulheres com mais de 40 anos, binóculo nas mãos, ávidas por ver de perto, longe da confusão da frente do palco, seu antigo ídolo – sim, McCulloch já foi rei.


Ele perdeu a majestade ao longo do tempo, deu a cara a tapa vezes e vezes ao encarar o microfone sem ter a mínima condição, mas melhorou, e muito. Longe do cigarro – costumava fumar dois ou três por música –, consegue aguentar o show inteiro sem fazer feio. Mais do que isso: lembra aqui e ali as versões originais de um grupo estrela do rock britânico há quase 30 anos. Nem precisava tanto.


Oito instrumentistas nos violinos e violoncelos, mais um maestro, se encarregaram de reproduzir as cordas de “Ocean Rain”, quarto trabalho do Echo, considerado por muitos o melhor de sua discografia. Shows como esse começaram no fim de 2007, no Royal Albert Hall, em Londres, viajaram por Europa, Estados Unidos e, depois de uma pausa, chegaram agora à América do Sul. Ao vivo, com os arranjos originais, o álbum soa atual, lírico, lindo. Will Sergeant, o segundo e último remanescente do grupo, continua seguro nas guitarras e a banda de apoio, competente. Toda a primeira parte foi memorável, mas é impossível não destacar o hit “The Killing Moon” e “Ocean Rain” – aí, Ian fez a diferença.


Depois de um intervalo de 15 minutos, saíram as cordas e McCulloch confessou: “agora a gente pode se soltar mais um pouco”. “Going Up” abriu o set list de sucessos e manteve os ânimos em alta – também do álbum de estreia, “Crocodiles” (1980), vieram “Rescue”, “Villiers Terrace” e “All That Jazz”. Do último disco, o mediano “The Fountain”, do ano passado, só tocaram o single “Think I Need It Too”. Daí sobrou mais tempo para o público cantar junto “Bring on the Dancing Horses” e “The Cutter”, entre outros hits. No curto bis, um medley de “Nothing Lasts Forever”, que marcou o retorno do Echo, em 1997, com a cover de “Walk on the Wild Side”, de Lou Reed. “Lips Like Sugar”, que todo mundo queria ouvir, fechou uma noite para provar que o Echo & the Bunnymen sim, está vivo. Eles vão voltar em breve para o Brasil, será? Tomara.


Veja abaixo o set list da apresentação no Credicard Hall:
“Silver”

“Nocturnal Me”

“Crystal Days”

“The Yo Yo Man”

“Thorn of Crowns”

“The Killing Moon”

“Seven Seas”

“My Kingdom”

“Ocean Rain”
“Going Up”

“Show of Strenght”

“Rescue”

“Villiers Terrace”

“Bring on the Dancing Horses”

“Think I Need It Too”

“The Disease”

“All That Jazz”

“All My Colours”

“Back of Love”

“The Cutter”
“Nothing Lasts Forever” / “Walk on the Wild Side”

“Lips Like Sugar”