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30 de abr. de 2009

Top 5 - Finais Históricas do Paulistão

Continuando a saga das finais históricas do Paulistão, trago hoje a histórica FINAL CAIPIRA.
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BRAGANTINO 1X1 NOVORIZONTINO - 1990

Se em 1986 nós tivemos a Inter de Limeira como 1º time do interior campeão Paulista, em 1990 nós acompanhamos a 1º final inteiramente interiorana. A final caipira, como ficou conhecida.

Bragantino e Novorizontino surpreenderam os grandes do estado e tornaram-se os grandes daquele ano.

O Braga vinha de uma temporada já vitoriosa em 1989, quando se sagrou campeão da série B nacional e credenciou-se para jogar na elite pela 1ª vez em sua história. A equipe era comandada pela revelação entre os técnicos do país, Wanderley Luxemburgo e contava em sua equipe jogadores que brilharam no cenário da bola, como Gil Baiano, que depois jogou no Palmeiras e chegou até a seleção brasileira. O Volante Mauro Silva, que em 1994 foi titular no tetracampeonato com a seleção. Além do centroavante Silvio,que depois seria vice-campeão da Copa América com a seleção.

Do outro lado estava o Novorizontino, treinado pelo também jovem treinador, Nelsinho Batista. Um duelo de treinadores que ganha capítulos até os dias de hoje.

O título para o time de Bragança Paulista veio depois de 2 resultados iguais. No “Jorjão”, em Novo Horizonte, empate em 0X0.

Na 2ª e decisiva partida, no estádio Marcelo Stéfani (hoje estádio Nabi Abi Chedid) novo empate, dessa vez por 1X1.

O Novorizontino pressionou ao longo do jogo. Em jogada de escanteio, Fernando testou forte e abriu o placar. Mas Tiba, pouco tempo depois empatou a partida.

O jogo seguiu mais pegado e equilibrado, mas o placar permaneceu inalterado. O resultado levou o jogo para a prorrogação. O Bragantino podendo empatar, não quis saber de garantir o placar e partiu pra cima e perdeu chances incríveis.

O apito final coroou o melhor time, o melhor trabalho. O Bragantino era o 2º clube do interior a se tornar o melhor time do estado, fazendo valer o apelido de “Lingüiça Caipira” – referências a Holanda de 1974 e ao fato de Bragança Paulista ser conhecida por ser a “Terra da Lingüiça”.

Na temporada de 1991 o Braga perdeu Wanderlei Luxemburgo e trouxe para o seu lugar Carlos Alberto Parreira. O treinador levou o time a final do Campeonato Brasileiro, que viria perder para o São Paulo. Até 1995 o clube esteve sempre na linha de frente de todos os campeonatos que disputou.

Já o Novorizontino não teve a mesma sorte. Em 1994 ainda conquistou a série C do Brasileirão. Mas em 1996 o time disputou a 1ª divisão do Paulista pela última vez. Em 1998 fez sua última exibição no profissionalismo, na derrota para a Paraguaçuense por 4X0. Em 1998, sem dinheiro, o clube não pagou as taxas para a FPF e viu sua história receber um ponto final.

Relembre como foi a final caipira do Campeonato Paulista:


Bragantino: Marcelo, Gil Baiano, Junior, Carlos Augusto e Biro-Biro; Ivair, Mauro Silva (Franklin), Robert e Tiba; Mário (Silvio) e João Santos.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Novorizontino: Maurício, Odair, Fernando, Válter e Jerônimo; Luis Carlos Goiano, Tiãozinho (Marcão) e Édson; Paulo Sérgi0, Barbosa e Róbson (Edmílson).
Técnico: Nelsinho Baptista

Local: Estádio Marcelo Stéfani
Público pagante: 15.000

29 de abr. de 2009

Top 5 - Finais históricas do Paulistão.

Dando continuidade a saga das 5 finais de Paulistão que mais me marcaram.

PALMEIRAS 1x2 INTERNACIONAL DE LIMEIRA - 1986

Essa final é o 1º grande momento do futebol que tenho registrado em minha memória com certa riqueza de detalhes. Com 7 anos, eu já havia acompanhado a Copa de 82, dentre outras competições, mas apenas alguns flashes povoam minha mente. Essa final de Paulistão foi a 1ª que posso descrever, quase que na totalidade, com minhas próprias lembranças.
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Os barulhos dos fogos ainda estalam em minha cabeça.

Já era o 10º ano da fila palmeirense, e depois de anos montando times medíocres, enfim o Palmeiras tinha um time para ser campeão. Sob o comando do técnico Carbone, o Verdão eliminou o arquirival Corinthians nas semifinais, sendo derrotado na 1ª partida por 1X0, mas vencendo a 2ª por 3X0. Mais do que credenciado a encerrar a já latente agonia de sua torcida, o Verdão chegou como favorito à final.

O adversário era a Internacional de Limeira, que havia surpreendido e eliminado o Santos nas semifinais. Placares de 2X0 na Vila e 2X1 no Limeirão.

Com o Limeirão vetado para a final, os dois jogos foram realizados no Morumbi. O 1º deles, com mando da Inter, terminou empatada em 0X0. Essa partida teve impressionantes 104.136 pagantes. A torcida palmeirense dava o título como ganho, ainda que o empate fosse bom para a Inter. Parece que o time também entrou no oba-oba.

Setenta mil pessoas pintaram o Morumbi de verde na 2ª partida e a vitória era dada como certa. Mas como desprezar o time que havia eliminado o Santos na fase anterior ? Pois é, a Inter tinha um belíssimo time e o seu ataque contava com o artilheiro Kita.

Houve equilíbrio na 1ª etapa, o Palmeiras mandou bolas na trave, mas a Inter também incomodou o goleiro Martorelli. Lembro-me que meu pai e meus tios cornetavam demais o técnico Carboni e dia desses li, não me lembro onde, que aquele Palmeiras era um time sem comando.

De toda forma, o que se sucedeu na 2ª etapa foi mais do que falta de comando.

Logo aos 5 minutos do 2º tempo, o artilheiro Kita abriu o placar com um chutaço de fora da área.

Aos nove minutos, o lateral esquerdo Denis protagonizou o lance que pode ter dado outros rumos a sua carreira. Num lançamento que foi mais um bicão pra frente, Tato foi lançado, só que a bola estava muito mais para o lateral Denis. Mas a alegria de alguns, muitas vezes passa pela desgraça dos outros, que passa pela tragédia de outro. O pobre Denis tentou recuar, dominar, sabe-se lá o que, a bola bateu em sua barriga e Tato, que vinha em velocidade, ganhou a bola, driblou Martorelli e tocou para gol livre.

Um silêncio “ensurdecedor” tomou conta do Morumbi. Quebrado apenas pelo grupo de torcedores da Inter que lá estava, e manifestado de forma espantosa com os fogos que espocavam nos céus da paulicéia.

Daí em diante o Palmeiras atirou-se todo ao ataque e a pressão foi enorme, com chances perdidas de todas as maneiras, também criadas na base do desespero.

Aos 29 minutos a torcida alviverde enxergou uma centelha de esperança com o gol de cabeça de Amarildo. Outros gols foram perdidos, também pela Inter. Mas aos 47 minutos, Dulcídio Vanderley Boschilla pediu a bola e encerrou a partida. A Inter de Limeira era a 1ª equipe do interior a ser campeã paulista e com todos os méritos. O apito final fez também o sofrimento palmeirense ser prorrogado por mais 6 anos. Mas isso fica para um outro capítulo.

Por onde andam?

Kita: Tem uma locadora em Passo Fundo – RS
Tato: É vendedor de materiais esportivos e dá palestras em Limeira.
Denis: É dono de uma escolinha de futebol na Praia Grande. (Gosta de dizer que ninguém se lembra do chapéu que deu em Maradona, em amistoso entre São Paulo X Napoli em 1987. Só da falha na final de 1986)

Palmeiras 1X2 Internacional de Limeira
Gols: Kita (5m), e Tato (9m), para a Inter; Amarildo (29m), para o Palmeiras.
Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi).
Data: 03-Set-1986.
Árbitro: Dulcídio Vanderley Boschilla.
Público: 68.564.
Renda: Cz$ 2.443.610,00.

Palmeiras: Martorelli — Diogo (Ditinho), Márcio, Amarildo, e Denis — Lino (Jorge Mendonça), Gerson, e Jorginho — Mirandinha, Edmar, e Éder.
Treinador: Carbone.

Internacional de Limeira: Silas — João Luís, Juarez, Bolívar, e Pecos — Manguinha, Gilberto Costa, e João Batista (Alves) — Tato, Kita, e Lê (Carlos Silva).
Treinador: Pepe.

Veja como foi: