Mostrando postagens com marcador Musica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Musica. Mostrar todas as postagens

15 de dez. de 2009

Top 5 Discos Ferozes 2009

João Paulo Tozo

Alice In Chains –Black Gives Way To Blue

Em essência, Layne Staley está vivo em Black Gives Way to Blue.

Substituir o mitológico vocalista do Alice in Chains, considerado um dos maiores de todos os tempos, não apenas é complicado, como impossível. Mas o AIC achou em William Duvall uma possibilidade real de seguir adiante com grandes discos. Ajuda também o fato de Jerry Cantrell cantar em quase todas as faixas.

14 anos após seu último trabalho, foi estranho imaginar a volta do Alice In Chains.
Dinheiro? Ostracismo? As razões que apontavam para esse retorno eram tenebrosas. Mas Jerry Cantrell continua um fantástico guitarrista, assim como Mike Inez (baixo) e Sean Kinney (bateria) continuam com a mesma pegada de outrora.

Das bandas que levantaram a cena grunge de Seattle, o AIC foi certamente a que mais abusou do peso do metal e se aproveitou de uma atmosfera sinistra com os vocais de Staley.

E tudo isso está de volta. Menos Staley, infelizmente.

O disco pode ser datado, mas está inserido nesse contexto a inventividade do Alice in Chains. É datado mas não há outra banda que faça algo parecido. Nem outra banda que tenha feito um disco tão sensacional em 2009.

Comece escutando a faixa inaugural, “All Secrets Known”, e mergulhe na atmosfera sombria do AIC.

Em “Check My Brain” e na fantástica Looking in a View, para mim o single do ano, você vai de encontro ao AIC cheio de vigor do começo dos anos 90.

Um discaço fez o Alice in Chains. Brindaram os fãs, onde me incluo, com um retorno retumbante e sem ressalva alguma.

Para os que não acreditam no que digo, deixo aqui o clipe da música do ano – Alice in Chains – Looking in a View: http://www.youtube.com/watch?v=lr_tyst3SVE

Yeah Yeah Yeah´s – It´s Blitz

Os desavisados podem ter achado se tratar de uma nova banda quando escutaram na rádio o petardo “Zero”. Fato é que desde “Show Your Bones” que o Yeah Yeah Yeah´s mostram sinais claros de maturidade. Não que a anarquização de Fever to Tell não seja sensacional. Tanto que ainda é meu disco favorito de Karen O e Cia.

Dave Sitek do “TV On The Radio” tem grande parcela de culpa nessa remodelação do YYY´s, já que foi responsável pela produção da maravilha.

A Faixa “Zero”, com todo o seu despejo de sintetizadores, só não é a música do ano porque o YYY´s teve o “azar” de lançar sua obra no mesmo ano de uma das maiores bandas de todos os tempos.

Vale também destaque para a deliciosa “Heads Will Roll”.

Camera Obscura –My Maudlin Career

Ex pequena do Stuart Murdoch do Belle&Sebastian, Tracyanne Campbell tem uma voz de fazer qualquer um abrir largo sorriso de satisfação.

Tem um “que” de B&S, claro. Mas o seu “indie pop” me agrada bem mais. Fosse lançado em outra época e teria potencial para se tornar um disco clássico.

As faixas “French Navy” e “Swans” estão entre os grandes sons do ano, na minha humildíssima opinião.

Marilyn Manson – The High End of Low

Tio Twiggy faz um bem danado ao tio Manson. O retorno de seu eterno braço direito trouxe também a agressividade musical e algumas texturas esquecidas nos últimos discos da banda.

Sem o peso de outrora, mas ainda assim é possível fazer paralelos com a trinca clássica de Manson. “Pretty as a Swastika” pode fazer boa tabelinha com “Little Horn”, de Antichrist Superstar. Assim como “Running To The Edge of The World” remete a Speed Of Pain, do Mechanical Animals. Já em Four Rusted Horses, Manson e Twiggy buscam referencias em Johnny Cash.

Abismado? Eu também fiquei.

Muse – Resistance

Eu poderia aqui na 5ª colocação citar o Animal Collective ou o Wild Swans. Mas por mais bacanas que seus álbuns tenham sido, são bandas que não fazem o tipo de som que pira completamente o meu cabeçote.

O Muse por outro lado é banda de cabeceira e, por mais que esse último trabalho dos caras seja em grande parte um pastiche do Queen (diga-se de passagem, os próprios dizem que esse disco foi totalmente influenciado pela banda de Freddy Mercury), além de ser o trabalho menos genial dos caras, ainda assim me agrada demais aos ouvidos. Ainda assim, um álbum que tenha a faixa “United States Of Eurasia” não pode ser desconsiderado.

Sinal de que o ano foi uma droga? Que nada. Animal Collective e Wild Swans são bacanissimos e, não fosse eu um turrão que não abre mão de louvar as bandas do coração, certamente estariam aqui na lista.
_________________________________________________________

Angelo Malka

Dinosaur Jr. - Farm

Este disco é o segundo do Dinosaur desde seu retorno em 2007, a banda que influenciou ícones como Pixies e Nirvana mostra o bom e velho rock dos anos 90 que de certa forma foram eles que ajudaram a moldar. Com as guitarras cheias de flanger e wah wah comendo solto na hora dos solos, o power trio engata excelentes músicas como “plans” e “over it”, esta última com clipe lançado que tem um certo clima nostálgico, e para quem viveu aquela época (como nós do blog Ferozes FC) talvez traga até certa estranheza ao ver que idade chega para todo mundo, não é um sentimento bom nem ruim, só a certeza de que isso acontece a todo mundo.

O fato é que o novo cd da banda está repleto de melodias excelentes que me remetem aos dias em que remava em cima do meu skate (é, já fiz muito isso) sem me preocupar com as contas a pagar, as matérias a escrever, as noites em discotecar, e sempre é bom lembrar desta época.

The XX – Self Titled

Este disco e esta banda me foram apresentados este ano aos 48 do segundo tempo e conquistou meu coração. O cd é regado a canções lentas, com vocais masculino e feminino cantando juntos (gosto deste tipo de duo na linha de algumas músicas do Pixies) e com o tema geralmente voltado ao sexo. A banda e o cd não tem nenhuma música considerada um HIT e tudo o mais, mas o mais bacana do cd é o balanço ao qual ele te leva em um chilli out ou até mesmo durante uma tarde ensolarada, as melodias tem aquele “easy listening” e não tem nenhuma faixa que possa irritar aos ouvidos por ser aguda ou grave demais, tudo parece muito bem colocado em cada canção.

Se fossemos seguir uma lista de bandas que você pode lembrar quando ouve o som dos caras, podemos dizer que em algumas guitarras lembramos de Interpol, em alguns momentos temos surtos de Radiohead, mas em geral não lembro de ter achado alguma canção totalmente influênciada por algum artista. Como música favorita voto em “crystalised” pela melodia, pela letra, e pelo sentimento que ela me trás, que não vou revelar a vocês para que possam ouvir e tirar as próprias conclusões e sentimentos dela.

The Pains of Being Pure at Heart – The Pains of Being Pure at Heart

Quando a princípio ouvi o nome dessa banda, achei fantástica a idéia dele, gosto de nomes grandes para bandas, como por exemplo: “and you will know us by the trail of dead” ou “nine inch nails” ou ainda “does it offend you, yeah?”. Quando ouvi a primeira vez as músicas via You Tube me apaixonei no mesmo instante, as guitarras e a influência descarada do guitar pop junto com os vocais da tecladista Peggy Wang-East que são doces demais acompanhando do vocal amador e cativante de Kip Berman, fazem você se sentir numa garagem com guitarras no último volume tocando aquele som pop despretensioso que você sempre quis ouvir em uma tarde de verão.

Deste cd eu consigo eleger as primeiras 8 músicas como fantásticas e as duas últimas como muito boas, por tocar um rock simples, sem pensar muito na estética como hoje se faz com todas as bandas, tocando algo sincero, o The Pains of Being Pure at Heart conseguiu compor o que na minha opinião constitui como o melhor disco de rock do ano.

Florence and the Machine – Lungs

Esta banda com certeza é uma das coisas mais geniais que descobri este ano, imagine você tirar as pessoas do filme Hair, pegar aquela estética toda dos anos 70, flower power, com um toque de vocais na linha Kate Bush, influências de divas de todas as décadas, um pouco de rock e indie pop, juntar com coreografias imensas, vídeos extravagantes e todo um clima psicodélico e jogar em uma banda só, este é o Florence and the Machine, uma banda fantástica.

Os vocais de Florence ‘Flossie’ Welch são de uma potência que há tempos não via em uma cantora pop, potência esta que é testada em “drumming song” onde em grande parte a voz e a percurssão são os únicos instrumentos presentes, lindas canções como “dog days are over” estão presentes no álbum também, o lançamento da banda foi feito com uma canção que não resume bem o estado de espírito deles e se chama “kiss with a fist” é mais pro lado do rock garagem, porém, apesar de não combinar muito com a banda a música não deixa de ser boa, mas se você quer realmente captar a essência desta banda ouça a música “Rabbit Heart (Raise it up)” que considero como a melhor do grupo. Compre, baixe ou ouça em streaming mas não deixe de conhecer Florence + the machine.

The Loves – Three

Esta banda, The Loves, você provavelmente nunca ouviu falar, mas não se desanime, eu também não tinha ouvido falar, nem ninguém que eu conheça. Essa banda é daquelas que um dia sem querer você tropeça no meio da internet e acha fantástica, isso foi o que aconteceu entre eu e o The Loves. Estava ouvindo um dia uma coletânea de bandas alternativas de um canal de vídeos do You Tube, e entre todos os clássicos tinha essa banda no meio, não sei se porque quem fez a lista foi alguém da banda, ou se como eu gostou muito quando ouviu. O fato é que esta banda é de Liverpool e toca basicamente em pequenos eventos e garagens pela Inglaterra, sem grandes shows, sem grandes fãs, sem grandes públicos, até mesmo em sua terra natal o The Loves não é muito conhecido, apesar disso tem um EP e três maravilhosos discos, sendo que um deles o “three” saiu este ano.

O som do The Loves lembra bem aquela fase áurea do Teenage Fanclub, com influências da fase mais pop dos Beatles, e todo o rock grudento que você canta facilmente depois de ouvir uma vez só. Rock para meninos e meninas, jovens ou adultos, The Loves faz o estilo de quase todo mundo. Coloco o link do last FM deles, porque esta banda realmente é difícil de achar: http://www.lastfm.com.br/music/The+Loves/Three

Destaque para as faixas do álbum: “the ex-gurlfriend”, “everybody is in love” e “sweet sister Delia”

Esta foi minha seleção de melhores álbuns de 2009, espero que tenham gostado, e se quiserem trocar figurinhas ou me mostrar um álbum novo que támbem goste, mande e-mail para: malkaviano_etejs@hotmail.com ! OBRIGADO!
_________________________________________________________

Karen Bachega

The Pains of Being Pure at Heart – The Pains of Being Pure at Heart

Este é o primeiro disco desta banda norte-americana, lançado em fevereiro. Foi o achado do ano para mim. Com melodia pop, guitarra distorcida e letras sobre o amor,.tem influência de tudo o que eu gosto, shoegaze bem definido, portanto contam com um público apaixonado, assim como eu.

Gutaf Spetz – Good Night Mr. Spetz

Este artista sueco é pretensioso, mas não é à toa. Músico talentoso, toca piano e compôs um dos melhores discos do ano na minha opinião. Suas melodias são daquelas que me faz deitar na cama, olhar para o teto e viajar em meio a boas sensações.


The Raveonettes – In and Out of Control

No Intervalo Musical de 02/10/2009 falei sobre este disco, pois o achei merecedor de uma coluna só para ele. Como já disse, não fugiu da fórmula dos discos anteriores, mas como eu adoro este duo dinamarquês e acho divinas todas as suas músicas, não poderia ficar fora do meu top 5. Se quiser saber mais, olha aqui: http://ferozesfc.blogspot.com/2009/10/intervalo-musical-raveonettes-2009.html.

Dinosaur Jr. – Farm

Este disco é “Dinosaur Jr.” e ponto final, sem inovações. Se você aprecia a carreira da banda, vai adorar o disco. Rock jovem, despretensioso, sem repetições e com letras interessantes, essa é a marca da banda que foi influência de outras tantas grandes bandas.


Yo La Tengo – Popular Songs

Este disco de popular só tem o nome. Álbum cuja a essência é musica pop, com pitadas de soul, r’n’b, folk e country, tudo isso sem esquecer do passado guitar band da banda. Criatividade sem perder a mão, com músicas para todas as ocasiões.

Fica aqui o meu top 5, com a difícil missão de escolher 1 música entre tantas nestes 5 discos maravilhosos.

DJ, toca esta por gentileza. http://www.youtube.com/watch?v=B4itzHRpltQ
_________________________________________________________

Rene Crema

Yeah yeah yeahs - its blitz

Segundo disco da banda, mostrando que Karen O chegou pra dar as cartas, e com toda sua elegância, botou a galera pra dançar com seu hit Zero, música que fecha o ótimo disco! Um dos meus critérios pra fazer minhas escolhas esta no quantidade de vezes que ouvi o disco, por prazer, por viciar, e esse me fez gastar o player!

The Raveonettes - In and Out of Control

O Pop rock de melhor qualidade pra mim, musicas fáceis e pegajosas (no bom sentido), o disco acaba e me faz querer ouvir mais, a cada disco a dupla da um salto de qualidade, se continuar na escalada todo mundo só tem a ganhar.



Alice in Chains - Black Gives Way To Blue

O retorno de um dos ícones dos anos 90, Layne Stanley não esta mais ali, mas seu sucessor Willian DuVall deixou todos de queixo caído com seu timbre parecidíssimo, músicas fortes, a velha pegada que a banda nunca esqueceu, disco de encher a barriga! Não podia ficar de fora!


Hearts Of Black Science - The Ghost You Left Behind

Ultima audição que viciei no ano, arranjos que adornam uma viagem deliciosa, uma massagem nos ouvidos, melodias que prendem, caiu em cheio ao meu gosto pessoal, uma mistura eletrônica com instrumentos que me fascinou! Acredito que ouviremos falar muito ainda deles!


The Horrors - Primary Colours

Insano, quando todo mundo achava que o Horrors era uma banda tipo Y, os malucos vem e fazem um disco tipo X, viajante, hipnotizante, riffs de arrepiar, atmosfera única que Horrors conseguiu criar, maravilha de disco!

29 de out. de 2009

Intervalo Musical - O diabo é o pai do rock

Intervalo Musical em clima de Halloween. O juiz apita e solta as bruxas hoje. Mistérios entram em campo.


Existem muitas histórias e lendas na música, acontecimentos bizarros e grandes fatalidades que geram tristeza.

Sim, todos conhecem “A lenda da morte de Paul McCartney”, dizem que o atual Paul é um sósia do anterior. E sim, todos conhecem “A lenda Elvis não morreu”, dizem até que ele foi morar na Argentina, mas ninguém agüenta mais falar sobre estas lendas.

O universo musical é cercado de acidentes, assassinatos e suicídios, na maioria dos casos mortes estranhas e chocantes. A lista de engasgados com o próprio vômito e/ou por uso exagerado de drogas, ilícitas ou não, é imensa: Bon Scott, Jimi Hendrix, John Belushi, John Bonham e Sid Vicious, este tinha acabado de sair da prisão acusado de assassinar a facadas a sua namorada Nancy, um mistério que nunca foi provado, pois Sid jurava não lembrar de nada.

James Sheppard surrado até à morte. Ian Curtis e Paul Hester, enforcados. Kurt Cobain suicidou-se com um tiro. Johnny Ace brincou de roleta russa. Marvin Gaye baleado e morto pelo pai. John Lennon, assassinado por um fã, impossível medir a dimensão desta tragédia. Jeff Buckley afogou-se no rio Mississipi, para mim uma perda irreparável. Michael Hutchence, morto asfixiado enquanto masturbava-se em um quarto de hotel, “bizarríssimo”. E o gênio do pop Michael Jackson, a morte mais especulada de todos os tempos, história de vida conturbada e repleta de lendas sobre as transformações físicas do cantor.

Mortes difíceis de aceitar (só não vou citar o padre Adelir Antonio de Carli, também conhecido como “padre voador”, porque ele não era músico) são: Les Harvey, eletrocutado no palco por mexer em um microfone com os pés molhados, e Bob Marley, diagnosticado com câncer no dedão do pé direito, recusou-se a amputar o dedo, devido aos princípios rastafari.

Artistas, e em alguns casos fãs, não perdem tempo quando os assuntos são lendas e mistérios.

Mistério que existe há 14 anos é o desaparecimento do guitarrista e compositor do Manic Street Preachers, Richey Edwards. O seu carro foi deixado junto a uma ponte popular entre os suicidas, mas o seu corpo nunca foi encontrado. Desde então, muitos fãs garantem ter visto Richey em lugares como Ilhas Canárias e Goa. Ainda bem que a banda não acabou, pois está entre as minhas preferidas.

O álbum “Journal For Plague Lovers” do Manic Street Preacher, teve a capa censurada em diversas lojas por provocar sentimentos como angustia e perplexidade. Mas é nas letras que o nono álbum na discografia da banda revela sua força. Todas as canções foram escritas por Richey Edwards em uma espécie de diário que o músico deixou com o baixista Nicky Wire semanas antes de sumir, em fevereiro de 1995. Deixo aqui a música “Jackie Collins Existential Question Time” deste álbum.



Um desses mistérios insondáveis ganhou corpo com o documentário “Jandek on Corwood”. Jandek, veterando do blues e folk norte-americano, lançou 35 álbuns desde 1978. Recluso, ninguém sabe com certeza quem ele é. As capas dos discos não dizem nada sobre esta músico. O documentário é realizado recorrendo a testemunhos e opiniões de críticos, jornalistas e DJs, e também à única entrevista telefônica concedida pelo artista em 1985, e ainda assim, não se sabe se foi ele mesmo o entrevistado. Este Jandek sabe como estimular a curiosidade das pessoas.

Você já ouviu falar do “Enigma de Publius”? O enigma trata-se de um provável quebra-cabeça que teria sido montado pelo Pink Floyd nos últimos discos, havendo um possível prêmio para aquele que descobrir. Este enigma mobilizou milhares de pessoa em todo o mundo.

Quando o Kiss estava no auge da sua carreira, foram lançados HQ’s da banda. Houve rumores que os 100 primeiros exemplares tinham sangue dos integrantes da banda misturados à tinta da impressão. Gene Simons vomitando sangue e cuspindo fogo levou parte da opinião pública a chamar a banda de satanista, e o nome “KISS” chegou a ser interpretado como a sigla para “Knights In Satan’s Service” (Cavaleiros à Serviço de Satan).

Os Rolling Stones tem muitas “histórias”. As que envolvem o Keith Richards eu até acho graça, como ele ter trocado todo o seu sangue e ter cheirado as cinzas do pai. Mas Mick Jagger declarou que o fundador da Igreja de Satan, Antony LaVey, foi o inspirador da música Simpathy For The Devil, canção onde o personagem principal é o demônio cantando em primeira pessoa.

Black Sabbath, quero somente lembrar, pois o nome da banda e o vocalista Ozzy “príncipe das trevas mordedor de morcego” já diz tudo !

Eagles, aparentemente nada nesta banda remete ao assunto, mas descobriu-se que a música Hotel Califórnia possuía mensagens satânicas gravadas ao inverso e que tratava sobre a sede da Igreja de Satan, que havia sido anteriormente no hotel.

The Doors e seu vocalista Jim Morrison, sempre polêmico, casou-se em um ritual pagão com uma bruxa, além de dizer que trazia dentro de si o espírito de um índio feiticeiro.

AC/DC grava um álbum chamado “Highway to Hell” (Auto Estrada para o Inferno). Depois vem um famoso assassino psicopata conhecido como “Night Stalker” que, afirma matar influenciado pelas letras da banda. Não poderia ficar fora da lista dos malévolos.

Iron Maiden, tem como mascote um simpático morto vivo sempre associado a um demônio, chamado Eddie. Lança um disco com o nome “The Number of The Beast” (O Numero da Besta). Resultado: Apareceu em 1985 um garoto de 14 anos, com um grande “666” tatuado no peito, que matou 3 pessoas alegando estar dominado por Eddie.

E não pensem que o diabo é o pai somente do rock. Música erudita também pode ter má influência. Há 200 anos atrás, Nicolo Paganini, compositor e violinista considerado um gênio, usava cordas de tripa de carneiro em seu violino, até ai é somente estranho, mas a lenda sobre o encordoamento de seu violino vai além, dizem que ele substituía carneiro por humanos, ganhando uma sonoridade sobrenatural que levava as pessoas ao pavor ou ao êxtase.

No futebol, não lembro de histórias onde a bruxa estava solta em campo, mas uma que ficará na memória é a final do Paulistão 99, Corinthians x Palmeiras. Edílson jogador do Corinthians, conhecido como “O Capetinha”, briga com, Paulo Nunes, jogador do Palmeiras, conhecido como “O Diabo Loiro”. A briga entre o “capeta” e o “diabo” em campo, causou uma confusão generalizada acabando com o jogo antes dos 45 minutos.

Dos relatos acima, muitos são verídicos e trágicos. Outros somente lendários e que nunca serão comprovados, mas fica claro que muitas vezes a música provoca efeitos imprevisíveis. Acredito que a forma como a música “toca” o coração, a mente e a alma das pessoas, gera toda esta magia, seja ela boa ou não.

Este vídeo não é musical. É um curta em stop-motion do Tim Burton, uma homenagem ao consagrado ator Vincent Price, conhecido por contracenar em filmes de suspense e terror, narrado pelo próprio Price. Cinema também tem magia, mistério e terror. Adoro !



E você, lembra de alguma história bizarra ou lenda, da música ou do futebol ?

Happy Halloween !
Ósculos e Amplexos.

20 de out. de 2009

Intervalo Musical – Vamos Voltar à Pilantragem

Apita o árbitro ! Final do primeiro tempo. Hora o intervalo. E hoje vamos falar de música, cinema e futebol.

Em maio deste ano, assisti no cinema o documentário 'Ninguém Sabe o Duro que Dei', e recomendo, goste você ou não de Wilson Simonal.

Vamos à apresentação: Wilson Simonal de Castro, cantor, brasileiro, (Rio de Janeiro, 23/02/1938 – 25/06/2000), filho de empregada doméstica, era cabo do exército antes de começar a cantar e deu “um duro danado” ate revelar-se um “showman”. Começou cantando calipsos e rock em inglês e, de baile em baile, foi descoberto pelo compositor Carlos Imperial, o pai da 'Pilantragem', que o levou para o seu programa de TV 'Os Brotos Comandam'. No auge da carreira apresentava o programa 'Show em Si Monal' (primeiro programa de TV apresentado exclusivamente por um negro no Brasil)

O que era a Pilantragem?
Movimento cultural idealizado por Carlos Imperial, à pedido de Simonal, era o samba inspirado no soul e no rock (fazendo concessão ao uso da guitarra elétrica nos arranjos). Segundo o próprio Carlos Imperial: “pilantragem é a apoteose da irresponsabilidade consciente”.

O documentário mostra a vida deste artista genial, capaz de reger um coro de 15 mil vozes no Maracanãzinho (esta cena no documentário é de arrepiar). Mas além de mostrar o sucesso, mostra também a decadência e a pergunta que nunca calou “Simonal era ou não era um dedo-duro do DOPS (Departamento da Ordem Política e Social)?”.

O Crime:
Simonal achava que seu contador o estava roubando, contratou dois agentes do DOPS para torturar seu contador. Simonal, que já não tinha uma posição política claramente definida na época, declara: “Ninguém mexa comigo porque eu tenho amigos no DOPS”. Processado sob acusação de extorsão mediante seqüestro do contador, Simonal levou como testemunha o agente, que o apontou em julgamento como informante do DOPS, foi julgado culpado pelo seqüestro e referido como colaborador das Forças Armadas. Neste momento foi decretada a morte da carreira do Simonal, que foi banido por músicos e jornalistas, caindo no ostracismo. Somente em 2003 Simonal foi moralmente reabilitado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos, em julgamento simbólico. Tarde demais, infelizmente.

Com as declarações de Chico Anysio, Sergio Cabral, Miele (maravilhoso), Ziraldo e Jaguar, este que chora acompanhado de uma garrafa de cachaça, o documentário mostra que Simonal foi sim arrogante e pretensioso, ao mesmo tempo ingênuo, mas não um dedo-duro.

Algo que não sabia e descobri no documentário, foi sobre a amizade entre Simonal e Pelé. Simonal era garoto propaganda da Shell. O patrocínio ao cantor se misturava com o patrocínio à seleção brasileira da Copa de 1970. A Shell o levou ao México com seu grande amigo Pelé e cia., ele na condição de cantor oficial do Brasil.


Momento muito engraçado no documentário, é quando o próprio Pelé conta sobre a escalação de Wilson Simonal para jogar pela seleção na Copa. No primeiro treino Simonal quase morre com falta de ar, sem a menor condição física para jogar sai de campo carregado. Claro que tudo não passou de uma grande brincadeira, mas por incrível que pareça, Simonal acreditou que defenderia a “seleção canarinho” em um jogo de Copa do Mundo.

Fundador de um movimento cultural, apresentador de programa de TV, um grande comunicador cheio de empatia, carisma e “swing”. Gravou 21 LP’s, entre eles, ‘Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga’, só o nome do álbum já é espetacular, ‘Jóia’, que realmente é uma preciosidade, ‘Alegria, Alegria!’ e ‘Homenagem à graça, à beleza, ao charme e ao veneno da mulher brasileira’ .Cantou uma série de sucessos inesquecíveis como, ‘Mamãe Passou Açucar em Mim', ‘Sá Marina’, ‘Tributo a Martin Luther King’, ‘Meu Limão, Meu Limoeiro’ e ‘País Tropical’. Cantou contra o racismo e à mulher, cantou a alegria, a beleza e o amor.

Com muito gingado e uma voz poderosa, cantando “Nem Vem Que Não Tem, Nem vem de garfo, Que hoje é dia de sopa, Esquenta o ferro, Passa a minha roupa, Eu nesse embalo, Vou botar prá quebrar, Sacudim, sacundá, Sacundim, gundim, gundá!”, Simonal representou a pilantragem, conquistando tudo e à todos.

Culpado ou inocente?
Isso não importa mais. No final o que realmente pesa na história deste grande cantor, é a interrupção de uma carreira brilhante. Isso no país que adora esquecer e/ou perdoar pessoas como Jânio, Collor, PC e agora Sarney, Simonal pagou sua pena até o fim da vida, sem direito a anistia.

Hoje foi muito difícil escolher uma música.

DJ, toca esta por gentileza.

Chamada para próxima terça-feira: Intervalo Musical - Halloween

9 de out. de 2009

Intervalo Musical Bônus – Saudosismo Corintiano !


Hoje teremos Intervalo Musical Bônus, pois prorrogamos para TODAS AS TERÇAS-FEIRAS.

Mas, já que estamos aqui, vou aproveitar para mostrar dois presentes lindos que ganhei da minha amiga Luciana Cury.

Ela bem sabe que sou corintiana e também que sou apaixonada por música, por isso foi revirar sua imensa, antiga e divina coleção de discos de vinil para me presentear com estes 2 compactos históricos, para mim algo “invendável, inegociável e imprestável” (Parafraseando Vicente Matheus, referente o Sócrates)

Todos sabem que 1977 foi um grande ano para o Corinthians, quando o Timão ganhou o título de Campeão Paulista, pondo fim a um jejum de 22 anos e, em meio a uma grande festa veio o lançamento destes compactos:

TIMÃO MARAVILHA
Lado 1:
1-Timão Maravilha – Rick, Rock & Robyn

Lado 2:
1-Mulher Corintiana – Odair Cabeça de Poeta

Que maravilha, uma música para mim !

CAMPEÃO PAULISTA 77 – OS DEMÔNIOS DA GAROA

Lado 1:
1-Oi Nois Aqui Traveis
2-Hino do Corinthians

Lado 2:
- O Timão

Homenagem do corintianíssimo Demônios da Garoa, que dispensa qualquer apresentação.

VEJO TODOS AQUI NA TERÇA-FEIRA.

(ouvindo: The Pains Of Being Pure At Heart - Hey Paul).

25 de set. de 2009

Intervalo Musical - 90's

90’s – O RETORNO

Certa vez assisti na TV Edgard Scandurra (guitarrista do Ira) falando, não me lembro das palavras exatas mas era algo do tipo, “no mundo rola uma coisa cíclica, e a cada 20 anos a moda volta”. Pensei nisso e achei perfeito.

Prova disso é que toda nostalgia que estava girando em torno da década de 80 está acabando, que bom, pois acho a moda nesta época desagradável, salvo uma porção de bandas. E quem está chegando? A década de 90. O que muito me alegra, pois foi a “minha época”, estava descobrindo o mundo, formando minha opinião e principalmente ouvindo muita música.

Quero deixar claro, gosto de música de todas as épocas, mas hoje o assunto será limitado.

Em meio a tantos avanços, mudanças e fatos históricos como o fim da guerra fria, globalização, popularização do celular, final de Copa do Mundo e um grito ecoando nos quatro cantos do Brasil “é tééééétra, é tééééétra”, vídeo games, dvd, Corinthians tricampeão brasileiro, browser, clonagem, São Paulo bicampeão da Libertadores, alimentos geneticamente modificados, reciclagem, fim da fila para o Palmeiras e uma Libertadores, teoria das cordas, dogma 95..., a década de 90 começa bem com a popularização do computador pessoal e da internet, junto com a explosão da MTV no Brasil, facilitando demais o acesso à música. Novas bandas surgiam a cada instante, e todas estas facilidades somadas a alta velocidade da informação, contribuíram muito para a divulgação e surgimento de novos estilos mas, simplesmente por gostar muito vou destacar bandas de rock, principalmente as independentes que são as maiores beneficiadas.

A música eletrônica se difunde com o rock e aparecem bandas como Nine Inch Nails, Rammstein, KMFDM e Ministry

Nas paradas de sucesso surge o grunge, trazido por bandas como Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden, Stone Temple Pilots, Mudhoney e Pearl Jam. Tudo isso era bom, mas tinha muito mais para conhecer.

Simultaneamente conheci o pop rock britânico e, imediatamente me apaixonei. A grande maioria Influenciada por bandas da 1ª Invasão Britânica (quem leu a estréia do Intervalo Musical – The Rolling Stones, sabe do que estou falando, mas tratasse de outra década, portanto vamos manter o foco), surgem as conhecidas Oasis, Blur, Placebo, The Verve, The Charlatans, Belle & Sebastian, as minhas queridas Manic Street Preachers, Muse, Ocean Colour Scene, Pulp, Suede, Super Furry Animals, Ash..., sem esquecer a espetacular Spiritulized. Enfim, a lista é aparentemente infinita.

Acho Spiritualized tão espetacular que quero compartilhar:



Viajando para outro continente, chegando precisamente nos Estados Unidos da América, aparece outra lista gigantesca de bandas que descobri ao longo da década de 90, mas que até hoje eu ouço com prazer imenso. Bettie Serveert, Superchunck, Pavement, Weezer, Buffalo Tom, Velocity Girl e Nada Surf fazem parte desta lista.

E finalmente no Brasil, período fortemente marcado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A grandes colaboradores do movimento manguebeat, algo que considero realmente diferente além de ótimo e felizmente apareceu aqui, ainda mais considerando outras bandas que surgiram como Jota Quest, Raimundos e Charlie Brown Jr., que na minha opinião “ninguém merece”.
Lembro com carinho e sinto orgulho em dizer que fui nos shows do Brincando de Deus, Pelvs, Second Come e Low Dream, pois representaram muito bem o Brasil, e eu adoro.

Neste momento descobri o quanto é difícil falar de um assunto tão abrangente tentando não deixa-lo cansativo. Está faltando muito, portanto fique à vontade para citar alguma lembrança desta época que eu pequei deixando de escrever aqui.

Recebo de braços abertos o retorno da década de 90. Não sou retrógrada, também gosto do novo, mas um pouco de nostalgia não faz mal. É só para relembrar dos anos que eu efetivamente comecei a “viver”. Os anos dourados da minha vida.

Apesar de ser de 1983, esta banda marcou minha década de 90, presenciei muito “air guitar” nas pistas e é uma das minhas paixões da época. Sempre peço:

“DJ, toca esta por gentileza”

11 de set. de 2009

Intervalo Musical

Durante as partidas de futebol existe um intervalo de 15 minutos onde a bola NÃO está rolando.
Vamos aproveitar este intervalo para bater aquele papo descontraído, 100% informal, sobre algo que assim como o futebol, faz a gente vibrar muito, traz lembranças, nos faz rir e até chorar e, para não deixar toda a emoção que o futebol traz 'esfriar' neste intervalo, vamos falar de música.
Assim como cada um tem seu time do coração, cada um tem sua predileção por um estilo de música.
Eu sou apaixonada pelo Corinthians e pelo tal do Rock'n Roll. Pronto falei !
Por isso vamos conversar sobre rock e todas as suas incontáveis vertentes. Às vezes, pode aparecer por aqui algo sobre pop, jazz, mpb, eletrônico, samba de raiz, entre outros estilos, afinal boa música é sempre bem-vinda.

The Rolling Stones - A Seleção do Rock

Você deve estar pensando: "que clichê falar de rock e Rolling Stones!".
Eu pergunto: "Quem poderia representar melhor o rock?"
Vamos aos fatos:
Pense em uma banda que nasceu 1962, cresceu e não esqueceu de acompanhar as mudanças do mundo durante 47 anos com tanto sucesso.
No atual elenco temos Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood (Ron Wood, que antes tocava com a banda The Faces, liderada pelo maroto Rod Stewart). Darryl Jones, que é baixista contratado, não é considerado membro oficial. E não vamos esquecer de quem marcou presença nos Stones, o gigante Brian Jones, Bill Wyman e Mick Taylor.
Conhecida como uma das bandas da "Invasão Britânica" que foi a grande explosão da música inglesa na América do Norte (lembrando que este tipo de representatividade no futebol só quem tem é o Corinthians, com a invasão de 1976 no Maracanã), começou sob a forte influência de R&B e Rock, com covers de canções de Chuck Berry e Muddy Waters e a composição I Wanna Be Your Man da dupla John Lennon e Paul McCartney - que eu adoro. O álbum Stick Fingers teve a capa idealizada pelo Andy Warhol. Parcerias incríveis que vão de Buddy Guy a Jack White fazem parte da história da banda. Hits como Satisfaction, Start Me Up, Sympathy For The Devil, Jumping Jack Flash, Miss You e Angie fizeram dos Stones uma das bandas mais conhecidas do rock, mas também os levaram aos grandes clichês do gênero porém, é impossível negar que são músicas espetaculares e destaco Gimme Shelter que considero um marco na história, chega a dividir o rock em "AGS" (Antes de Gimme Shelter) e "DGS" (Depois de Gimme Shelter). Impossível não sentir uma vibração intensa e inexplicável quando se escuta estas músicas. Jean Luc Godard fez Sympathy For The Devil, um documentário sobre apenas uma das músicas da banda e o Martin Scorcese fez Shine A Light, um documentário sobre apenas um show da banda, ambos ótimos.
Os Rolling Stones já venderam mais de 500 milhões de álbuns no mundo inteiro. Facilmente se enche um estádio de futebol anunciando que lá haverá um show dos Rolling Stones e, em um único show, eles podem fazer mais de 1,5 milhões de pessoas "cantar, pular, gritar, rir e chorar". (isso não lembra futebol ?).
Recepções efusivas da crítica, problemas com drogas, conflito de egos, tudo isso faz parte da rotina de grandes rockstars, nada que desabone os Stones na minha opinião. O fato deles serem populares e de ouvir músicas deles em todas as rádios não me incomoda; faz tempo que aprendi a discernir entre popular bom e popular ruim.
Em um breve resumo citei grandes nomes da música e da arte, lembrei de grandes shows. Poderia falar páginas e mais páginas sobre a grandiosidade desta banda e tudo o que ela representa para o rock. Com certeza você também se lembra de algo não citado aqui que descreve a magnitude desta banda, mesmo que você não goste dela.
E por estas e outras que The Rolling Stones está no meu Top 5.
E agora? Você ainda acha que eu deveria fazer minha estréia aqui, falar sobre rock, e não falar de Rolling Stones?

É isso ai ! Espero revê-los em breve. Críticas, sugestões e elogios são bem-vindos, afinal "Sua opinião é muito importante para nós"
Pode trazer quem quiser, é só chegar, puxar a cadeira e ficar à vontade.

Agradecimentos: Luciana Cury e Viviane Santana pela colaboração e incentivo e João Paulo Tozo pelo convite para participar desta equipe.

Chamada: Na próxima vai rolar Show do Beirut e, não é promoção de restaurante árabe.

DJ, toca esta por gentileza !